O sedentarismo digital

Fazendo a minha retrospectiva pessoal sobre 2015, notei que estou vivendo o que resolvi chamar de “sedentarismo digital”.

O sedentarismo é a falta de atividade física mínima necessária para o bom funcionamento do corpo. Na versão digital, posso dizer que é a falta de atividade mínima na internet. Na verdade, não chega a ser a falta de atividade, mas de proatividade.

Ou seja, dificilmente tenho procurado por alguma coisa.

Em 2015 adquiri o hábito de me cadastrar em várias newsletters relacionadas aos assuntos do meu interesse. Seja sobre trabalho e produtividade, passando por entretenimento e escrita criativa.

As newsletters são enviadas diariamente ou semanalmente (poucas são mensais). Dependendo da frequência, recebo um “apanhado” do que teve de melhorar durante aquele período.

Há alguns anos eu tinha pelo menos o trabalho de acessar o meu agregador de feeds RSS e acompanhar os blogs e sites de meu interesse. Fazendo um paralelo, era como se nessa época eu subisse alguns lances de escada para chegar a uma biblioteca.

Hoje em dia minha única atividade é abrir o e-mail e ver o que me aguarda. A biblioteca agora fica no meu quarto.

O Medium Brasil faz esse trabalho como ninguém. Todos os dias pela manhã, o Medium Daily Digest se tornou a minha porta de entrada para a internet. É como se o e-mail fosse a porta da minha casa e o Daily Digest fosse o entregador de jornal.

A diferença é que todo o conteúdo é baseado nos meus gostos e interesses.

Sinto que essa é uma das grandes revoluções proporcionadas pelo ser humano. Por outro lado, me tornou extremamente preguiçoso no que diz respeito a “buscar conhecimento” na internet.

Faço isso apenas quando me deparo com alguma dificuldade e preciso encontrar uma solução.

Que fique bem claro: eu não me orgulho disso.

No fundo eu sei que esse tipo de atitude me deixa um pouco mais burro (com o cérebro gordo, devido a falta de exercícios).


Acho que essa situação pode ser um reflexo das bolhas em que vivemos na internet (nenhuma relação com “a” bolha da internet). Estamos presos às recomendações.

No Spotify dificilmente pesquisamos bandas novas. Elas são indicadas através das “Descobertas” com base em tudo o que temos escutado recentemente. Não temos mais o trabalho de procurar por algo novo sem ligação alguma com o que estamos acostumados.

Os algoritmos de recomendações evoluíram tanto que não temos mais o desafio de diversificar o próprio gosto. Não sei até que ponto isso é uma coisa boa (pessoalmente falando, já mercadologicamente é ótimo).

No Facebook temos a ilusão de que todo mundo concorda e tem o pensamento alinhado com o nosso. Mais uma vez é o algoritmo de recomendação trabalhando para que o nosso feed só exiba conteúdo que temos mais chances de interagir.

Isso tem deixado os nossos cérebros cada vez mais gordos e tranquilos, como o jacaré da Pampulha.

Estabeleci como objetivo que em 2016 deixaria de consumir conteúdo passivamente e passaria a buscar mais informações.

Preciso exercitar meu cérebro. Já estou acima do peso fisicamente e não seria de bom tom deixar o mesmo acontecer com a minha inteligência.

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