A cultura e o pensamento

John Kotter, professor de liderança na Harvard Business School, disse em seu livro “Liderando Mudanças”:

A cultura muda somente depois que se alteram as ações das pessoas, depois que o novo comportamento produzir algum benefício ao grupo, por um período de tempo.

O que ele está dizendo, é que ninguém muda diretamente a cultura de uma organização, mas que é possível mudar alguns comportamentos e que se estes se tornarem sustentáveis, aí sim, haverá uma mudança cultural. Vamos tratar sobre este assunto, mudança cultural, neste artigo.

O QUE É CULTURA?

A palavra tem origem do latim culturae, que significa “ação de tratar”, “cultivar” ou “cultivar a mente e os conhecimentos”. Por sua vez, o latim culturae originou-se, ainda de uma outra palavra latina, colere, que quer dizer “cultivar as plantas” ou “ato de plantar e desenvolver atividades agrícolas”. Com o tempo, foi criada uma analogia entre o tratamento do plantio, com o desenvolvimento das capacidades intelectuais e educacionais das pessoas.

Segundo Kim Ann Zimmermann (https://www.livescience.com/21478-what-is-culture-definition-of-culture.html), a cultura é resultado de padrões compartilhados de comportamentos e interações, construções cognitivas e compreensão que são aprendidas pela socialização. A cultura abarca ainda religião, gastronomia, idioma, casamento, artes, e nossos valores éticos (o que é certo e errado).

Eu defino, sinteticamente cultura, como o resultado de comportamentos baseados nos valores e crenças de um conjunto de pessoas que mantêm uma interação direta ou indireta.

Sabe-se que a cultura é dinâmica, por ser adaptativa e/ou cumulativa, elementos são alterados, retirados ou acrescentados em uma determinada cultura sem periodicidade fixa, no entanto, toda e qualquer mudança, sofre resistências individuais ou grupais.

Como já definimos anteriormente que cultura é o conjunto de comportamentos baseados nos valores e crenças, entende-se que para se modificar uma cultura, é necessário antes disso, provocar uma mudança de comportamentos, e este talvez seja o grande dilema da gestão de mudanças.

COMPORTAMENTOS

Jurgen Apello afirma que a parte mais difícil da melhoria contínua nas organizações, é mudar o comportamento das pessoas.

Segundo a psicologia, o comportamento é o conjunto de procedimentos ou reações do indivíduo ao ambiente que o cerca em determinadas circunstâncias[1].

Mas como se forma o comportamento? Para William Moulton Marston, psiquiatra, o comportamento humano, é formado pela junção da corrente hereditária e das experiências pessoais. Sobre a carga genética, ainda há algumas discussões no meio acadêmico sobre a sua influência na formação dos comportamentos, porém sobre as experiências pessoais, cujos valores e crenças são os fatores determinantes, é confirmado por toda a classe de pesquisadores como raiz na formação dos comportamentos.

Com base nisso, talvez a pergunta que deva ser feita é: o certo é forçar a mudança do comportamento de alguém ou instigá-lo a compreender o porque mudar? Christof Braun propõe algo interessante, ele diz:

Se você conseguir uma mudança de mentalidade, as pessoas se comportarão de maneira diferente.

MUDE O PENSAMENTO, MUDE A CULTURA

O grande físico, Albert Einstein, disse certa vez:

Pensar é um trabalho árduo; é por isso que tão poucas pessoas o fazem.

Antes de continuarmos, precisamos deixar claro alguns pontos sobre a mudança de pensamento:

  • mudar o pensamento não é automático;
  • mudar o pensamento é difícil;

Grande parte das pessoas, culpam circunstâncias ou outras pessoas pelos insucessos na vida pessoal e/ou profissional, quando na realidade, a culpa está no pensamento.

De acordo com Carol Dweck, existem apenas dois tipos de mentalidade:

  1. Fixa: buscam insistentemente afirmar-se na posição em que se encontram;
  2. Crescente: buscam insistentemente desenvolver-se além da posição em que se encontram;

Vejamos os traços diferentes entre ambas mentalidades:

A boa notícia, é que existe a possibilidade de mudança de pensamento, saindo de uma mentalidade fixa (que não atinge sua total capacidade) para uma mentalidade crescente (que atingem níveis cada vez mais alto de realizações). Esta jornada não é complexa, basta estar aberto a mudar seus pensamentos.

Esta jornada inicia-se com o auto-conhecimento sobre o seu mindset fixo, identificando os gatilhos que disparam este pensamento e reeducando seus pensamentos fixos agora que descobriu quais são seus gatilhos.

É preciso entender que a mudança é pessoal (eu preciso mudar), a mudança é possível (eu sou capaz de mudar) e a mudança é lucrativa (eu serei recompensado pela mudança).

Como funciona esta jornada?

  • Mudar seu pensamento muda as suas crenças: As pessoas nunca realizarão aquilo que não se vêem fazendo. (Karen Ford);
  • Mudar suas crenças muda suas expectativas: Uma crença não é apenas uma ideia que você possui, é uma ideia que possui você. (John Maxwell)
  • Mudar suas expectativas muda a sua atitude: As expectativas negativas são um caminho rápido para levar o pensamento a um beco sem saída. (John Maxwell)
  • Mudar sua atitude muda o seu comportamento: Aquilo que detém nossa atenção determina nossa ação. (William James). Como você pode saber o que há em seu coração? Observe o seu comportamento. (LeRoy Eims)

Para encerrar, deixo um célebre pensamento de Leon Tolstoi:

Todos pensam em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo.

Referências

Categories: agilidade, crenças, cultura, gestão de mudanças, mindset, pensamento, valores


Originally published at www.agilean.eti.br on March 12, 2018.