Travado

Ilustração de Goro Fujita

Em meio a tantos entraves
Travados na trave
De raspão
Raspando um a um
Na minha cabeça
Como se fossem disparos elétricos
De uma máquina feita pra matar
Presa nesse travesseiro sujo de pensamentos alucinógenos
Chapado de chumbo
Tragado pela forquilha
Inviolável
Me canso do cansaço
Apago a luz já meio apagada
Me seguro por um instante
Na beirada da mente
Seguro
Recuo
Desabo
Fui capturado pelo inconsciente
Que não quer ter consciência
Da absoluta falta de coragem
Que me falta ao encarar o que resta
Dessa incompreensível busca pelo nada
Esgueirando no vazio
Remoendo a contradição