“Jornalismo zuerinha” é errado ou não?
Uma discussão que vem ganhando espaço nas redes sociais, mesas de bar e almoços ultimamente é se o nosso jornalismo vive uma crise. Muitos argumentam que atualmente o jornalismo se preocupa apenas com cliques e não em desenvolver um conteúdo interessante.
Outro ponto que incomoda a muitos é a proliferação de listas, slides ao invés de textos objetivos e o “jornalismo zuerinha”.
Resolvi escrever este texto após um episódio que aconteceu comigo. Estava discutindo alegremente com o internauta @cirohamen sobre o fato de o Romero Britto ter feito a capa do próximo disco do Naldo; Ciro fez um texto sobre isso e eu postei o mesmo em um grupo do Facebook que participo. Logo em seguida um amigo me manda um inbox textão comentando diversas coisas sobre estilos de textos e o “jornalismo zuerinha”.
Conversamos de boas e aí tomei a decisão de escrever sobre este assunto.
Atualmente, segundo os diversos especialistas existentes na internet, o jornalismo está em crise. Concordo em partes já que realmente vivemos em uma era em que a busca por cliques se tornou essencial e isso é nítido. Também temos a ascensão das listas, sendo o Buzzfeed o principal incentivador deste modelo.

Fazer listas é fácil, é pegar um tema em específico e quebrar ele em tópicos, colocar uma imagem em cada número e um texto simples e objetivo (na maioria dos casos). Não tem segredo, você nem precisa ser jornalista pra fazer isso.
Mas o próprio Buzzfeed faz algo essencial para o jornalismo: facilitar a vida dos leitores. A linguagem do site é clara e objetiva ao pegar assuntos “complexos” e entregá-los para o público de uma maneira que qualquer um possa ler, sem soar simplório e mantendo o tom informativo. Lá, as listas fúteis do dia a dia e os assuntos mais complexos são trabalhados de forma diferenciada.
Aí também entra o “jornalismo zuerinha”. Esse gênero tem como característica uma linguagem muito mais leve e algumas piadinhas se o assunto permitir. Às vezes aparece um palavrão, gírias ou linguagem exclusiva da internet. Eu mesmo sou um grande entusiasta desse tipo de escrita, a criação flui mais fácil. Na internet afora temos vários representantes como o Fransuel (e o seu Projeto Solo), João Luis Jr, Chico Barney entre outros.
Claro que nem todo texto deve ser escrito dessa forma, nem todo tema tem a brecha necessária para fazer isso. Mas é TOTALMENTE possível falar de um assunto chato de uma maneira criativa e chamativa. Um assunto divertido de forma (mais) divertida. Não é porque tem humor que o assunto não é levado a sério no texto.
É possível falar sobre TV, política, futebol e Minions sem ser quadrado.
Na verdade o “jornalismo zuerinha” não é um mal. Ele é apenas uma evolução da linguagem da internet aplicada no jornalismo tradicional. Se as grandes redações não sabem fazer isso de uma forma competente, paciência. Muitas vezes elas tentam fazer algo que as pessoas que são “crias” da internet sabem fazer normalmente, mas o resultado final acaba sendo o Tiago Leifert no Globo Esporte.

Existem pessoas que sabem fazer textos assim e ainda bem que elas estão aí produzindo conteúdo que seja bacana de ler, sem soar imbecil ou algo parecido. Agora cabe ao leitor achar quem faz os textos assim e acompanhar.
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