Basic Income Startup, Microfinanças e muitas outras coisas

Parte I

Não tenha medo de um Basic Income Bank, não estamos falando da velha economia, mas de bancos de economia solidária e seguridade social que vão muito além dos microcréditos ou sistemas de assistência governamental. Estamos falando de novas políticas públicas e sociais independentes e voltadas para a escala humana. Estamos falando de uma verdadeira micro Basic Income, no universo da microfinanças e economia compartilhada P2P.

Crowdfunding, será que vamos conseguir?

“Não. Não. Não!!! Haja paciência. Vocês estão tentando arrecadar dinheiro para começar de novo um projeto de Renda Básica? Como gente pobre e ignorante é teimosa: quando é que vocês vão aprender que o lugar de vocês é voltar para o lugar de onde nunca deveriam ter saído?”

Não se preocupe estamos acostumados. De onde eu venho falar da renda básica é como falar com paredes. E praticá-la então é um verdadeiro treino de Diógenes: mendigar para estátuas para apreender a falar com quem finge que não te ouve e nem te vê.

Pode ser que não consigamos o dinheiro. Sem problemas, isso já virou parte da nossa profissão. Não duvido inclusive que fiquemos mais uma vez na hora H sozinhos, só com os verdadeiros apoiadores da Renda Básica e amigos do nosso lado. Mas um aviso aos inimigos: desta vez o projeto não pára… nem matando. O modelo já está montado e voando de novo. E garanto que o custo político de derrubar ou sufocar de novo este projeto é infinitamente ainda maior que os benefícios de acabar com ele ou conosco. Já era.

Com certeza será mais do que uma pena se não conseguirmos crescer tão rápido quanto a demanda, quanto as pessoas precisam, mas isso não quer dizer que o projeto vai acabar. E uma coisa especialmente agora, eu tenho certeza, dando os créditos ou não, a ideia das experiências vão se espalhar de novo e ainda mais, e desta vez do jeito certo, pela força da livre iniciativa das pessoas. Me cobrem se estiver errado, até porque não estou fazendo uma previsão de futuro, mas trabalhando para fazer acontecer.

Roll Over Descartes: Eu não o penso, logo existo. Eu faço, não me calo e persisto, e ainda por cima, insisto. Gostem ou não vou continuar falando e fazendo o que eu penso, e pensando e falando sobre tudo o que eu faço. E vice-versa, mais uma vez, tudo de novo.

Vou continuar falando e fazendo o que eu penso e pensando e falando sobre tudo o que eu faço. E vice-versa, mais uma vez, tudo de novo.

É nóis. E se tiver que marcar o gol sem sapato e correr para arquibancada para bater palmas sozinho, para mim mesmo, não se engane eu não vou ter nenhuma vergonha de fazer. Não tenho vergonha de pedir para quem precisa, nem fazer o que posso com o que eu tenho, vergonha eu tenho pelas pessoas que morrem de fome debaixo do meu nariz enquanto minha bunda fica bem gorda sentada numa cadeira e minha cara fica bem bonita na foto.

Peço perdão a quem não entende nada tamanha defensividade. Por favor, não confunda minha necessidade de autoafirmação com prepotência ou frustração, você não sabe, mas é bom saber: estamos numa batalha não apenas para manter nossas realizações ou retomar o futuro, mas para não sermos apagados até mesmo do presente. Nós, e todas as pessoas que 10 euros faz a diferença, enquanto Bilhões são queimados para sustentar corrupção e poder.

Até isso tivemos que aprender, com a morte e ressurreição do projeto. Não é só os meios vitais e a Renda Básica que são subtraídos de quem não tem nada, é até mesmo o reconhecimento do que é de direito, dos meios que nós mesmo criamos, os únicos que temos e teremos para escapar de nossas armadilhas políticas e econômicas nos são reiteradamente negados.

Basic Income Startup é um projeto pequeno mas que sonha alto, ou não podemos?

