Como é ser uma mulher em Tecnologia (e trabalhar como Agile Coach aqui no Labs!)

Quando comecei a pensar sobre o que escreveria neste artigo, logo me veio à mente toda a trajetória em Tecnologia. Não foi nada fácil.

A começar pelo colégio técnico, onde eu aprendi minhas primeiras noções sobre lógica de programação e me aventurei a desenvolver os meus primeiros códigos fonte. Eu era a única menina da turma, e todas as outras meninas optaram pelo técnico em Magistério (para serem professoras). Era complicado tanto entender quanto participar do universo masculino, e a sensação que eu tinha era de que de eu realmente estava no lugar errado.

No entanto, a minha paixão pelos bits era grande e eu optei pelo curso de Ciência da Computação para a minha graduação. Para mim, seria fácil depois de ter feito 2 anos de técnico e já sabendo programar, porém não foi nem um pouco. As meninas eram menos de 5% da sala e o círculo de amizades era pequeno e massivamente masculino. Complicando um pouco mais, tive minha filha no terceiro ano da faculdade.

Conseguir forças para não interromper os estudos e largar o emprego, não foi uma tarefa nada fácil. Por muitas vezes eu chorava, acreditando ser impossível ser mãe, mulher e profissional de TI.

No início da vida profissional, eu sentia o preconceito masculino, generalizando pelo fato de eu ser mulher, jovem e bonita, de que eu não conseguiria “dar conta do recado”. Por vezes, havia olhares de descrença e em outras, eu era ignorada enquanto falava.

Em uma situação específica, mesmo eu sendo a líder do projeto, o cliente fazia contato visual apenas com os homens do meu time, esperando que eles tomassem as decisões. Se você que está lendo este texto é mulher, certamente já deve ter passado por algo parecido.

Durante um longo tempo, eu tinha que fazer cada vez mais, me capacitar mais, fazer mais treinamentos, entregar mais resultados, como se fosse a minha obrigação provar o meu valor o tempo todo.

Minha visão começou a mudar quando eu li um livro sobre depoimentos de mulheres de sucesso chamado: “Mulheres que abrem passagem”, do escritor Julio Lobo.

Esse livro conta como elas lidaram com o preconceito e conseguiram chegar ao topo. Um dos depoimentos que me marcou, foi mais ou menos assim: “Como você lida com o preconceito no mundo dos negócios (por ser mulher)?” A resposta foi sensacional: “Que preconceito? Nunca vi! Se houve algum, minha atenção estava focada 100% em fazer o que eu tinha que fazer!” (genial =D).

Anos mais tarde, numa palestra com a presidente da Microsoft no Brasil, Paula Bellizia, ela também disse algo extraordinário como: “Nunca, absolutamente nunca, deixe alguém te dizer o que você é, ou não é, capaz de fazer! Você é capaz de tudo aquilo que acredita que é. Não dê ouvidos aos outros.”

E fazendo jus à Luiza Helena, ela tem uma frase perfeita que sintetiza tudo isso: “Empreendedorismo, para mim, é fazer acontecer, independentemente do cenário, das opiniões ou das estatísticas. É ousar, fazer diferente, correr riscos, acreditar no seu ideal e na sua missão”. Com autoconfiança e determinação nós podemos fazer tudo.

Hoje, atuando como Agile Coach da tribo de Marketplace, trabalho para elevar a performance de 6 Squads e quase 50 pessoas, em um dos temas de maior relevância estratégica para o Magazine Luiza.

Aqui, nós temos total autonomia para fazer o nosso trabalho, para propor sugestões, para experimentar e inovar. E isto vale para qualquer nível, em qualquer papel ou posição. O nosso lema é liberdade com responsabilidade.

Além disso, temos inúmeros fóruns para troca de conhecimento sejam eles: técnicos, de negócio e quaisquer outros temas aleatórios que alguém esteja disposto a compartilhar. Temos um ambiente aberto, livre de hierarquias rígidas e apoiamos causas que visam o empoderamento das mulheres e de outras minorias.

Atualmente, o quadro de mulheres em Tecnologia aqui do Labs está em torno de 17,4%. Ainda muito longe do que gostaríamos.

Aqui no Magalu, nós temos consciência da riqueza que a diversidade traz. Comprovadamente empresas ao redor do mundo são mais criativas e lucrativas quando tem a diversidade no seu DNA.

Nós mulheres, somos respeitadas e ouvidas. Na vanguarda, Luiza Helena levanta todos os dias a bandeira da igualdade, no contexto do nosso país, que ainda vive uma das sociedades mais machistas (90௦ lugar no ranking mundial), distante da realidade de países que são referência em igualdade de gênero como a Islândia e a Noruega (1௦ e 2௦ lugares respectivamente).

É inspirador trabalhar sob uma liderança que têm ações genuínas e voltadas à tais temas, que vão desde o apoio às funcionárias que são vítimas de violência pelos seus parceiros, ao empoderamento das mulheres na empresa, na política e na sociedade com um todo.

Também temos um projeto muito especial aqui no Labs, de participação voluntária, cujo tema é a diversidade e umas das principais ações é aumentar o nosso quadro de desenvolvedoras, entre outros papéis.

Por enquanto, eu sou a única mulher dentre outros 14 Agile Coaches. Mas felizmente isto está mudando, e já estamos trazendo mais 2 mulheres para compor o nosso Chapter. \o/

E nós queremos muito mais mulheres por aqui. Queremos mais negros, mais LGBTs, queremos diversidade! Nós acreditamos nas diferenças e na força do conhecimento coletivo.

Como se faz para trabalhar aqui? É só acessar o link: https://www.99jobs.com/luizalabs/jobs

Fontes:

https://g1.globo.com/economia/noticia/brasil-cai-para-a-90-posicao-em-ranking-de-igualdade-entre-homens-e-mulheres.ghtml

https://www.saraiva.com.br/mulheres-que-abrem-passagem-467129.html