Duas saídas possíveis para a juventude

Lendo o prefácio de “A Rebelião dos Estudantes” de Antonio de Padua Gurgel, que conta a trajetória do Movimento Estudantil da UnB no ano de 1968, — portanto ditadura militar — consegui percerber os vínculos que nos ligam, em certos pontos, a esse momento nefasto.

Fugindo um pouco do nosso discurso meio batido — que ainda é válido — de que “vivemos momentos marcados pelas práticas antidemocráticas do atual governo”, queria tocar num ponto outro.

Ao me deparar com trechos que falavam de uma certa ruptura do Movimento Estudantil com a política, à época, vejo que repetimos algumas dessas rupturas, porém com algumas especificidades que nosso atual momento nos permite.

A atual ruptura no campo da confiança nas instituições políticas, fazendo com que a igreja e as forças armadas, por exemplo, sejam mais passíveis da nossa confiança, escancaram a crise de representatividade e a desconfiança na atuação política de um país que iniciou suas práticas democráticas a pouco tempo — e nos parece que já se esgotou. Tudo isso pode nos levar a dois caminhos:

O primeiro seria a apatia e a completa desmobilização política, que abriria espaço para investidas do conservadorismo e de ainda mais práticas antidemocráticas e antipopulares. Simbolizada pela articulação da Nova Direita, economicamente liberal e moralmente conservadora, com setores politicamente desmobilizados, as práticas dessa “alternativa” já são sentidas atualmente, num boom que vem ganhando força desde junho de 2013.

Foto: Mídia NINJA

O segundo seria o da negação de certos modelos da velha política — burocrata e encastelada nos gabinetes — e uma tomada de consciência na construção de novos rumos políticos com nossas demandas atuais. O fim dos acordos com a elite privatista, entreguista e conservadora. Ruptura — a mais acertada delas — com esse sistema antigo e cheio de vícios. Essa ruptura se dá na luta por direitos trabalhistas, previdenciários e políticos. Pela educação pública, gratuita e de qualidade. Reforma agrária. O fim da guerra às drogas. Essa segunda saída também precisa dialogar com o combate às opressões e pela democratização da comunicação, tão importante no agendamento das pautas caras aos movimentos sociais e a classe trabalhadora.

A segunda opção me parece a melhor e mais desafiadora de todas. Ela requer trabalho de base, responsabilidade e resiliência. O Movimento Estudantil tem tudo pra fazer diferente nos próximos períodos.

Mas só o fará se endossar a luta ao lado da classe trabalhadora, reinventando a esquerda revolucionária.

Foto: Mídia NINJA
One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.