A 5ª onda – consciência, coexistência, sobrevivência…

“É como uma barata elaborando um plano para derrotar o sapato que está prestes a esmagá-la.”

“Eles são como o senhorio que expulsa um inquilino caloteiro para poder limpar a casa para o novo inquilino. Acho que isso sempre teve a ver com preparar o lugar. — Preparar para quê? — Meu pai exibiu um sorriso destituído de humor. — Para o dia da mudança.”

A 5ª onda foi na verdade uma surpresa. Vi bastante gente falando mal do livro, mas depois de ver o filme fiquei curiosa e quis ler, então estava com expectativas baixas. Rick Yancey teve uma ideia muito boa fazendo alienígenas que não são verdes, não falam um idioma estranhíssimo e também não aparecem do nada com sua super nave tecnológica.

“Como livrar a Terra de seres humanos? Livre os seres humanos de seu senso de humanidade.”

O ponto alto é mostrar como somos negligentes com a Terra. Nossa casa, nosso planetinha lindo… que ninguém dá valor até aparecerem alienígenas. Ok, os aliens sempre estão aí pra nos mostrar isso, em todas as histórias. Mas gostei de como Yancey encara isso, fazendo um romance adolescente que nos deixa refletindo um pouco.

Aliás, tem uma cena muito boa no livro, que faltou no filme (nem sei como fazer no filme… mas ela é linda no livro). Evan mostra pra Cassie como são os Outros. Adorei o fato de eles serem uma consciência, é bem diferente do que já vimos como alienígenas nas histórias por aí.

“Você sabe quem é o inimigo em tempos de guerra, Cassie? – Os olhos dispararam ao redor do barracão. Por que ele não conseguia olhar para mim? – O sujeito que atira em você. É assim que se fica sabendo. Não se esqueça disso.”

Agora, um pouco do que não curti: o triângulo amoroso é forçadíssimo. Os escritores precisam aprender que não precisamos de triângulos amorosos para gostarmos de uma história. Mas não me incomodei com o metade alien/metade humano apaixonado por uma humana.

Não curti também o fato de não ter um apontamento de quem está narrando o capítulo. Precisamos ler uns parágrafos pra entender quem é ali… seria facilmente resolvido colocando o nome no topo, como em Crônicas de Gelo e Fogo, por exemplo.

“A crueldade não é um traço da personalidade, a crueldade é um hábito.”

Conclusão: vale a pena, sim. É uma leitura muito boa, a história é legal, os personagens são cativantes. Tem seus defeitos, mas não me incomodaram a ponto de abandonar o livro. Inclusive, já estou começando Mar Infinito!

“Você ainda não entendeu? No momento em que decidirmos que uma pessoa não importa mais, eles venceram.”