O caminho de volta ao amor próprio

Eu cheguei ao fundo do poço. Não tem uma maneira mais fácil de dizer isso. Há muito tempo eu li que o nosso primeiro amor deve ser por nós mesmos. Eu não soube me amar, acho que não aprendi. Por anos tenho me envolvido e me relacionado de forma prejudicial à mim mesma, desde o primeiro namorado babaca que me traia com a ex dele.

Quando eu lembro dessa época, penso comigo mesma o que eu estava fazendo com aquele cara? Ele tinha absolutamente nada a ver comigo! E foram só três meses, mas fizeram seu estrago. Mentiras, traição e, para uma escorpiana como eu, foi o suficiente para me cercar de desconfianças e baixa auto-estima.

Eu entendi, pouco tempo depois, que me deixava levar por caras que tinham interesse em mim, mesmo que eu não tivesse neles. E foi aí que eu passei a me interessar por quem não tinha interesse por mim. Not very smart.

Então eu me apaixonei, assim, à primeira vista – eu sei, que clichê! Mas é verdade. E esperei por mais de uma ano até que ele me chamasse pra sair, e isso depois de namorar duas colegas de classe da faculdade.

Sabe, quando eu penso, os sinais estavam todos lá. E já tinha gente pra dizer que não valia a pena entrar nessa relação desde o início. Mas eu insisti, porque eu via algo que ninguém mais via. Acho que continuo vendo, e é esse o problema.

Eu me entreguei por muitos anos e muitas vezes, e rastejei, me sujeitei a um amor que não se sustentava. Com o tempo, tudo que eu conseguia sentir era que eu não poderia ser o suficiente para fazê-lo ficar na minha vida. Porque ele nunca ficava. E ao mesmo tempo, também nunca saia totalmente. Acho que parte disso é minha culpa, porque desapegar nunca foi meu forte.

Varias vezes eu me questionei o que havia feito de errado para acontecer tanta merda comigo. Mas com o tempo eu entendi que o problema não era o que eu fiz no passado, e sim o que eu estava fazendo no presente.

A verdade é que eu amei demais (será que existe isso?). Ou amei errado. Eu deveria ter amado mais a mim, e esse foi meu erro. Eu tenho uma amiga que diz que eu tenho que ser o sol da minha própria vida. You’re the sun. Pense assim. Eu estou tentando.

Essa sou eu, sozinha, recomeçando de novo e agora tentando fazer o caminho de volta ao amor próprio. O amor que eu tanto negligenciei. Foi preciso muito para chegar até aqui. Momentos vergonhosos, momentos em que eu implorei por migalhas de afeto, momentos de muito choro.

Foi preciso uma grande crise, duas tentativas de suicído e uma internação. É, eu disse que tinha chegado ao fundo do poço.

Eu não me orgulho de nada. Eu fui fraca e quis desisti de tudo. E eu fiz isso porque eu não conseguia mais sentir amor. Eu não sentia mais nada, só um vazio enorme, uma dor que não cessava e, ao mesmo tempo, uma dormência.

Durante todo esse processo, eu aprendi muito sobre mim e sobre as pessoas ao meu redor. E aqui entra mais um clichê: as pessoas que verdadeiramente te amam e te apoiam vão permanecer na sua vida nos piores momentos. As que são full of shit uma hora ou outra desaparecem, te decepcionam.

Sobre mim, eu aprendi que eu importo, e sou amada. E as pessoas lindas que eu tive o enorme prazer de conhecer e ter na minha vida me querem aqui nesse planeta.

E isso é o suficiente.

Eu não sei como vai ser esse caminho novo de me amar primeiro, e me amar muito. Eu tenho tanto a aprender. Mas eu sei quem anda comigo, ao meu lado, e vai me ajudar se eu cair de novo.

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