Portinho e o tucano (ou “Um devaneio onírico sobre a rivalidade” )

Eu preciso compartilhar esse sonho que tive. Não o escrevesse, iria esquecê-lo! E detesto esquecer sonhos ricos em detalhes.

O sonho já começa comigo na rua andando em direção à casa onde está instalado o comitê de um candidato a vereador na minha cidade. É uma rua residencial tranquila, no bairro com o IPTU mais caro do município. Apesar de ser um bairro abarrotado de prédios, nalgumas ruas internas ainda resistem antigas vilas com casas espaçosas da época anterior aos prédios. À medida que me aproximo, reconheço a solitária figura em frente à referida casa, que faz justo entrada a uma dessas vilas: o Portinho, um conhecido meu das antigas. Vejo logo que ele denuncia algum nervosismo, demonstra certa agitação. Chego perto, cumprimento “qual é Portinho, como está, etc”.

Ele me confessa estar muito puto entre baforadas apressadas num cigarro. Estava há tempos de olho naquela casa onde agora era o comitê. Queria invadi-la pra morar nela, sabia que estava fechada e vazia há algum tempo e agora quando ele tinha tomado a decisão de arrombar e entrar pra morar, chegaram na frente dele.

Quando conto que a casa iria ser usada como comitê para as eleições, ele parece tomar um choque de alguns mil volts. Imediatamente se vira, mete a cara entre uma e outra chapa de um alambrado e dá uma checada no ambiente. Já havia algum material decorando a parte interna do imóvel, indicando quem era o candidato. Ao perceber que o comitê era de um tucano, Portinho ficou revoltadíssimo.

Praticamente transtornado, começou falar coisas desconexas na metade inicial das frases e gaguejar na metade final. Chegou a parar algumas pessoas que passavam na rua e perguntar se era justo aquilo. Um transeunte qualquer, ao sair de uma estação do metrô (na minha cidade, no mundo real não há metrô!) que no sonho ficava logo ali em frente à casa, pareceu dar atenção pra ele de início. Só que rapidamente o homem começou a rir, tirou a camisa como quem comemora um gol no futebol e embaixo usava outra camisa, estampada com os dizeres “Fora Dilma, Fora Lula, Fora PT”. E começou a zoar o Portinho.

A título de tentar acalmar a situação, esperei o cara que zoava se afastar e mudei de assunto: perguntei pro Portinho da Renata que era da mesma turma antiga, e com quem ele chegou a ser casado na época que nos conhecemos. Ele me revelou seu plano, um tanto menos transtornado ao sabor da mudança de assunto: assim que viesse morar na casa (que era agora ocupada por um comitê), iria convencê-la a voltar pra ele, porque eles só separaram pelo fato dele morar sozinho e de favor num quarto de sobrado de um café no Gragoatá, e ela não aceitar bem o fato e ficar puta em pagar a conta no café ou da cerveja toda vez que ia na casa dele.

Não tenho notícias mais precisas do Portinho ou da Renata na vida real, mas sei que eles se separaram realmente há algum tempo e que Portinho segue um militante esquerdista ferrenho até hoje. Acho que ainda o tenho como amigo no Facebook, mas não sigo suas postagens.

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