Leituras de 2014 e recomendações

Esse ano (2014) começou como ano de vestibular e acho que lá pelo segundo mês de cursinho eu já estava entediado. Lembro que me dei conta de que duas vezes por dia passava na frente do que deve ser a mais bonita biblioteca da cidade, a Biblioteca de São Paulo, no Parque da Juventude.

No fim acho que esse foi o ano em que eu mais li desde que aprendi a ler. Montei essa lista com tudo que li no ano (eu colocaria a lista em ordem cronológica mas não a lembro, então vai sem qualquer ordem mesmo).

  1. K., de Bernardo Kucinski

Esse ano o Golpe de 64 que instaurou a ditadura militar brasileira atingiu 50 anos, e a impressão que fica é que é um período que ainda não foi estudado tanto quanto deveria. Neste ano se concluíram os esforços da Comissão Nacional da Verdade (CNV) que pareceram pouco produtivos pela falta de cooperação das Forças Armadas e nesse mesmo ano teve gente pedindo a volta dos militares no poder.

K. é sobre a busca de um pai por sua filha, professora de Química da USP, uma das desaparecidas da ditadura.
É difícil descrever um livro como K., porque não se pode dizer que é uma leitura agradável. E isso é provavelmente o melhor do livro, na verdade: ele sabe medir o sofrimento. Misturando ficção e realidade, a mensagem parece ser a de que no fim, a maior dor é mesmo a falta de respostas. Mais sobre o livro aqui.

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2. Garota Exemplar, de Gillian Flynn

Garota Exemplar foi uma das minhas decepções do ano.
O livro conta a história do desaparecimento de Amy, e como as pistas parecem apontar para Nick, seu marido, já que o casamento dos dois ia muito mal.

A narrativa é um pouco maçante (especialmente nas primeiras duzentas páginas), o plot não me convenceu muito e a quantidade exorbitante de vezes que o Nick repetiu a palavra piranha e suas várias menções de agredir mulheres me incomodaram bastante ao longo do livro. Ainda assim, o final poderia salvar o livro maas… não. O final é muito, muito ruim.
Ainda não assisti ao filme, mas imagino que valha mais a pena que o livro.

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3. Filhos do Fim do Mundo, de Fábio Barreto

Essa também foi uma decepção. O livro recebeu premiações do gênero de ficção científica, o que me deixou empolgado (e talvez com expectativa demais).
A história conta o começo do fim do mundo: de repente, todas as criaturas com menos de um ano morrem inexplicavelmente. O livro é narrado pelo Repórter, que sai em busca de uma explicação e de uma eventual cura.

Apesar da premissa interessante, o desenvolvimento do livro é bastante clichê, e a história é tão dinâmica que faria muito mais sentido num filme que num livro.

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4. Ender’s Game: O Jogo do Exterminador, de Orson Scott Card

Esse eu li depois de ver o filme (que também é muito bom, diga-se).

Em Ender’s Game a terra sofreu um ataque colossal de uma raça alienígena, e agora a sociedade se moldou para preparar um um contra-ataque e exterminar os invasores. Agora as crianças são treinadas desde cedo para o confronto, através de jogos de estratégia.

O livro narra então a história de Ender, um menino de seis anos que se sai surpreendentemente bem em todos os testes que lhe são postos e sua ascensão pela Academia Militar.

É um livro muito bom, apesar de as descrições de cenário e dos próprios jogos serem um pouco difíceis de seguir. Por isso recomendo ler depois de ver o filme.

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5. Todos os Nomes, de José Saramago

Todos os Nomes é… bom, é Saramago. É difícil pra mim descrever como algo menos que maravilhoso. Não é o meu favorito dele, mas mesmo assim, é muito (muito) bom.

A história é sobre um funcionário de meia idade da Conservatória do Registro Civil (algo como os nossos Cartórios aqui do Brasil) que no seu tempo livre faz coleções de fatos triviais sobre celebridades — seus nomes completos, onde nasceram, a escola que frequentaram, esse tipo de coisa.

Até que um dia, por engano, ele pega o registro de uma moça anônima junto ao de um dos famosos e a partir daí nutre uma paixão irracional por ela. Daí em diante a história é uma busca, mas nem ele mesmo sabe ao certo porquê.
O livro é cheio dum marasmo que eu adoro tanto na obra do Saramago, e recheado de reflexões sobre a vida, diálogos do senhor para com o teto de sua casa, para si mesmo…

“Se é isso que pensas, então deixa-me ficar na minha ignorância, também os pássaros cantam e não sabem porquê, Estás lírico, Estou triste, Com a vida que levas, é natural”, Seu José num diálogo consigo mesmo.

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6. Farenheit 451, de Ray Bradbury

Farenheit 451 foi uma ótima leitura. Já tinha tentado (preguiçosamente, sim) seguir os clássicos da literatura sci-fi, mas poucos me agradaram. Não foi o caso desse livro.

