Um companheiro de turma muito especial

Juliana leva o filho para a faculdade


“Você se multiplica quando passa a ser mãe. A gente ganha mesmo ‘superpoderes’”.

Juliana Modesto, 30, aluna do curso de Jornalismo


Brasiliense, a acadêmica de Jornalismo Juliana Modesto, 30, já é uma mãe experiente. Aos 19 anos, teve sua primeira filha, Ana Júlia. Três anos depois, foi a vez de Mariana chegar. No ano passado, ela teve um novo presente: Alexandre, que hoje a acompanha diariamente nas aulas. Com a mãe e a sogra morando em São Paulo e o marido trabalhando como professor à noite, ela acabou decidindo levar o seu pequeno para a sala de aula em vez de desistir de estudar.

“Eu esperei minhas filhas crescerem para voltar para a universidade. No terceiro período, descobri que estava grávida de novo, mas decidi que iria até o final”, diz. Hoje, Alexandre — também conhecido pelos professores e colegas como “Alê” ou “neném”, como ela o chama — já é parte da turma. “No começo ele dormia, às vezes ele prestava atenção. Até que algumas professoras brincavam ‘ele gosta da minha aula’. Ele gosta de todo mundo! Acabou virando o ‘mascote’ da turma”, diz, achando graça.

Além do apoio dos colegas de sala, Juliana é grata pela compreensão dos professores, que sempre reagiram bem à presença do pequeno, que se comporta bem quase sempre. “Quando a turma fica mais agitada ele naturalmente fica também. Agora que está andando, dá um pouco de trabalho às vezes, mas se comporta muito bem. Já está acostumado”, defende. O costume de Alexandre não é de se estranhar, inclusive. Levado desde os primeiros meses de vida para a universidade por conta da amamentação, ele já se integrou ao ambiente.

Ana Júlia, 10, e Mariana, 7, também acompanham a mãe quando é preciso. Já maiores, elas dizem gostar da universidade. “Ah, a Ana Júlia diz que vai ser jornalista e voltar para São Paulo quando crescer e a Mariana gosta também”. Juliana entende o desejo que a filha mais velha tem de retornar para a cidade onde nasceu, afinal “é onde as avós delas moram. Quando vão para lá é só paparico. Elas não tem a mesma imagem da cidade que a gente tem”.

Além da rotina de mãe, esposa e de estudante, Juliana ainda trabalha como estagiária durante a tarde e redatora em uma revista. Quando precisa sair direto do trabalho para a faculdade para só depois voltar para casa, depois das 22 horas, diz que entende o porquê ser mãe é tão bom: “chego cansada, mas sempre sou bem recebida em casa. Todo dia eu tenho algo para me fazer dormir feliz, sabendo que tudo está valendo a pena”. Estudar é outra questão que exige esforço. “Leituras eu até consigo fazer durante o dia, mas escrever somente durante a madrugada, quando eles estão dormindo”, lembra.

Com uma década de experiência, ela reflete sobre como sua visão de mundo mudou. O jeito de ver a mãe é outro hoje em dia. Estão mais próximas, garante. A utilização do tempo é outra hoje em dia também. “Muita gente fala que a gente se divide, mas acho que você se multiplica quando passa a ser mãe. O dia continua tendo 24 horas, mas você faz muito mais. Acho que a gente ganha mesmo ‘superpoderes’”, brinca.

Atualmente no quinto período de Jornalismo e a todo vapor, Juliana diz que três filhos já são o suficiente e que pretende se esforçar ao máximo para educá-los. Lembra também que não faria nada diferente se pudesse. Ainda bem! Como ficariam as aulas do Câmpus V sem a energia boa do Alê?

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