Os perigos de ser um formador de opinião

Marcelo Tas exibia em seu site uma frase que gosto e, às vezes, uso em minhas palestras e apresentações.

Na Internet, todo mundo pode ser um Roberto Marinho de si mesmo

O interessante é que esta afirmação fica cada vez mais forte com o passar do tempo. Na época que conheci esta frase, eu tinha apenas meu blog e, talvez, Twitter. A cada mídia que ia surgindo, considerava mais um integrante para o meu “conglomerado” de comunicação particular, onde o blog, até hoje, é o centro do sistema.

Hoje, qualquer pessoa com acesso à internet pode ser “dono” de meios de comunicação, mas blog é uma das únicas opções de mídia proprietária que existem. As outras mídias, como o Medium, só permitem que as pessoas tenham um espaço para expressar suas ideias, que deixar de existir a qualquer momento. Sendo assim, uma pessoa torna-se formadora de opinião quando publica algo nas mídias sociais, mesmo que influencie apenas uma pessoa.

O curioso é que a grande maioria não tem consciência do poder que eles têm na palma da mão. Alguém escreve um post no Facebook elogiando um hotel, por exemplo, e não percebe que os amigos guardam esta dica para quando precisarem deste ou outro serviço que ela pode recomendar.

Por causa da ignorância deste fato, muitas pessoas escrevem boatos e repassam em grupos do WhatsApp por diversos motivos. Mas o aplicativo tem um poder imenso de propagação de mensagens, mais até que o Facebook, e somado ao poder de influência que a pessoa tem dentro do grupo, já dá para imaginar como alguns textos e imagens chegam a milhares e até milhões de pessoas em curto espaço de tempo.

Como educar milhões de pessoas com a mesma eficiência que elas aprenderam a usar o WhatsApp e outras mídias sociais? Como ensinar parentes e amigos de que repassar informações só por que leram “só repassando” pode contribuir para prejudicar a vida de pessoas, como aconteceu com dois rapazes em Salvador.

Como diria Tio Ben, do Peter Parker, grandes poderes vêm com grandes responsabilidades. E a sentença fica ainda mais perigosa quando muitas pessoas ganham poderes sem ter consciência da responsabilidade dos seus atos.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.