Ao menino que cresceu

e que me esqueceu

(Imagem: Conrad Roset)

Nos intervalos de meus olhares ele crescia, o menino que sonhava sem medo, que não tinha receio de ver mil portas fechadas pelo caminho, ele sempre entraria por uma janela aberta. O menino que sorria de tudo e não admitia fraquezas, ele era o herói da própria história e também o próprio vilão. Ele falava sobre tudo com uma certeza absoluta, sabia sobre tudo, não media palavras, não lhe faltavam sinceridades brutas.

O menino não sabia amar, ora amava demais, ora de menos, nunca na medida certa e se enfurecia por isso. Fechava a cara, o punho, as portas de seu coração imaturo. Não se permitia errar, não tolerava erros, tinha planos que eram infalíveis ao seu ver. Dizia nunca ter chorado e um dia chorou por todos os dias que não o tinha feito. Era fácil de amar e de odiar, com ele as medidas não faziam sentido algum.

Nos intervalos de meus olhares ele crescia, o menino já não cabia no mundo que havia criado. Deixou para trás suas certezas absolutas, passou a se questionar mais, passou a medir as palavras, aprendeu que a sinceridade deve ser lapidada com verdade e também com cuidado. Amou, amou, amou, sofreu mais ainda, e não deixou de continuar amando por isso. As portas de seu coração estão sempre abertas para mim, posso entrar na hora que eu quiser, sempre o encontro à minha espera. Descobriu que ao errar se tornava mais sábio, mais forte e mais determinado. Chorava de tristeza, mas também de alegria e se permitiu sentir.

As medidas, quando se trata dele ainda não fazem sentido, hoje o amo, amanhã o amo ainda mais, nunca de menos, meu amor por ele é uma escala ascendente. Deixou de ser um menino, mas não completamente. O homem que se tornou ainda permanece com seu coração de menino.


Ao homem do meu passado que sucumbiu nas esquinas do tempo e esqueceu o caminho de volta. Ainda guardo um pouco de dor, mas ela passará como você passou…


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