DIÁRIO DE BORDO: BASIC INCOME TRIP

Sendo este meu primeiro post, quero me apresentar e dizer as razões o porque deste blog.

Atualmente estou em Tour pela Europa junto com o Marcus, meu marido e companheiro de todas as horas, e nossos 2 filhos. Fundamos o Instituto ReCivitas em 2006 e trabalhamos com a Renda Básica Garantida desde 2008, fazendo o pagamento de uma renda incondicional na comunidade de Quatinga Velho (2008–2014).

Trabalhamos para a garantia do minimo vital e para a Democracia Direta. Para saber mais você poder ir direto aqui.

O que quero fazer neste blog é mostrar um pouco do nosso dia a dia, relatar alguns fatos importantes, novidades, curiosidades.

Não vou ficar fazendo grandes discursos filosóficos, mas eu sendo brasileira, nascida e criada em São Paulo, uma das maiores e mais caras metrópoles do mundo e, o Brasil, uma das maiores economias do mundo, e que no momento está passando por transformações e crises politicas institucionais e financeiras profundas, não ha como não ter olhar crítico no mundo ao meu redor.

Adoro fotografia, mas simplesmente não consigo tirá-las muitas vezes como simples turista, meu olhar sobre as coisas não é mais o mesmo desde de 2008 quando tive a oportunidade única de realizar este projeto desde a idealização, captação de recurso, divulgação e principalmente a parte mais enriquecedora, a prática. O trabalho de campo, a vida real, conhecer cada pessoa de Quatinga Velho e um pouco de suas histórias, participar de problemas e soluções. Tão transformador e libertador na vida das pessoas de Quatinga Velho (isso tenho certeza), mas sobretudo na minha maneira de ver o mundo. Definitivamente não sou a mesma, isso deve-se a todos estes anos de trabalho.

Diário de bordo

Fomos convidados a participar de uma Conferencia em Dornach em Outubro, e durante os preparativos da viagem, recebemos um outro convite da uma iniciativa da Renda Básica na Suécia para uma série de encontros no mes de Março de 2016. Então pensamos, porque não ficar direto? E se as iniciativas quiserem que a gente faça palestras e workshops sobre o projeto, planejando outros projetos-piloto e divulgando o II Congresso para Democracia Direta Digital que será realizado na Argentina em Maio 2016, então ficamos!

Estamos com a agenda lotada de trabalho, e em cada semana estamos em uma cidade diferente. Esta é a primeira viagem que estamos com as crianças, o ritmo pode ser um pouco diferente mas está dando tudo muito certo e para eles está sendo um incrível aprendizado, o que me deixa também muito feliz como mãe por poder proporcionar esta experiência para eles.

A VIAGEM

12–19 Outubro de 2015

Chegamos a Dornach, Suiça, onde fomos convidados a participar do Social Initiative Forum Networking Conference no Goetheanum. Um encontro repleto de pessoas com projetos diferentes do mundo todo. Uma imersão de 4 dias intensos onde pudemos conhecer um pouco mais sobre outras organizações e pessoas que dedicam suas vidas ao outro. Foram momentos fortes, com direito a choro e música, festa e reflexão. Certamente sairá bons frutos deste encontro. Um muito obrigado ao nosso amigo Eric Hurner que abriu sua casa para que pudesse-mos ficar ali durante uma semana. Conhecemos Ute Cramer que é um dos maiores exemplos de trabalho social no Brasil e o qual terei o prazer de trabalhar junto para uma Conferencia Brasil-Africa em 2017.

Lorrach 19–26 Outubro de 2015

Nossa primeira parada, com Uschi Bauer parceira desde o início que promoveu a apresentação em Nellie Nashorn. Discussão calorosa por 2h sobre Renda Básica e Democracia Direta. Foi muito bom colocar o assunto em dia com a Uschi que também proporcionou uma experiencia inesquecivel aos meus filhos, fomos visitar um castelo e as crianças ficaram simplesmente encantadas.

Fizemos também visita a ativista-mãe Lilli Klein e também pudemos conversar mais sobre todos estes anos de Quatinga, projetos futuros.

Encontramos com Enno Schmidt, co-responsavel pela iniciativa na Suiça, que nos levou a Berna para uma reunião da iniciativa. Marcus ficou na reunião e eu fui conhecer um pouco da cidade, UAU! Não sei o que dizer de tão linda, cheia de detalhes. Ao chegar numa praça central estava tendo festa do queijo, eu e as crianças nos acabamos nos queijos, degustação grátis! Depois outro parquinho mágico para as crianças.

Próxima parada, Paris!

27 Outubro — 09 Novembro

Voltamos a Paris depois de 3 anos, e hoje vemos que o movimento se espalhou em diversas cidades e se chama Movimento Frances por uma Renda Básica — MFRB.

Fomos então para a casa de Nicole Teke, coordenadora internacional do MFRB que nos contatou, e que organizou 2 apresentações muito interessantes, e depois na casa de Pierre Simon e Dominique em Bourg la Reine. Primeiro debate com a Isabelle Attard, députée du Calvados, e Jean-Erci Hyafil, no CCFD Terre-Solidaire.

O evento, com tradução simultânea de Guy Valette e Nicole Teke foi filmado, e vocês podem ler aqui o discurso realizado.

Na reunião seguinte, participaram mais organizações de base, que trabalhavam com desenvolvimento local.

Marcus foi também a Bordeaux onde, dia 8 de Novembro a convite de Damien Vasse, fez apresentação na Université Populaire de Bordeaux. Conheceu também o jornal L’Inconditionnel sobre a Renda Básica.

Enquanto Marcus estava em Bordeaux, eu fiquei na casa de Pierre que me contou um pouco mais sobre seu projeto, o Dignity Benefit, vale a pena dar uma olhada no site.

Aproveitei e fui conhecer alguns parquinhos para crianças ao redor de sua casa, pois diga-se de passagem em Paris nós encontramos muitos, em vários lugares. Uma coisa me chamou a atenção, por esta parte ser exclusiva de crianças pequenas havia 2 portões para entrar, e nele havia os botões altos para que nenhuma criança pudesse fugir dali. Para você que mora na europa pode ser meio comum, mas acreite, para mim vindo de São Paulo é impensável. Brinquedos inteiros, chão especial anti-queda, local para pic-nic sendo utilizado por estudantes na hora do almoço e este portão. Sim, eu fiquei meio chocada pois quem mora no Brasil sabe o estado em que se encontra nossas praças e parques. Não adianta colocar o Ibirapuera como referencia porque ele é para turista ver e fazer os paulistanos acharem que estão no Central Parque, há muitos outros Brasis dentro de São Paulo. Não, Bourg la Reine não é centro, não é turistico, e funciona assim.

Seguimos de trem para o próximo post…