Como vencer qualquer jogo de tabuleiro como, por exemplo, o jogo do Monstro Hobbesiano

Do Tao da Programação:

Certo dia, um Mestre Programador cruzou com um programador novato.

O Mestre notou a preocupação do novato com um videogame portátil.

“Com licença”, ele disse, “posso examiná-lo?”

O novato tornou-se subitamente atento e deu o dispositivo para o Mestre. O Mestre disse: “Eu vejo que o dispositivo diz ter três níveis de dificuldade: Fácil, Médio e Difícil. Porém, todos os dispositivos deste tipo tem um nível de dificuldade adicional, onde o dispositivo não busca nem ser conquistado, e nem conquistar o jogador humano.”

“Por favor, Mestre,” implorou o novato, “como alguém poderia encontrar este nível misterioso?”

O Mestre deixou o dispositivo cair no chão e o fez em pedaços, esmagando-o com o seu calcanhar. Subitamente, o novato iluminou-se.


O “Estado” não existe porquê nós não existimos como indivíduos mortais. Somos uma rede eterna de consciência. O que “morre” (ondula) são as formas que expressam esta consciência, esta vida, este substrato eterno e indestrutível de possibilidade. Sempre haverão formas, sempre haverão vários “nós”, “eus”, pois eles não só dão vazão à criação eterna como são produto desta criação eterna.

O indivíduo “mortal”, que tem medo da morte, é uma ilusão impressa nas formas de ocorrência eterna que dão voz à criação eterna. Esta ilusão impressa no indivíduo não é causada pelo Estado; ela é o Estado. O Estado é uma expressão do medo da morte e do sofrimento; o Estado é causa e sintoma do medo, ele gera a si mesmo. E como todo medo, ele sufoca, mata a vida, tentando protegê-la de um medo onipresente, difuso, mas completamente paranóico, imaginário.

O Estado parece ter tentáculos em tudo porquê olhamos vários fenômenos desconexos e os associamos sob um mesmo símbolo, que é o medo da morte, do sofrimento — e portanto o medo da própria vida. Os agentes deste medo — um medo simples e elementar — reconhecem-se uns aos outros e naturalmente enxergam-se em uma “rede”, em uma colaboração, da mesma maneira que suas “vítimas” os enxergam como parte de um mesmo “Sistema”, de uma mesma “Matrix”.

O Estado é um jogo, uma neurose coletiva e bastante popular, mas também muito simples, apesar de escondida sob muitas camadas, e que se apresenta com muitos nomes e apelidos diferentes.

Veja o Estado como um medo, e seus proponentes e defensores como doentes mentais, como pessoas presas em um medo ilusório, que precisam de ajuda psicológica. Por que é isso mesmo.

E nós? Somos eternos e nos sabemos eternos, e porquê. Daí não reproduzimos o Estado em nós — ele não existe em nós. O terapeuta conhece a doença, mas não sofre dela. A pessoa livre do Estado conhece o Estado como uma estória, um objeto, e pode tratar esta doença, manipular os seus símbolos mentalmente sem que eles se alojem na sua rede principal de associações, como um dado para consulta e não como uma instrução operativa.

O ser livre e saudável o é mesmo quando é o único ser são e saudável em uma sociedade de bilhões outros que não o são.

Aí fica claro ver que o jogo foi vencido. Ele é virtual não porque é meramente arbitrário, mas porquê não o reproduzimos internamente, porquê estamos livres do seu medo matriz, do seu medo gerador.

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