O auto da compadecida: um filme que representa a cultura nordestina

O Auto da Compadecida foi um filme que exaltou a cultura nordestina ao utilizar os contos de cordel como base do seu roteiro, ao se basear no cordel escrito por Ariano Suassuna, em “Auto da compadecida” de 1955, traz a tela dos cinemas uma das tantas aventuras do famoso João Grilo, um personagem conhecido em Portugal, mas ao chegar ao Brasil sofrer uma adaptação e a partir deste momento se torna um símbolo da cultura nordestina.

Com uma história carregada de tradições e crenças regionais, por ter sido adaptada para a realidade da região, onde a figura dos cangaceiros, coronéis e a igreja católica eram autoridades locais na época.

Quando um filme que exala cultura do Brasil passa a ser reconhecido internacionalmente é um momento marcante para o cinema, pois ajuda a disseminar as tradições e a cultura brasileira as pessoas que - muitas vezes - pensam que o Brasil é somente a floresta Amazônica e o Rio de Janeiro.

Cenas do filme O Auto da Compadecida

SINOPSE

Para esta aventura não podia faltar à presença de João Grilo é um pobre sertanejo, esperto e trapaceiro, e seu amigo Chicó o homem mais covarde da região. Ambos precisam descobrir uma forma de sobreviver a cada dia, e através de golpes eles vão conseguindo enganar o povo de um pequeno vilarejo do sertão da Paraíba, onde os mantêm salvos da vida difícil do sertão.

Mas tudo pode mudar quando um ataque de cangaceiros surge no pequeno vilarejo, e qual das suas trapaças João Grilo e Chicó precisarão usar para conseguir sair vivos dessa encruzilhada? Talvez, somente a Nossa Senhora poderá intervir por eles.

TRAILER

FICHA TÉCNICA

Título original: O auto da compadecida
Ano: 2000
Produção: Globo Filmes, Lereby Productions
Direção: Guel Arraes
Elenco: Selton Mello, Virginia Cavendish, Diogo Vilela, Denise Fraga, Rogério Cardoso, Lima Duarte, Marco Nanini, Enrique Diaz, Aramis Trindade, Bruno Garcia, Luis Melo, Maurício Gonçalves, Fernanda Montenegro, Matheus Nachtergaele.
Gênero: Comédia, Aventura
Nacionalidade: Brasil

O QUE É CORDEL

Cordel é como se fosse poemas populares, o qual eram muitos usados no nordeste brasileiro, onde penduravam folhetos contendo história em cordas ou cordéis, sendo que foi dessa prática que se originou o seu nome — cordel.

A escrita do cordel é formada por rimas e tinha como foco registrar feitos e histórias vindas de “lendas” que a população contava através das gerações. Os cordéis eram formados com poucas folhas dobradas em formato de um pequeno livro (ou revista) que tinha como objetivo ser uma leitura mais fácil e rápida, tanto para incentivar a leitura, quanto para impedir o avanço do analfabetismo.

A cultura dos cordéis veio de Portugal, porém em alguns estados do Brasil se popularizou e virou característico da região como no Rio Grande do Norte, Pernambuco, Ceará e Paraíba.

Cena do filme O Auto da Compadecida

QUEM FOI JOÃO GRILO

João Grilo foi um personagem dos contos portugueses que foi trazido ao Brasil, e que no sertão nordestino foi adaptado como um homem espertalhão e cheio da cultura nordestina. As suas histórias se popularizou em forma de cordel.

João Grilo foi muito bem representado no filme “O Auto da Compadecida”, por Matheus Nachtergaele, que trouxe todas as suas manias e o seu jeito espertalhão para o personagem. Para ter uma noção de tão bem feito que foi a produção, confira abaixo pedaços do cordel “As proezas de João Grilo”, de João Martins de Athayde.

João Grilo foi um cristão
que nasceu antes do dia
criou-se sem formosura
mas tinha sabedoria
e morreu depois da hora
pelas artes que fazia.
E nasceu de sete meses
chorou no bucho da mãe
quando ela pegou um gato
ele gritou: não me arranhe
não jogue neste animal
que talvez você não ganhe.
Na noite que João nasceu
houve um eclipse na lua
e detonou um vulcão
que ainda continua
naquela noite correu
um lobisomem na rua.
[…]
João Grilo foi à escola
com sete anos de idade
com dez anos ele saiu
por espontânea vontade
todos perdiam pra ele
outro Grilo como aquele
perdeu-se a propriedade.
João Grilo em qualquer escola
chamava o povo atenção
passava quinau nos mestres
nunca faltou com a lição
era um tipo inteligente
no futuro e no presente
João dava interpretação.
Um dia perguntou ao mestre:
o que é que Deus não vê
o homem vê a qualquer hora
disse ele: não pode ser
pois Deus vê tudo no mundo
em menos de um segundo
de tudo pode saber.
João Grilo disse: qual nada
que dê os elementos seus?
abra os olhos, mestre velho
que vou lhe mostrar os meus
seus estudos se consomem
um homem vê outro homem
só Deus não vê outro Deus.
João Grilo disse: seu mestre
me diga como se chama
a mãe de todas as mães
tenha cuidado no drama
o mestre coça a cabeça
disse: antes que me esqueça
vou resolver o programa.
A mãe de todas as mães
é Maria Concebida;
João Grilo disse: eu protesto
antes dela ser nascida
já esta mãe existia
não foi a Virgem Maria
oh! que resposta perdida.
João Grilo disse depois
num bonito português;
a mãe de todas as mães
já disse e digo outra vez
como a escritura ensina
é a natureza divina
que tudo criou e fez.

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