O nosso poder de transformação

e a importância da Não-Violência (ahimsa)

De relance, podemos enxergar a Não-Violência como uma forma passiva de enxergar a realidade, ou como sinal de fragilidade, mas ao compreendê-la mais profundamente, entendemos que ela se refere a algo muito maior e além disto.

Agir e viver a partir da consciência da Não-Violência é um convite desafiador e profundo, mas que nos permite resgatar, pouco a pouco, a nossa capacidade de transformar a realidade que nos permeia. A Não-Violência é certamente uma convocação à integração dos nossos valores à nossa vida e ao aprofundamento da nossa busca — individual e coletiva — por formas de Ser que sirvam mais plenamente à vida e a todos nós.

O oposto de Não-Violência não é a violência, mas a submissão ao medo. — Gandhi.

Essa frase por si só revela significados grandiosos para mim e me incentiva a enxergar a Não-Violência como um estímulo firme e consistente ao amor que age e que transforma, ao invés da submissão do nosso próprio poder ao medo.

Este convite, tão necessário neste momento em que a violência, a separação e o próprio medo estão tão presentes, nos permite redescobrir a força vital de transformação que temos sobre os três níveis que regem as relações humanas —o intrapessoal, o interpessoal e o sistêmico/coletivo.

Além de qualquer crença limitante: a Não-Violência é um convite à integração e à coerência entre aquilo que profundamente acreditamos, ao que o outro acredita e ao que todos nós acreditamos. Ou seja, agir não-violentamente, nos mobiliza na direção daquilo que efetivamente serve e contribui para o desenvolvimento da vida — da minha, da sua e da nossa.

Tudo começa ‘dentro’, por isso, o autoconhecimento

É importante reconhecer que as nossas escolhas começam a se expressar no nível intrapessoal de relação — ou seja, dentro de nós — e que todas elas contribuem para que nos tornemos cada vez mais o que acreditamos ser e que, aos poucos, nossas vidas também se tornem consequências diretas disto.

A Não-Violência precisa encontrar terreno fértil dentro de nós para aprofundar sua expressão nas nossas relações

Reconhecer que temos a escolha de acolher ou negar nossas dores e medos, de dar voz ao nosso coração ou apenas para tudo aquilo que aprendemos e que coletivamente/culturalmente acreditamos, por exemplo, faz parte do processo de retomarmos o poder que temos.

Por isso, então, se faz importante perceber como somos habituados a recriar as atmosferas de violência e de ódio que experimentamos no mundo exterior.

Se quisermos compartilhar a vida em espaços pacíficos, que sirvam para nos potencializar, que aprofundem nossos vínculos e que nos ensinem mais sobre quem somos, precisamos tomar para nós a escolha de identificar aquilo que nos distancia e nos impede de Ser.

Nosso poder e os três níveis de relação

Somos todos interconectados e interdependentes.

Para nos inspirar a seguir firmes e juntos, compartilho essas três frases de grandes lideranças humanas que ilustram o tom dos convites que 2017 nos prepara, nos três níveis que regem as relações humanas*:

  • Intrapessoal:
Ser autêntico significa ser fiel a si próprio. É um fenômeno muitíssimo perigoso; são raras as pessoas que o fazem. Mas sempre que as pessoas o fazem, elas conseguem. Elas conseguem uma beleza tal, uma graça tal, um contentamento tal que não pode ser imaginado. Osho
  • Interpessoal:
“O amor desperto é um fluxo contínuo de compaixão; é quando podemos nos colocar no lugar do outro e sentir a dor dele; quando reconhecemos o potencial adormecido no outro e damos força para esse potencial se manifestar. É uma vontade sincera de ver o outro brilhar; de ver o outro feliz e satisfeito. É isso que eu chamo de ‘autêntico altruísmo’. A principal característica do amor desperto é a doação desinteressada. Assim como a flor espalha seu perfume e sua beleza gratuitamente; assim como o sol espalha o seu calor e a sua luz; assim como a chuva molha a terra, e a água mata a sede, a essência do ser humano ama.” Sri Prem Baba
  • Sistêmico/Coletivo:
“Existem muitas razões para sermos esperançosos. Temos potenciais e soluções para muitos dos problemas que enfrentamos; novos mecanismos de fiálogos precisam ser criados, junto com sistemas educacionais que inspirem valores morais. Estas transformações devem ser enraizadas através da perspectiva de que todos pertencemos a uma única família humana e que juntos podemos agir para cuidar de desafios globais.” Dalai Lama
  • É importante lembrar que este conceito dos 3 níveis não retrata exatamente a realidade, mas que, como instrumento, pode facilitar e potencializar a nossa compreensão.

Marcelo Justo — 
marcelo@prove.vc

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