Olá Mahadeva, muito interessante mesmo tudo o que você escreveu.
Lucas Pacheco Ostjen
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Aprofundando na desistência de “querer ser alguém”

Muito bom ver sua posição.

Sabe que quando finalizei o texto original, eu não havia incluído o pequeno texto que fala sobre o absoluto. Afinal, é uma síntese de tudo o que está escrito acima.

Tive um pouco de resistência em incluí-lo pois imaginei que poderia gerar ruído em uma linha de pensamento que estava bem construída. Porém, senti a força dessa síntese e resolvi incluí-la.

Digo a você que essa síntese pode ser vista e percebida através de vários planos. Eu poderia escrever todo um texto para mergulhar nas possíveis percepções. Talvez eu faça um dia. :-)

Um dos pontos de percepção é o que você apresenta. Se nos “enxergamos” como seres individualizados que precisam de evolução para acessar essa origem, você está correto. Como posso ser o absoluto, se estou limitado ao que acredito que sou, com princípio, meio e fim. Coisa de maluco pensar que sou o absoluto. Certo?

Como posso ser o absoluto se ainda vejo um caminho enorme para reconhecer o absoluto?

Agora, quando criamos um distanciamento entre a nossa consciência e a nossa mente, aí nasce toda uma nova percepção. Percebemos que o caminho não existe. Um bom exercício para isso é se fazer a pergunta existente no texto:

“Quem sou eu além dos títulos, além dos papéis que tenho, além de minhas posses, além dos meus relacionamentos?”

E agora aprofunde:

“Quem sou eu além dos meus pensamentos, sentimentos e memórias? Quem sou eu?”

Aprofunde um pouco mais:

“Quem faz as perguntas? Observe aquele que faz as perguntas. E perceba… Quem sou eu?”

Esse exercício pode trazer um grande incomodo, ou iniciar a percepção de que existe uma essência em meu ser. Algo que é imutável e que sempre existiu.

Essa percepção é a chamada “Morte antes da Morte”. Morro em EGO para viver em Consciência Pura. Essa afirmação não é minha. Ela foi dita de diversas maneiras em toda a história, por grandes Mestres. Também não é algo que possa ser medido, raciocinado ou testado. É uma percepção que só pode ser compreendida através de um aprofundamento interno, nunca externo.

- Ahh… Isso é Misticismo…

- Sim, é…

Não existe nada na ciência que prove isso. Não é palpável. Nem nunca será palpável. Tudo o que é palpável faz parte da dualidade.

Acho importante compreender a origem da palavra Universo. “Uno” e “Verso” são dois aspectos da mesma coisa. A unidade (Uno) e sua multiplicidade (Verso). Ambas são verdadeiras.

Encontrei um texto do querido Huberto Rohden que pode te ajudar a visualizar:

“A Realidade é Una, que se revela sempre como dualidade, como causa e efeito, como Uno e Verso, como Ser e Existir. E dessa bipolaridade complementar nascem todas as pluralidades – assim como da Luz Incolor nascem todas as cores. A trindade do prisma triangular revela em pluralidade a unidade da luz única. Os nossos sentidos percebem apenas sete cores das infinitas que a Luz Incolor produz através da trindade do prisma.”

E para complementar, vou te apresentar um Mantra muito poderoso, que sintetiza uma sabedoria vasta. Medite nisso por alguns meses. É muito profundo. Isso poderá trazer uma nova percepção a você. Se conseguir meditar e se aprofundar nisso, escreva novamente após alguns meses. Será um prazer ouvi-lo.

Isha Upanishad começa com esse Mantra:

Purnamadah Purnamidam
Purnat Purnamudachyate
Purnasya Purnamadaya
Purnameva Vashishyat

Dentre várias traduções existentes, eu gosto dessa que adaptei:

“Isto é o todo, aquilo é o todo. Do todo, o todo passa a se manifestar. Quando o todo é retirado ou adicionado ao todo, mesmo assim, o que permanece ainda é o todo.”

Bom, isso pode parecer maluquice à primeira vista, principalmente se utilizarmos apenas o intelecto. Porém não é assim que funciona.

Vamos fazer uma abstração pensando no fogo, que pode fazer mais sentido para a mente pensante:

“Isto é o fogo, aquilo é o fogo. Do fogo, o fogo passa a se manifestar. Quando o fogo é retirado ou adicionado ao fogo, mesmo assim, o que permanece ainda é o fogo.”

Se quiser se aprofundar, pesquise sobre esse mantra, veja avaliações e traduções. Depois, esqueça tudo o que viu e medite apenas no Mantra em si, no som, e depois silencie. Aos poucos uma nova percepção vai surgir.

Grande abraço

Om ॐ

Mahadeva

16/02/16


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