Nossos Nós

Imaginei você se apaixonando por outra. Imaginei você lentamente me deixando e reposicionando seu foco para aquela outra garota. Como ela é? Ainda não sei, ela ainda não cruzou nossos caminhos, mas posso imaginá-la quase que com precisão. Ela é magra, tem cabelos lisos e compridos, um rosto delicado — um tanto vulgar, porém belo — e é doce. Irritantemente doce. E você se encanta com a doçura, você está como que preso em um lago de melaço, tão fascinado com a doçura da moça que não enxerga o fato de que quanto mais fundo vai, menores as chances de voltar.

Eu estou na margem observando. Por um tempo eu observo, depois passo a apenas olhar sem nenhum tipo de atenção. Eu penso, eu estou longe. Estou na sala do meu apartamento, visto camiseta e calcinha, meu cabelo curto e cacheado está uma bagunça, mas eu realmente não dou a mínima. O dia está quente, abro a porta da varanda e me sento no degrau, sentindo a brisa quase inexistente, olhando os carros passarem e me perguntando como cheguei aqui, como cheguei neste momento que beira a desolação, que me faz perguntar como eu deixei tudo isso começar.

Ela é linda, eu não posso nem culpá-la. Seria idiota culpá-la. Estou longe de estar sozinha, mas também longe de não me sentir só. A brisa, o fumo, a fumaça, você se esvaindo ao longe, em meias palavras, em meias distâncias, meias importâncias, uns rumos que se tomam de maneira esquisita quando a gente vê pela primeira vez, mas quando a gente vê de novo, consegue enxergar o sentido — o rumo não era assim tão estranho no final das contas, né? As pontas se soltam, se prendem com uma ponta, depois com outra; nada é eterno, porém me encontro perene.

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