O ataque cardíaco ou infarto do miocárdio é uma doença que vem ficando cada vez mais comum. As doenças cardíacas representam a principal causa de morte em dados nacionais. Dois fatores principais explicam isso: o aumento da expectativa de vida e o aumento da população urbana. Isso quer dizer que as pessoas morrem menos de causas infecciosas, parasitárias e chegam até uma idade onde podem ter doenças do coração. Além disso, a vida na cidade proporciona um diminuição da atividade física, e piora da alimentação saudável. O infarto do miocárdio é uma doença que pode levar a morte ou a incapacidade com coração fraco. A prevenção do ataque cardíaco é matéria que vem sendo pesquisada a mais 60 anos, com o estudo na cidade de Framingham nos EUA iniciado em 1948.
A partir dos 20 anos de idade você deve marcar uma consulta com seu médico clínico ou cardiologista para medir o risco que você tem de um dia vir a ter um ataque cardíaco ou um derrame. Nessa consulta o seu médico vai te perguntar sobre seus antecedentes na família, sobre os hábitos, sobre o seu estilo de vida. Você será examinado e terá de colher alguns exames como colesterol. O conjunto desses dados vai permitir predizer qual o risco nos próximos 10 anos.
Essa avaliação do risco deve ser repetida de tempos em tempos. Depende do seu risco prévio. Se o risco for mínimo, essa avaliação pode ser feita em 5 anos. Caso o seu risco seja maior, será feita anualmente.
Em geral, a primeira coisa que se pensa quando se lembra dos malefícios do cigarro é o câncer. Mas outra malefício muito mais comum que o cigarro traz é o ataque cardíaco. O cigarro promove o acúmulo de gordura nas artérias do coração além de tornar o sangue mais viscoso e aumenta em 3 a 4 vezes o risco de um ataque cardíaco.
Mas para quem para de fumar a notícia é ótima. Em 1 a 2 anos o risco cai pela metade e após 3 anos é semelhante a quem nunca fumou.
Se você fuma, você sabe que não é fácil parar de fumar e você pode precisar de ajuda. Existem medidas de comportamento para ajudar a parar de fumar e medicações que diminuem a vontade de voltar a fumar. O mais importante é não desistir.
A atividade física regular provoca múltiplas adaptações do corpo. Aumento de fibras musculares, aumento da vasos em músculos, aumento da eficiência das células musculares e aumento do gasto de gordura. Os benefícios associados a atividade física são: melhora do controle do açúcar no sangue, prevenção de câncer e obesidade, diminuição da dificuldade de cessar tabagismo, prevenção de demência, bem estar psicológico e diminuição de mortalidade.
O ideal é fazer 30 a 60 minutos de exercício, quatro a seis vezes por semana. Em geral a realização de atividade física é segura, mas você deve conversar com o seu médico para saber se você possui algum risco.
Algumas dietas conseguem realmente aumentar a sua vida e reduzir a chance de algum dia você ter um ataque cardíaco ou derrame, como a dieta do mediterrâneo.
Lembre-se de ter dieta variada incluindo vegetais, frutas e grãos, além de alimentos integrais ricos em fibras. Você deve consumir peixes, pelo menos 2 vezes por semana. São proibidos quaisquer alimentos com gorduras transsaturadas e você deve reduzir alimentos com gorduras saturadas. Pode incluir alimentos ricos em ácido alfa-linoleico como linhaça, e prefira óleo canola ou de girassol. Moderação no consumo de sódio e carne vermelha e reduza o consumo de refrigerantes e doces.
A obesidade promove doenças do metabolismo como o diabetes, o colesterol elevado e a pressão alta. Você deve calcular o seu índice da massa corpórea. Para isso você divide o seu peso pela sua altura em metros e depois divide pela sua altura de novo. O índice de massa corpórea saudável é entre 18,5 e 24,9. Assim como parar de fumar, o seu médico pode te ajudar na perda de peso, inclusive encaminhado para endocrinologista, nutrólogo e cirurgião gástrico quando necessário.
Em alguns casos, o seu médico pode te indicar algumas medicações para prevenir doenças do coração. São medicações como a aspirina e para diminuir a pressão, o colesterol. Por isso, voltando ao primeiro ponto é importante saber qual o seu risco, é importante saber como está sua pressão, seu açúcar e colesterol no sangue para descobrir se você precisa de algum desses remédios.
O melhor tratamento para um ataque cardíaco ou um derrame é a prevenção. Não deixe isso para amanhã, para o mês que vem ou para o ano que vem. Em último caso, cada um de nós é o maior responsáveis pela nossa própria saúde.
O Dr. Julio Marchini é autor do capítulo Prevenção Primária da Doença Cardiovascular do livro Cardiologia de Consultório (Manole, 2011). Uma nova edição está prevista para este ano.
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