Sergio TrentiniMay 222 min read

Querido John,
Pensei em escrever isso a mão, mas todos os meus blocos de jornalista são pequenos. Você sabe como eu gosto dos meus blocos “entre pequenos e médios, mas que caibam no bolso”. Portanto, decido te mandar isso por e-mail. Temos a capacidade inata de interpretação visual da linguagem que aprendemos, portanto, tu leria da mesma forma num papel escrito a mão ou aqui, em seu notebook. Talvez por isso, John, não tenha dado certo. Porque você esperava romantismo dessa minha maneira prática de existir.
Não quero fazer desse um e-mail de explicações ou escusas. Desejo apenas que você siga com a sua vida, faça o seu trabalho. A sua escrita é muito valorosa, mas, infelizmente, não pra mim. Não é o meu estilo. Sim, sempre li tudo. Às vezes com muita força de vontade, mas li. Continue focado nisso. Isso te faz bem e muita gente gosta de te ler. Eu sou a exceção desse grupo.
Talvez, sim, por trabalhar demais e não ter tempo para analisar a maneira frívola com que você descreve situações palpáveis para fazer, em cima disso, uma crítica maior. É isso, John, esse negócio de crítica maior visto em todo e cada detalhe começa a incomodar demais uma hora. Sei que você criticava e critica a quantidade de tempo que passo no trabalho, mas é para o meu crescimento. Eu vejo as coisas assim. Sou linear! Não estou dizendo que você é o principal culpado, mas é preciso assumir a quantidade de culpa disso devida ao romantismo inato ao seu ser. Você só nasceu no século errado. Sei lá.
Olha, John, apenas pensamos de maneiras diferentes. Ainda assim insistimos por um ano no nosso amor. Sei como tu te apegou ao nosso cachorro. Podemos revezar os finais de semana com ele. Só tem que marcar direitinho.
Ah, deixei a tua chave embaixo do tapete.
John abre o e-mail e primeiro lê a última frase. Se levanta para buscar a chave de lá. Que lugarzinho foi escolher pra deixar a chave, pensa. Depois responde da forma mais grotesca que consegue imaginar: um OK, seguido de ponto final.
Depois faz vários poemas.