Na história, Ray Bradbury constrói um futuro em que ler é proibido e o simples ato de possuir livros em casa é considerado um crime grave. Nesse cenário, o Corpo de Bombeiros agora queima livros em vez de apagar incêndios (451º farenheit é a temperatura em que os livros entram em combustão, aliás). Montag, um dos bombeiros encarregados, começa a questionar seu dever.

A narrativa me prendeu bastante, e a escrita me incentivou a ler mais Bradbury. Tem uma boa crítica ao consumo excessivo de mídia e alienação (as pessoas preferem interagir com suas paredes-televisões que umas com as outras).

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7. A Desconstrução de Mara Dyer, de Michelle Hodkin

Essa foi outra decepção (não tinha percebido que eram tantas até montar a lista ☹).

A história conta como a Mara Dyer (cujo nome de verdade não é Mara, mas enfim) se envolve em eventos sobrenaturais (ou psicóticos) depois de um acidente com seus amigos.

O que me incomodou mais aqui foi a enrolação. O livro começa como algo dinâmico mas logo se perde num romance bobo e extremamente maçante, e eu tenho quase certeza de que é só pra forçar a compra dos outros dois livros. Péssimo.

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8. O Sobrevivente, de Gregg Hurwitz

O problema de O Sobrevivente é o mesmo de Filhos do Fim do Mundo: a coisa toda soa muito mais como um filme que um livro.

O protagonista é Nate, um homem com uma doença grave e incurável que planejou seu suicídio pro que veio a ser o pior dia e lugar possível: um banco sendo assaltado pela máfia ucraniana. Ex-militar, ele intervém num reflexo e vira herói.
Seu ato provoca a ira da máfia, que passa a chantageá-lo perseguindo sua família.

Vou confessar que apesar de todos os clichês e da trajetória do herói óbvia ao extremo, me diverti com O Sobrevivente. O enredo é bem conduzido e bem escrito, e me lembrou constantemente algo que o Bruce Willis faria.

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9. O Iluminado, de Stephen King

Minha lista tinha que ter pelo menos um Stephen King. Escolhi O Iluminado depois de ver o filme (um erro, ainda que não muito grave).

O Iluminado conta a história de Jack Torrance, que vai com a sua família cuidar do misterioso Hotel Overlook numa tentativa de por a vida em ordem de novo.

O Iluminado é um ótimo Stephen King, simples assim. Acho que a história só não me deu mais medo porque já tinha visto o filme (um erro, já disse).

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10. A Cidade Inteira Dorme e Outros Contos, de Ray Bradbury

Mais Ray Bradbury.

Esse livro é excelente. É uma sequência de contos de suspense que de um jeito ou de outro parecem se conectar.

A escrita do Ray Bradbury é realmente muito boa e o cenário dos contos oscila entre o fantástico e a ficção científica e o ar geral de suspense forma um ótimo thriller psicológico. Muito bom.

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11. O Homem Duplicado, de José Saramago

E… mais Saramago! O Homem Duplicado foi a leitura mais incrível do ano. Da vida, talvez.

O Homem Duplicado é sobre Tertuliano Máximo Afonso, um professor de história desmotivado que vive num profundo estado de marasmo. Procurando ajudá-lo, um colega recomenda que ele alugue um filme para distrair a mente. Tertuliano passa então de depressivo para confuso e obstinado quando vê que um dos figurantes é igualzinho a ele.

O Homem Duplicado é um livro pra dar nó na cabeça, bem do tipo que eu gosto (e vindo de Saramago então ❤❤❤). Curiosamente, o mesmo dia em que tive que devolver esse livro na biblioteca foi a estreia do filme Enemy, inspirado nele e: meu deus. O filme é todo um mind blow a parte (menor, mas tão válido quanto o do livro).

Sério, esse livro foi fácil a minha melhor leitura do ano. Absurdamente recomendado.

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12. Todo Dia, de David Levithan

Esse eu li sem muito compromisso, e acabou sendo uma grata surpresa. O livro conta a história dx A, um ser que acorda num corpo diferente todo dia, e da sua paixão por Rhiannon.

De primeira o que me chamou a atenção foi a premissa meio sci-fi, mas o livro me surpreendeu por ser muito mais do que isso. David Levithan é um representante da causa LGBT na literatura americana, e nesse livro discorre bem sobre a ausência de gênero e a bi(pan?)sexualidade de A. Claro que não é suficiente para entender todas as questões relacionadas ao tema, mas é um bom começo, ainda mais tendo como público-alvo os jovens adultos.

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13. O Oceano no Fim do Caminho, de Neil Gaiman

O Oceano no Fim do Caminho é um livro de fantasia, bastante lúdico (bastante mesmo).

Esse foi o meu primeiro contato com Neil Gaiman e… desculpem, não me encantou essa maravilha toda. A escrita do Gaiman é muito boa, de um jeito todo particular. Parecia que eu podia ver as cores no que ele escrevia. Mas ainda assim… talvez pura fantasia não seja tão pra mim.

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