Sabemos o quanto uma ideia se expande especialmente quando ela se torna a realidade de alguém. E é por isso mesmo que estamos fazendo tudo de novo.

Quando pedimos doações e divulgação não estamos pedindo reconhecimento ou dinheiro para nós, ou para o que fizemos, mas para que possamos continuar literalmente existindo e fazendo- e compartilhando de graça -todo o conhecimento que adquirimos e produzimos com quem quer ou precisa, dentro e fora do Brasil. Queremos é mais que as pessoas copiem nosso trabalho e o adaptem às necessidades de cada pessoa e lugar!

Em resumo, copiem tudo o que quiserem. É de graça. Estamos pedindo contribuições e divulgação, mas não precisa dar nada. Podem ficar com o que quiserem, não precisam nem dar crédito, se quiserem podem inclusive fingir que a gente não existe, não vamos criar caso. Já estamos acostumados. Não sei se o que não mata, fortalece, mas que deixa o bicho mais resistente deixa.

Mas por favor, se você quiser realmente nos ajudar, não precisa nem doar dinheiro, só pedimos que não contribuam com nossos inimigos, não finjam que não existimos. Afinal também quem é ignorado, não deixa de existir, mas está vulnerável tanto a ser morto quanto ter sua memória apagada. Então, só para lembrar que por trás do modelo de Basic Income Startup, não exista apenas uma idéia inovadora, ou um sonho de futuro, mas um projeto social que lida com a vida de pessoas. Permita-me:

Olá, prazer. Meu nome é Quatinga Velho e eu pago 10 euros para não mais 14 pessoas da qual sou feita, de nomes. Éramos 100, poucos ainda, mas não tivemos condição de nos manter. E morri. Hoje lentamente renasço para algumas pessoas e pretendo atingir outras.

E isto posto chega de recados, apelação e choradeira. E vamos ao que interessa:

COMO FUNCIONA UMA BASIC INCOME STARTUP?

Talvez a melhor forma de explicar como funciona o novo modelo de Quatinga Velho seja descrevendo-o passa-a-posso. Descrevendo como o processo de retomada do projeto foi efetuado, sem me preocupar com os porquês ou para quês. Me preocupando exclusivamente em pontuar como tudo foi feito sem precisar contar uma historinha para cada coisa.

Sei que isso não daria um caminho seguro de como repetir os mesmos passos, porque no caso eles não estão sendo dados como uma rota propriamente segura, e mesmo com mapas não adianta seguir instruções para chegar a nenhum lugar novo, mas sem dúvidas apresentar o projeto como se fosse uma receita de bolo talvez é a forma mais didática de entender o projeto, como se fosse só um processo ou um sistema fechado.

E vou fazê-la neste texto, mas com uma advertência. Esse nível de redução e simplificação de uma atividade não só não mostra toda suas possibilidades, como esconde suas falhas, mantendo o projeto na segurança das críticas superficiais.

Sei que muitas pessoas podem confundir as descrições das razões de um projeto, com mero discurso. Não é.

O discurso, seja ele feito das meras declarações de intenções ou proposições que não se remetem a ato nenhum, não são completamente vazios, mas o discurso que acompanha a ação não é parte inseparável do sentido do ato, e não pode ser separado dele, não pode ser reduzido a mera proposição de idéias. Porque não é. E apresentá-lo desta forma é, não só destituí-lo do seu valor, mas induzir o leitor de boa vontade ao erro, pensando que a reprodução de meros métodos e processos reduzidos ao grau da teoricidade resultarão no mesmo impacto da ação repletas de co-significação com a sua realidade e uma prática humanizada da produção não apenas do social, mas deste conhecimento.

