Como entrar na onda do VR/360 sem gastar muito

Moda ou não, o VR — em português, realidade virtual — está vindo por aí. Ainda não sabemos como será o uso em massa e os efeitos psicológicos do uso desta tecnologia, mas as maiores empresas de jogos e tech estão investindo forte no formato, produzindo câmeras e óculos como a Samsung, a HTC e a Sony, e estimulando a criação de conteúdo, como o Facebook e o Google.

Depois de ter testado vários óculos na E3 2016 e na Vidcon, constatei que os mais imersivos e interessantes são também os mais caros. O Oculus Rift, comprado pelo Facebook, e o HTC Vive dependem de uma máquina potente pra rodar os jogos e experiências da melhor forma. Os consoles também estão se preparando pra fazer seus usuários desembolsarem um bom dinheiro, assim que a Sony lançar o Playstation VR, e a Microsoft confirmar os rumores de que está desenvolvendo um óculos específico para o Xbox One, além do Hololens, que aparentemente será mais direcionado para uso profissional.

Apesar de todas essas iniciativas, o custo alto deve manter a realidade virtual como nicho por alguns anos ainda. Mas há um mercado que pode mudar esse destino: o mobile. Mais especificamente, os smartphones.

A Samsung saiu na frente integrando seus aparelhos mais recentes com a tecnologia, e investimento pesado, a ponto de dar Óculos Gear VR para os compradores de seus celulares mais novos.

O Google, ao contrário da Apple — que não dá muitos sinais de interesse, é um grande incentivador da tecnologia já há alguns anos, desde que começou a distribuir e vender seus Cardboards, literalmente pedaços de papelão montáveis, que integrados a um smartphone Android e um app, possibilitam a qualquer um assistir vídeos em 360 e testar jogos de realidade virtual. O custo médio é de 15 dólares, e dá pra conseguir por menos, já que existem tutoriais pra fazer um desses em casa.

O outro mercado que deve estimular e aumentar o interesse pelo VR é a industria pornô. Já existem empresas especializadas em vídeos 360 que podem ser assistidos com qualquer um desses aparelhos, tornando a experiência, digamos, mais realista. Sabemos que a indústria pornográfica move a internet, que destruiu completamente seu modelo de negócios. Talvez o 360 esteja pra ela como o 3D está para o cinema hoje.

Com essa visão, é possível imaginar o potencial de alcance da tecnologia. Mais de 30% da população mundial já tem quase tudo que é necessário pra utilizá-la. O acessório que falta é um pedaço de papelão ou plástico que tende a diminuir de custo muito rapidamente.

Juntando a isso o estímulo de criação de bom conteúdo e a força do boca a boca, temos a receita perfeita para uma mudança tecnológica capaz de entreter, divertir, ensinar, e muito provavelmente também alienar pessoas por todo o mundo.

Testando os mais baratos

Após do impacto que eu tive nos eventos de games e de produção de vídeos em que só se falava de realidade virtual e 360, resolvi buscar as maneiras mais baratas de utilizar a tecnologia em casa.

Gear VR

Bom, bonito e não tão barato, o Gear VR da Samsung é a melhor das opções de “baixo custo”. O óculos em si não é tão caro. Está sendo vendido no Brasil a mais ou menos 500 reais (contra os 3500 de um HTC Vive — sem o computador). O que encarece a compra é a necessidade de ter um aparelho Samsung. Para os que não são adeptos do iPhone, fica pelo custo da atualização de seu smartphone, já que o Gear VR vem gratuitamente na compra de um Galaxy S7.

Se esse for seu caso, invista sem medo, porque funciona muito bem e é preparado tanto para vídeos quanto para jogos. Eu testei nas lojas e nas experiências da Samsung nas feiras.

Cardboards

A versão mais barata possível é o Cardboard. Muitas empresas lançaram suas versões, baseadas no modelo original do Google, com adaptações e preços variadas.

Testei duas:

O DodoCase VR custou 19 dólares na B&H e é muito, muito simples. Em um minuto é possível montar e utilizar com qualquer smartphone, de qualquer tamanho. Basta baixar o Google Cardboard no Android ou no iPhone.

Já o Cardboard Kit da Blisstime, vendido na Amazon por 8 dólares, é todo preto, e vem com um elástico pra ajuste na cabeça, além do imã no lado esquerdo, permitindo controlar algumas funções do celular durante o uso.

Os dois permitem o uso do VR/360 pra quem está começando e têm um custo relativamente baixo. Em contrapartida, não são muito confortáveis (o papelão precisa ser aparado pra não machucar o nariz ou as bochechas) e não têm lentes tão boas.

LeNest VR Headset

Encontrei a melhor solução no LeNest VR Headset, um óculos de plástico com acabamento em espuma pra região dos olhos, headband para prender à cabeça sem preocupar, além de ajustes básicos de distância de lentes. Ficou perfeito no iPhone 6 e provavelmente funciona bem também com aparelhos maiores e menores. Vendido na Amazon por cerca 25 dólares.

Pra melhorar, descolei o imã do cardboard da Blisstime, colando no LeNest, que funcionou perfeitamente. O único ponto negativo dele é a tampa de cor branca que deixa vazar luz por trás do celular, caso esteja sendo usado em um lugar muito iluminado.

O custo-benefício do LeNest é sensacional. Não testei muitos jogos, mas baixando o app Within pude assistir alguns curtas live action e animação e até duas esquetes do Saturday Night Live. Dei uma passeada com o Google Earth também, e assisti alguns vídeos no Youtube e Facebook.

Se você tem interesse em testar, trabalha com produção audiovisual ou quer apenas se divertir, vale a pena procurar uma destas opções, e considerar outras tantas disponíveis em sites chineses e no Mercado Livre.

E, se você tem habilidades manuais, pode dar uma olhada no site do Google, que tem tutoriais de montagem pra download.