Por que escrever?

Um recomeço, muito além dos desabafos e dos brigadeiros de panela. Falar sobre a vida, sentimentos e provocações ao senso comum das coisas.

Há muito tempo, confesso que ensaio inúmeras tentativas de pegar firme no ofício de escrever, procurando um propósito para manter a regularidade da ação a qual me presto à executar.

Cheguei a pensar que não interessa o quão fiel julgo ser aos sentimentos que relato, na árdua tarefa de transparecê-los em sua quintessencia, para os quais talvez não façam tanta diferença quanto me esforço em acreditar.

Afinal de contas, falar de sentimentos em um momento o qual mal se fala em “conexão interpessoal analógica”, vulgo contato físico extra Matrix, torna-se uma tarefa deveras desafiadora. Quiçá, espalhar amor pelo aspecto virtual, ainda por cima semear e florescer no semi-árido dos tempos líquidos.

Contudo, o que seria da jornada de mil léguas sem o primeiro passo? (clichê? Talvez. Mas muito sincero, entretanto).

Quero dizer, o que seria daqueles que não objetivam mais do mesmo velho-novo contato chocho superficial, que nos sabota a capacidade de olharmos nos olhos uns dos outros, e fazer valer cada instante da escuta ativa e recíproca naquele momento único de experiência mais carnal?

Devo eu continuar, ainda que de maneira anônima, ou nem tanto, a perpetuar um pouco de gentileza e singeleza das palavras que discorrem dos sentimentos, ou simplesmente morrer na imensidão daqueles que já não se importam mais?

Pelo orgulho, ou talvez por teimosia, opto por fazer parte do time dos bravos mensageiros, que mesmo avergonhados de alguns de seus feitos, espalham o amor por onde quer que passem. Mas veja, há um adendo importantíssimo a se considerado: ainda que cada um de nós viva determinado sentimento em sua total expansão e capacidade, será sempre uma experiência diferente e singular daquilo que acreditamos ser amor.

Não importam quantas palavras sejam ditas, quantos fonemas sejam gastos, ou quantas páginas sejam esbanjadas a fim de que se fale sobre tais abstrações. Cada indivíduo viverá em seu íntimo a beleza do aspecto uno de cada momento em sua existência. E ainda assim, será amor! E mesmo que não leve este nome, será belo enquanto fizer-lhe bem.

Falar sobre si, na tentativa de espelhar no outro vãs expectativas, é perda de energia e tempo. Falar sobre o que se sente, e esperar que o mundo o receba de ouvidos e braços abertos para cada peculiaridade da sua auto expressão, é um ato de coragem, ou talvez ilusão. Mas, o que muitas vezes não acontece, e fere profundamente manifestação de nossa tão sensível subjetividade, é o calar da expressão.

Por isto, e por outros motivos mais, opto por escrever, sobretudo, por aqueles que já não possuem mais voz para se declarar. Por sentimentos devastados profunda e suficientemente danificados demais para falar. Não por me considerar porta-voz, madrinha, ou coisa parecida. Mas por decidir não silenciar a voz do coração, quando o assunto é o que somos, e o que somos em essência.

Escrever, portanto, é mais do que o ofício de esculpir enunciações, ou mesmo, por terapia ocupacional. Executar o ofício da escrita, faz de mim uma pessoa melhor. E quem sabe, num desejo quietinho e profundo, estas singelas conversas, tornem a vida de outros um pouco mais encantadora, tão mais gostosas de serem vividas, quanto a minha há de se tornar um dia.

Uma declaração sincera e avergonhada, mas de coração! Se gostou do que leu, por favor, comente, compartilhe, opine. Dê sugestões e ideias para próximos assuntos, quero muito dividir essa paixão e fervilhar ideias de papel e caneta nas mãos :)
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