O verbo, meu amigo, sem o ato é vazio, e a negação do discurso que referencia a ação é um processo de anulação dos sentido do ato e do discurso, quase tão perverso quanto os discursos que se impõem sem nenhuma preocupação em se remeter ou tornar um ato. É desintegrador dos sentidos, das pessoas e seus movimentos de base e cooperação. É por isso que os discursos sobre o método jamais deveria estar separado do método. Sem a devida consideração não apenas sobre as razões e finalidades alheias, mas sobretudo sobre as próprias, não são só as palavras que perdem o sentido, são os projetos e ações futuras que perdem a conexão com o ideal.

Descrever portanto a Renda Básica como se fosse algo simples de se implementar na prática, depois de ter vivenciado sua luta, seria no mínimo uma leviandade. Na prática a teoria é sempre outra. E a desconsideração pelos princípios e fins, pode levar pessoas diferentes usando exatamente os mesmos meios, instrumentos e ingredientes, a dados idênticos, mas resultados completamente diferentes.

Descrever nossa ação assim como se fosse uma receita de bolo pode parecer muito útil para quem quer conhecer ou até replicar o modelo, mas não para desenvolver novos. Receitas de bolos são inúteis para quem quer seguir o mesmo caminho e até adaptá-lo às suas necessidades, mas não para quem quer criar seu próprio projeto. Quem quiser não precisa ter medo não, a gente é pobre mas é limpinho e não morde, e ainda por cima como todo pobre continua pobre porque dá tudo de graça, é só pedir que a gente compartilha.

Essa inclusive foi uma das preocupações durante nossas últimas palestras na Europa. Prover informação sem o clássico complexo de inferioridade ou o falseado e mascaramento dos ufanistas. Prover dados inclusive com todos nossos percalços e falhas em aberto, justamente para quem quiser desenvolver projetos ainda melhores. Inclusive nos colocamos a disposição de contribuir com tudo o que pudéssemos com nossos amigos de Berlim, Lisboa, Maastrich. Por isso digo abertamente a todos os demais: qualquer dúvida ou pergunta por favor nos mandem direta e abertamente no Facebook ou Twitter, ou aqui mesmo no Medium suas perguntas por escrito para que possamos responder em aberto e possamos ajudar também os outros interessados.

Renda Básica não é simplesmente distribuir dinheiro, ou melhor até é, para quem quiser doar para nós. Para quem quiser desenvolver seus próprios projetos repito, estamos sempre abertos para ajudar, especialmente no que se refere a informação ou conhecimento. Esclarecê-lo é por sinal nossa obrigação institucional. E a fazemos pessoalmente de bom grado como tantas pessoas que também nos ajudaram não só trocando ideias, mas inclusive compartilhando gratuitamente também seu conhecimento. Aliás, vale a deixa: tenho lido e recomendo os livros do Prof. Antonio Pedro Dores (professor e investigador agregado em sociologia no ISCTE — Instituto Universitário de Lisboa, especialista em sociologia das prisões e da violência), uma das pessoas com que mais aprendi nesta viagem e que junto com tantos outros amigos nos encheram de força para retomar a luta, e recomendo sua “Trilogia Estados de Espírito e Poder (Espírito Proibir, Espírito de Submissão e Espírito Marginal)”.

Enfim, não quero induzir ninguém ao erro. Jamais seremos capazes de prover toda a informação necessária em tempo real de um projeto que não é um BigBrother mas uma realidade construída em ato contínuo e tempo real. A receita é, portanto mais uma forma de dar informação a quem quer ajudar o projeto e ainda não entendeu como, informação portanto aos doadores e parceiros. Aos novos empreendedores e projetos, estendemos humildade pública e voluntariamente a nossa mão.
Em outras palavras, o uso para replicação em projetos é perfeitamente possível mas não é recomendado, podemos dar mais e vocês podem fazer melhor. Repito, estamos abertos a dar de graça ainda mais. Portanto não seja tímido ou orgulhoso, se você quiser saber alguma coisa não perca tempo, simplesmente pergunte e peça o que quer. Te garanto que já é um hábito nosso a dar o que nos pedem sem pedir nada em troca.

continua…

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