Quem tem medo de panelas de pressão?

Eu tenho!

Cogumelo atômico

Lembro como se fosse ontem.
Minha mãe sempre dava pequenas tarefas para a gente e uma das minhas era ficar alerta ao som de fervura do feijão para baixar o fogo, contar vinte minutos e então desligar.
Simples, né? Fiz centenas de vezes.

Mas a vida, a vida é uma caixinha de surpresas!
Toda faceira , virei o botão do fogão e dei as costas.
Foram segundos entre isto e o estrondo: a válvula estourou, ricocheteou no teto e o que veio depois parecia uma catástrofe nuclear.
Só que o cogumelo era caldo de feijão e fumaça.
O coração disparou por eu estar na distância exata de não levar nem válvula e nem feijão na cara e o primeiro impulso foi de chorar, gritar e chamar a mãe.

Só que eu estava sozinha.

E agora? Como eu faço?
Se não desligar vai explodir tudo!

Olhava a mancha que estava tomando conta do teto, as casquinhas grudadas e o líquido preto escorrendo e já pensava no tamanho da bronca.

Minha mãe vai me matar!

Coragem.

Peguei uma toalha de banho, fiz dela meu capuz e corri desligar o fogão. Voltei para a porta e fiquei observando a fúria da panela esvaindo-se pouco a pouco, até que o último sopro de feijão cessasse.

Instantes intermináveis do mais negro caos.

Ainda sou assombrada por este dia e a mancha jamais saiu.