Marginais: quem escreve por aqui

Tayara Causanillas
Nov 4 · 3 min read

A Revista Marginália foi idealizada, a princípio, por uma mente pensante que, depois, se juntou a mais três. Com o apoio dos leitores e um — rápido — crescimento, nós logo tivemos que abrir um processo seletivo. Hoje, somos 4 editores-autores e 6 autores. E essa série tem como intuito prestigiar a cada um que construiu a Marginália nesse tempinho.


E é assim que me vejo hoje: Em uma árdua e constante caminhada pelos desertos do conhecimento racional e irracional.

Melancólico. O paulista do editorial da RM tem uma queda pela justiça, um vazio no coração e uma mente poluída por um capitalismo incessantemente drástico e pelo espírito de mudança. Apresento-lhes, hoje, Danilo Araujo.

Hoje proletário tradicional brasileiro, o editor e também autor sempre trabalhou com a arte em paralelo, precisamente com a escrita — artística ou política. Na vida real, é escritor da Rádio Antena Zero, em SP. No Medium, escreve pra RM e pra Fazia Poesia.

O gosto é por falar de arte, cinema, contracultura e política.

Há dois anos, ao mesmo tempo que se descobria como escritor descobriu a literatura alemã: Goethe, Hesse e o americano Poe. Foi assim que a relação com a arte criou laços inimagináveis e, além de espectador, tornou-se cronista e poeta. Hoje, esboça o "Reconstrução", um livro de prosa poética sobre as suas — melancólicas — jornadas do ser e do espírito.

A Marginália aconteceu para o editor como um acerto. Em resposta a necessidade que tinha de escrever textos de cunho político em virtude da graduação feita em Relações Internacionais, o período pré-eleições despertou uma frustração incessante que hoje se traduz nos textos da Revista.

Em 2018, andava muito nervoso e frustrado com o iminente avanço de um fascismo simbolicamente velado pela normatização da violência social e política.

Da graduação, misturou-se um interesse pela psicanálise. Esse é o elixir da criticidade do autor. O livro ‘’Filósofos na Tormenta’’ de uma psicanalista francesa muito bem conceituada chamada Elizabeth Rouadinesco foi um verdadeiro divisor de águas nessa nova fase da vida. A autora traça uma análise da trajetória pessoal e intelectual de alguns filósofos pós estruturalistas como Michel Foucault, Gilles Deleuze e Sartre, considerados verdadeiros incendiários transgressores intelectuais com suas ideias incendiárias da época. A introdução do livro já é certeira:

‘’Classificar, organizar, calcular, medir, periciar, normalizar. Eis o grau zero das interrogações contemporâneas, que não param de se impor em nome de uma modernidade de fachada que torna suspeita toda forma de inteligência crítica
fundada na análise da complexidade dos homens e das coisas’’

Um autor crucial para sua formação, sem titubear: Nietzsche. Quando o conheceu, em meados de 2017, estava iniciando a jornada constante pelo desenvolvimento intelectual e artístico como forma de elevação de seu espírito.

Em ‘’Humano, Demasiado Humano’’, Nietzsche falava dessa relação do espírito artístico com o intelectual de forma a se transformar em um edifício de cultura tão elevado a ponto de solidificá-lo em um ponto de comunicação entre os inúmeros estímulos do indivíduo para os mais diversificados interesses no mundo da vida. Mas, sempre evitando se prender a verdades muito engessadas do mundo racionalizado ao extremo. Para o autor, essa relação se traduz em sua vida.

E, de política em política, o autor dá seu parecer:

Bom, a nível mundial, eu vejo a sociedade globalizada vivendo o auge da sua decadência social e cultural. O fascismo, a extrema direita, a geopolítica destrutiva provocada pelos Estados Unidos, a falência dos valores ocidentais como universalizantes, tudo hoje em dia se mostra caótico e beirando o abismo. No Brasil, vejo uma sociedade com raiva, esgotada, sugada até a última gota, com baixa capacidade de potência e interesse em refletir criticamente acerca da nossa conjuntura humana no mundo, enquanto a pobreza e a violência aumentam cada vez mais. De fato, é mais confortável fechar os olhos e não querer saber de nada, pois, como dizia Albert Camus em ‘’O Mito de Sísifo’’, uma vez alcançada a lucidez sobre o absurdo do mundo, é impossível criar expectativas acerca de um futuro próspero, e, inevitável nos confinarmos a solidão e ao isolamento.


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Revista Marginália

Inspirada no movimento marginália, que surgiu durante a ditadura militar brasileira, essa publicação foi criada para ser um espaço aberto aos que desejam se expressar sobre política. O autoritarismo sempre tentou nos parar, mas aqui não existe censura.

Thanks to Danilo Araujo

Tayara Causanillas

Written by

o caos acometeu e eu não deveria ficar acordada. aprende a viver agora.

Revista Marginália

Inspirada no movimento marginália, que surgiu durante a ditadura militar brasileira, essa publicação foi criada para ser um espaço aberto aos que desejam se expressar sobre política. O autoritarismo sempre tentou nos parar, mas aqui não existe censura.

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