Uma proposta gringa para a realização da Renda Básica Governamental

Ou o que responderia a Tusk: se acreditasse que a vontade política não é utopia

E eu peço para Tusk propor com a mesma seriedade o seguinte para seus pares:

Peguem uma parte das ações que os governos de seus países possuem em empresas multinacionais e com base nos lucros da exploração dos recursos naturais e humanos constituam um fundo destinado exclusivamente a pagar a Renda Básica incondicional diretamente aos habitantes dos territórios em que estão presentes.

E NÃO. Não entreguem um centavo aos governos corruptos e repressores destes países para que eles comprem mais armas que, você sabe, ao contrário de comida e da água, não brotam do chão ou caem do céu.

Paguem o que devem pelo uso da terra diretamente a seus legítimos donos naturais e não aos atravessadores e feitores postos no lugar para traficar gente e riquezas naturais. Mas isso você também sabe, não?

Você sabe, não sabe, que o bem comum que falta à essas pessoas é o mesmo capital que se compra e vende nesse mercado nada livre e nada democrático?

Repito então para que não haja dúvidas:

Peguem ações de empresas privadas que exploram riquezas naturais que pertencem aos seus governos e as doem a população em razão suficiente para que ninguém morra de fome ou viva sem liberdade e dignidade. Façam elas sócias da terra que nasceram e habitam e você, restitua a participação na propriedade aos verdadeiros donos do seus território, e milagre! você verá que ninguém gosta tanto assim de abandonar o lugar que vive para implorar por um lugar ao Sol em suas fronteiras, meu irmão.

Ora, mas vejam que feliz coincidência: não é que essa ideia também cabe para ajudar as pessoas e povos nacionais marginalizados e excluídos neste processo atual de precarização dos direitos?

Pois então , aproveite e siga o mesmo princípio para todas as posses estatais das riquezas nacionais, siga simplesmente o lema: Socializem seus Estados! E parem de redistribuir prejuízos e devolvam o bem comum aos povos.

Desestatizem o bem comum e socializem seus Estados!

Garantam a renda básica devolvendo a propriedade hoje estatizada como participação cidadã no rendimentos do seu território. Veja não estou pedindo por uma tragédia dos comuns; não estou pedindo para que se permita o uso indiscriminado ou a liberação da apropriação primitiva e violenta, mas justamente o contrário: que se preserve os meio ambiente e se distribua tão somente os meios vitais. Preserve-se o capital natural e se distribuía tão somente seu rendimento produtivo como dividendos sociais, e com ambos se cumpra a responsabilidade social da garantia universal da vida e liberdade de fato com dignidade.

Que ridículo não? Que proposta sem a menor noção de realidade! Quando (e porque?) os donos do poder político e econômico abririam mão do que dominam? Se você levasse uma ideia dessas sem que fosse para salvar seus pescoços seria tomado por um completo idiota, não é? E porque então que você acha que não continuando passando quando faz esse tipo de pedido?

Pegue seu mesmo senso de ridículo, e vá até os verdadeiros campos de concentração, extermínio de onde os escravos marcham para escapar de uma vida sem nenhuma chance ou perspectiva e agora de corpo presente faça de novo a sua mesma proposta absurda.

Você verá que, o que você pede se traduz no seguinte: continue me dando tudo o que você tem e eu quero, e se for morrer, faça o favor de ser bem longe dos meus olhos.

E meu caro se você conseguir fazer isso olhando na cara das pessoas que vão morrer esperando por solidariedade humana ou por um deus que as salve, então, meu caro Tusk, você não serve só para ser dirigente da elite europeia, você tem estômago para trabalhar para a brasileira.

Não. Não é só com balas que se exterminam os povos. Fuga em massa podem ser o indicador que o sistema de privação dos meios vitais cruzou a fronteira da escravidão assalariada para ir ao do extermínio geopolítico e econômico dos povos e populações marginalizas excluídas do bem comum.

Fechar os olhos para isso, ou pedir o impossível não adianta nada. Se você quer mesmo fazer alguma coisa você sabe o que fazer; onde estão os recursos para isso; e até o como fazê-lo sem mais impostos: distribua a participação dos seus governos sobre o rendimento das empresas que atuam em determinado país diretamente ao povo, que tal começar por bancos, e só para dar o bom exemplo por que não começar dentro da sua própria Nação?

Você verá que nada como um pouco de justiça social para acabar com a xenofobia. E teremos dois problemas resolvidos com uma única renda básica para todos- todos mesmos- dentro e fora das fronteiras. Afinal, as instituições de capital transacional já temos, basta querer usá-las para por um fim a estes problemas. Mas isto sim é que é propor utopias, não? Vamos ser sinceros, não é bem com isso que as empresas e esses políticos que as representam estão preocupados, não é ?

Mas deixe-me ficar quieto.

Por aqui não sou nem gringo, sou só um estrangeiro mesmo e de quinta categoria. Venho daqueles lugares onde tanta gente desesperada sonha em escapar sem ter a menor ideia de quão lindo seria se sua terra fosse realmente sua. Não para predar, ou trancar-se nela com medo de tudo e todos, mas justamente para poder abri-la sem ter de entregá-la a predadores ou depois pedir autorização até para se vender para sobreviver.

No fundo todos lugares são desiguais assim, porém se você pensar bem alguns são tão desiguais que as vezes fica impossível viver.

PS: A propósito se você é brasileiro, e pensa que essa é uma típica crítica latino americana de quem só gosta de se vitimizar e choramingar, pense duas vezes… como quase todos Estados temos um passivo com a expropriação dos povos e nações não só encerradas dentro do nosso próprio território… Pense duas vezes, e você vai começar a entender porque a renda básica é uma ideia tão necessária e não por acaso quase tão antiga quanto os primórdios do Estado-Nação, colonialismo e utopias.

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