Síndrome do Veneno de Barata ou Com o que você está alimentando sua audiência?

Maria Clara Tavares Lopes
Aug 5 · 5 min read
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Iscas digitais podem ter um efeito contrário ao que se deseja. (Photo by Mikael Seegen on Unsplash)

Durante minha jornada autodirigida no Masters of Learning (MoL), criação linda do Alex Bretas, as conversas têm trazido alguns insights poderosos (já deixo o meu agradecimento a todos com quem venho trocando nesse período). Uma delas foi uma reflexão que fiz sobre as iscas digitais e gatilhos de escassez com o veneno de barata e de rato.

A fala foi a seguinte:

os ratos e baratas aprendem que aquela isca que colocamos e mata rapidamente é veneno, e os demais ratos do bando não consomem mais. O mesmo está acontecendo com os gatilhos de medo: nós, humanos, estamos aprendendo a reconhecer e começamos a rejeitar”.

Eu falei isso com base em um comentário do meu marido, recente. Nós moramos em uma casa, com o privilégio de ser em um bairro bem arborizado de São Paulo. De vez em quando temos um visitante indesejável, que vem se aproveitar da horta que resolvi montar na pandemia, e foi preciso colocar iscas para os ratos. E o Julio, meu marido, comentou: “engraçado, da última vez, os ratos preferiram esse rosa e rejeitaram totalmente o azul. Desta vez, foi o azul que eles aceitaram”…

Informação nova no meu backlog, que ficou cozinhando um tempo e que veio à tona nessa percepção do incômodo físico que sinto, e ouço relatos similares de outras pessoas, sobre preguiça, irritação e saco cheio mesmo com qualquer peça de comunicação que venha associada a um gatilho de medo / escassez. E nasceu a afirmação da Síndrome do Veneno de Barata no Marketing Digital.

Ontem, fiel ao que estou considerando um mestrado informal, fui pesquisar a história do veneno de rato, para saber se funcionava mesmo desse jeito. Descobri algumas coisas interessantes, e inclusive mudou o bicho que eu estava usando de exemplo para a (argh) barata. (Alerta: links com dados que podem afetar estômagos sensíveis).

  • A questão dos ratos com o veneno não diz respeito a informação passada de um elemento do bando para outro. Veja o que diz esta matéria da Superinteressante:

“Entre os vários truques que ratazanas e ratos de telhado desenvolveram para evitar nossos ataques, está uma habilidade especial em evitar armadilhas e devorar apenas a comida saudável (…) eles simplesmente têm aversão a objetos novos colocados em um ambiente conhecido, uma característica que os cientistas chamam de neofobia.”

Hummm, não era o que eu esperava… Mas eu lembrava que as baratas tinham uma relação de bando com os venenos e achei isso nesta matéria da Folha de Pernambuco, e em outros sites

as baratas estão desenvolvendo resistência aos produtos químicos. E mais, essa característica de resistir a venenos está sendo passada de geração em geração.

Ooooops!!!! Isso acendeu uma luz enorme em mim, por conta de um conceito chamado Epigenética. Você já ouviu falar nisso? Eu conheci esse conceito nas aulas de Fluxonomia 4D, justamente para entender o poder da linguagem e da expressão das nossas crenças para criar futuros desejáveis. Mas pode acontecer o oposto… Afinal, como dizem, linguagem constrói realidades…

Vou transcrever abaixo o que diz a Wikipedia a respeito. Basicamente, a epigenética trata da capacidade de transmitir experiências passadas vividas por pais para outras gerações, mesmo sem alterações na sequência do DNA.

(…) experiências ocorridas com os pais podem ser passadas para os filhos, por meio de marcações epigenéticas, não ocorrendo através de mudanças na sequência do DNA.

Neste artigo publicado no blog Terabytes of Life, veio uma uma explicação mais conectada com comportamentos e experiências de vida:

Algo muito interessante sobre a epigenética, é que essas marcas são flexíveis e podem mudar ou surgir durante nossa vida em resposta a influências externas. Muitos traumas como sofrer abuso infantil, stress e passar fome ou ainda fatores externos como metais pesados, pesticidas, fumo de tabaco, radioatividade, bactérias e a alimentação podem influenciar em nosso desenvolvimento, pois, alteram as marcas em nosso DNA, resultando na alteração da expressão dos nossos genes e as vezes resultando em doenças.

E da epigenética lembrei de outro elemento científico que está na base da Fluxonomia, os campos mórficos.

Essa teoria, proposta pelo biólogo inglês Rupert Sheldrake, fala de estruturas que se estendem no espaço-tempo e moldam a forma e o comportamento de todos os sistemas do mundo material, de átomos a células, de órgãos a sociedades, de ecossistemas a galáxias, cada uma tem está associada a um campo mórfico específico. Os campos fazem com que um sistema seja um sistema, “isto é, uma totalidade articulada e não um mero ajuntamento de partes”. Mas o interessante é que o que se transmite dentro dos campos mórficos é pura informação. Veja mais nesta matéria da Galileu.

Aí a história da Síndrome do Veneno de Barata ganhou uma lógica nova, e ainda mais potente, da qual criei três hipóteses de efeitos prováveis desse ataque em massa de informações de medo produzidas pelas hordas de pessoas dedicadas o tal Marketing Digital — aquelas, que a cada dia mais vêem a chance de ficarem ricos de um dia para o outro com essas práticas — e fazem proliferar volumes cada vez maiores dessas “iscas” baseadas em gatilhos de escassez:

1º) pessoas cada vez mais intoxicadas desse tipo de informação, ao ponto de sentir efeitos corporais quando vêem uma mensagem dessas e, a partir disso, gera um efeito contrário ao desejado pelo emissor da informação: a RECUSA da oferta, no lugar da CONVERSÃO.

2º) ao aprenderam a identificar essas iscas como algo que faz mal fisicamente para elas, e de se sentirem enganadas (afinal, são iscas, não é mesmo?), essa informação passa para o campo mórfico, sendo transmitida para mais pessoas, que começam a recusar em massa esse tipo de mensagem.

3º) essa percepção de que essas mensagens são algo ruim podem estar sendo memorizadas nas nossas células, e podem ser transmitidas tanto por meio de campos de ressonância morfogenéticos, os campos mórficos, entre as pessoas quanto por epigenética para gerações futuras.

Para mim, que sou uma pessoa que defende a abundância e que a comunicação deve ser baseada no porquê (alouuu Simon Sinek!) e ser estruturada em três pilares — Integralidade, Integridade e Autenticidade — , até que essas hipóteses me alegram. Mas com um certo cuidado:

Tenho notado que algumas pessoas que admiro muito começaram a usar, de algum jeito, alguns desses gatilhos mentais na forma de mensagens estruturadas por copywriting (arghhh). Notei com o meu corpo, com desânimo e preguiça, quando comecei a receber as mesmas mensagens de sempre, com os mesmos elementos de sempre… Preguiça disso, gente.

Então, vou repetir a pergunta do título e adoraria poder trocar com vocês percepções sobre este tema:

Com o que você está alimentando sua audiência?

Por hoje, é isso! Beijocas nocês… :-)

Maria Clara Tavares Lopes

Written by

Jardineira de Comunidades, aprendiz para toda a vida, coloco energia em apoiar a transformação de pessoas e organizações para versões melhores de si mesmas.

Masters of Learning

Aqui é o espaço onde cada participante da comunidade do MoL compartilha suas descobertas relativas à sua jornada de aprendizagem autodirigida. Saiba mais sobre o MoL aqui: www.alexbretas.com/mol

Maria Clara Tavares Lopes

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