Entrevista com Max Oliveira — música, fraudes e mentoria

Max Oliveira é fundador e CEO da Max Milhas. Com somente 5 anos, a empresa já emitiu mais de 1 milhão de passagens e está mudando o mercado de milhas do país.

Nesta entrevista falamos bastante sobre medo, fracasso, ansiedade e o importante papel que a música tem na vida dele. Vamos para as perguntas e respostas:

Por liderar uma empresa que cresce tão rápido, certamente você já passou e passa por momentos de alta pressão e ansiedade. Você tem um processo para lidar com isso?

Eu sou muito ansioso, principalmente quando se trata do negócio. Tenho pouco tempo para hobbies, mas sempre tento ter um tempo para a música, tanto ouvir quanto tocar. Me ajuda muito a relaxar.

Eu tenho todo um processo de auto reflexão e auto conhecimento, e a música é muito importante para isso. Tão importante que até estou gravando um CD no momento.

Além disso, como tenho muita energia, sempre que posso também pratico esportes para me acalmar.

Pela natureza da sua empresa vocês correm muito o risco de fraude. Vi inclusive em uma entrevista que você passou por isso logo no início da empresa. Quanto isso te afetou/deixou inseguro no início? Tem alguma forma do empreendedor se preparar para isso?

A fraude é muito comum no Brasil. Quando estava no processo de desenvolvimento do negócio esse foi um grande desafio.

Na minha opinião, não tem muito como se preparar psicologicamente para esse tipo de problema até você vivenciar e aprender com isso. Mas ao mesmo tempo, não importa o tamanho da insegurança, dos desafios que o negócio apresenta, o empreendedor tem que ter um propósito. Isso me ajudou muito nesse momento. Você só consegue ter o seu negócio se você tem um propósito forte. Se fosse só pelo dinheiro eu teria ficado no meu trabalho antigo, mas desse jeito eu me frustraria muito.

Vi que você gosta muito de música. Qual o papel da música na sua vida, e quanto você acha que isso contribui para você ser um profissional melhor?

Com a música eu sinto uma coisa muito diferente, bem mais complexa. Não tive uma musicalidade infantil, o que ajuda muito nesse processo. Mas tive o gosto desde cedo pela escrita para decifrar meus próprios sentimentos e pelo canto (na verdade, mais gritos do que cantos) para externalizá-los.

Eu tive uma relação conflituosa materna e paterna. Não foi nenhum trauma grande nem nada, mas tivemos bastante conflito. Então, quando eu tinha uns 13 ou 14 anos comecei a compor músicas. Me ajudava muito a trabalhar e canalizar as dores e se tornou uma válvula de escape para mim.

Perfil de artista do Max no Spotify

Foi daí que veio a ideia de gravar um cd?

Isso. Eu sempre tive esse sonho de ser músico. Inclusive foi dessa época que descobri uma frase que eu gosto muito: “Não existe o impossível.” Isso casou muito com o meu sonho de revolucionar o mercado aéreo porque é um mercado muito grande e muito difícil. Mas eu já consegui bem mais do que teria conseguido se não tivesse nem tentado.

Como você lida com o fracasso e medo? Você sente que evoluiu nesse aspecto desde que começou a empreender?

Eu tenho muito medo. Tenho medo como todo mundo. Mas eu avalio ele com calma e não o deixo me impedir de fazer as coisas. Eu vejo o risco, penso bem, crio coragem, e tudo se torna mais fácil.

Para mim coragem não é não ter medo. É assumir que o medo existe, que ele está ali e encarar de frente. É não ser paralisado pelo menos. Nesse sentido eu me considero uma pessoa corajosa.

Para mim coragem não é não ter medo. É assumir que o medo existe, que ele está ali e encarar de frente.

Depois do meu primeiro grande fracasso eu fiz uma música e vi que não deveria ser um super herói. Existe esse mito que o empreendedor é um super herói. Se for, é o herói mais fraco do mundo. Todo mundo passa pelo fracasso e eu aprendi que não se deve exigir demais e que cada derrota é um aprendizado.

Que tipo de problema/situação do dia a dia você sente que mais impacta na sua performance de forma geral?

Para mim, sem dúvida, o maior desafio é com a gestão das pessoas, especialmente lidar com perfis diferentes. Eu aprendi que para isso, eu preciso saber escutar, chegar em um meio termo, e principalmente que eu não posso forçar o meu jeito nas pessoas. Todo esse processo é muito difícil, principalmente para quem tem a cabeça mais esquentada.

Para superar isso e diminuir o impacto no meu dia a dia foi só através de através de coaching e mentoria. Eu vi que precisava de uma ajuda externa para lidar com isso.

Você já passou por diversos processos de aceleração. Quanto eles te geraram de ansiedade? E quanto te ajudou a ter estrutura psicológica mais forte para enfrentar os desafios que vieram depois?

Aceleração faz parte da empresa, mas gera ansiedade por precisarmos abrir mão de uma parte dela. Mas ao mesmo tempo, durante o processo, eu vi estava sendo fundamental. Quanto a visão dos outros, de pessoas que já passaram por aquilo, me ajudou muito a ter uma visão melhor de negócio.

O networking foi fundamental. Os processos da empresa eram muito desorganizados. É tudo muito ágil, nem sempre dá para organizar da forma como gostaria. Isso gera muita ansiedade, principalmente para quem gosta de ter tudo sob controle como eu. De novo, a ajuda de mentores foi fundamental para conseguir lidar com isso.

Quando a empresa começa a crescer é necessário colocar uma camada a mais de gestão. O que você considera que é mais desafiador no trabalho de coordenadores e gerentes de startups que crescem rápido? Que conselho você daria para eles acelerarem seu desenvolvimento como líder?

A minha empresa cresceu sem estrutura. Atingimos 100 milhões de reais em venda e não tinha nem diretores e apenas um conselho informal. Mas foi esse conselho que me ajudou a encontrar os meus diretores. Hoje eles são quase como irmãos. Então, como nesse caso, para mim o mais importante é a equipe. Ter uma equipe boa, com ótimos relacionamentos e estabelecer essa relação de confiança mesmo. É fundamental.

Equipe MaxMilhas

E para acelerar, recomendo, como você já deve ter percebido, Mariângela, uma boa mentoria, cursos e conversar com pessoas da área que passem experiência que você pode ainda não ter. Vale muito a pena também estudar o Management 3.0.

Quais os erros mais comuns que você vê líderes inexperientes cometendo e que você mesmo possa ter cometido? Você tem um processo? Como lida com isso? Como evoluiu?

Eu já sou ansioso. A ansiedade para crescer rápido é uma das coisas mais comuns para fazer alguma coisa dar errado.

Começamos a desenhar o modelo de negócio em 2013 e só em 2014 que ele ficou redondo. Eu precisava entender o que o cliente queria. E como já falei, é muito difícil controlar tudo. O mercado, então, não tem nem como tentar. Então para evitar ansiedade, tive que aprender a abrir mão do controle de tudo e delegar. O líder deve ser estratégico e confiar em sua equipe.

Além disso, aprender a lidar com os fracassos também. Por mais que a gente tente, sempre vão haver coisas que não darão certo. Ter a maturidade emocional para lidar com isso, ver como um aprendizado e seguir em frente é um grande desafio. Para lidar com muito disso eu busquei ajuda, como já falei aqui.

Temos que buscar na experiência dos outros o que falta em nós. Buscar alguém que nos ajude a fazer sentido dos desafios que enfrentamos.

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Recomendo muito a leitura de um post do Max: 5 principais aprendizados que tive em Stanford

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