enem e outras coisas

eu tive um ensino médio fácil. a escola era basicamente um clube pra encontrar os amigos, rir e deitar no chão nas aulas de filosofia e sociologia falando sobre a vida.
é evidente que isso foi prejudicial pra mim assim que a correria do pré vestibular começou. a minha base era quase inexistente, e eu me matriculei em um bom cursinho numa cidade vizinha. foi ali que eu aprendi a estudar de verdade, foi ali que eu comecei a aprender a resolver os perrengues da vida, e foi ali que a minha ansiedade começou a ser um problema.
eu estudava em uma sala com mais de 100 pessoas, de todas as classes sociais e com várias histórias diferentes. acordava às 5 da manhã pra conseguir chegar às 7 e sentar na frente, onde ~falando sob o guarda chuva do estereótipo~ as pessoas mais aplicadas sentavam.
a comparação ali era inevitável.
depois de 5 meses morando longe de casa sem maturidade nenhuma e imersa em um ambiente cheio de pressão e competitividade, eu precisei voltar pra casa.
eu precisei voltar pra mim mesma e criar o meu próprio ambiente. redefinir os meus objetivos e como eu chegaria até lá. é claro que isso só foi possível depois de ter o privilégio de estudar em um cursinho top com professores tops.
estar em um ambiente tão competitivo e rodeado de pessoas ansiosas pode ser extremamente tóxico pra quem, como eu, não está(va) com a mente no lugar e com o psicológico fortalecido para enfrentar aquilo.
ver pessoas praticamente morando dentro do cursinho e sugando todas as aulas possíveis, estudando mil horas por dia, trazia a sensação de estar fazendo pouquíssimo ou nada. é aí que mora o perigo da competitividade.
ver pessoas que não saiam de casa nem pra tomar um sorvete porque tomaria tempo de estudo traz, pra quem não está seguro do que está fazendo com a própria vida, a sensação de estar perdendo tempo ao fazer essas coisas.
assistir uma série no meio da semana pode facilmente, nesse contexto, virar sinônimo de “vagabundar”.
é por isso que, nesse processo, é fundamental ter em mente que a vida é mais. passar no vestibular é importante, principalmente pra quem não nasceu em família rica. o acesso ao ensino superior é a chance mais palpável de ascender socialmente. e tudo isso é importante. mas não é tudo.
sobre compreender o seu tempo;
a minha experiência pessoal me ensinou muito a entender que, não adianta ficar ansioso por coisa alguma (vide filipenses 4:6, que minha mãe enfiou na minha cabeça durante esse processo), tudo vai acontecer no tempo “certo”.
considero o tempo certo como o tempo no qual mais estaremos precisando daquela experiência. não necessariamente o tempo onde estaremos mais preparados, mas o período em que estaremos precisando passar pelo que vamos passar para aprender e, consequentemente, crescer.
fazer faculdade ou qualquer outra coisa que seja importante para o seu futuro é muito mais do que um período de aquisição de conhecimento teórico/prático, é onde estaremos constantemente tendo os nossos objetivos colocados em prova/questionamento.
sobre parar, cuidar das suas feridas e prosseguir;
foi uma das lições da terapia. considerar que não tem tempo pra descansar vai te tirar qualidade de vida, vai te tirar a possibilidade de enxergar a vida para além dos livros, para além da pressão de “ser alguém na vida”.
cuidar de si deve ser uma prioridade. a faculdade é um período de grandes mudanças, de cargas horárias que podem ser massacrantes. pra não chegar lá com a saúde mental já esgotada, é necessário cuidar de si.
assistir um episódio não é pecado. sair com os amigos não vai te tirar a sua aprovação. dormir mais um pouquinho no sábado não te faz um fracassado.
desde que você tenha disciplina.
desde que você se ame o suficiente pra cuidar bem dos seus sonhos e objetivos. e de você.

