Um ano de Medium
Isso aqui é o paraíso
Já se passou um ano desde que conheci essa maravilha que é o Medium. Simples, limpo, livre de entulhos, a plataforma se mostra ideal para quem deseja publicar textos dos mais variados assuntos.
Temos aqui excelentes autores, editores de Coleções, repórteres, cronistas, e uma variedade de outros textos e gêneros. O Medium, dos criadores do Twitter, é um paraíso no meio de tantos blogs e sites. Aqui, a opinião é difundida, na maioria, por aqueles que estão cadastrados no site. A interação por aqui é maior do que vista no Facebook ou até mesmo o Twitter. Isto porque, depois de um tempo, a plataforma passou a disponibilizar de onde vem o acesso de cada postagem.
A ferramenta ajudou a observar de onde vem o tráfego de cada texto, e fiquei surpreso. Uso o Facebook como ferramenta principal de divulgação. No entanto, o acesso majoritário não vinha da rede social de Zuckerberg, e sim dos próprios usuários do Medium (ou até mesmo de pesquisas no Google).
Por um lado, fiquei constrangido. Afinal, meus amigos não veem meus posts? Mas, sabendo das políticas do Facebook, passei a aceitar que a rede “seleciona” as postagens. Portanto, nem todos (ou, quiçá, poucos) viam (e veem) as postagens. Um filtro, para a minha infelicidade, frustrante.
Mas, por outro lado, fiquei extremamente feliz ao ver que “desconhecidos” acessavam mais os textos. Foi a oportunidade de saber que estava atingindo mais pessoas, além daquelas da rede social. Passei a investir no Twitter, e os resultados foram mais satisfatórios que os do Facebook, mesmo tendo menos seguidores.
Aqui, aprendi a escrever. O embrião desta página, o blog O Penico Está Voando! (inspirada em uma frase de Boni, ex-chefão da Globo), obtinha mais acessos — talvez pelo alcance da plataforma Blogger —, mas acredito que eram acessos mais quantitativos do que qualitativos. No Medium, é o inverso e, por isso, a qualidade dos textos melhorou.
No início, direcionei o Medium para posts sobre política e sociedade. Assuntos que me interessam — e muito —, mas não pude deixar de falar daquilo que sei: ficção. Séries, novelas, livros. Televisão. Aqui pude unir duas paixões — cursadas em duas universidades: Rádio e TV e Jornalismo.
As mudanças sutis, mas necessárias na plataforma, permitiram a criação de Coleções — as Collections (o Medium ainda é em inglês, apesar da crescente demanda de usuários de língua portuguesa). Nelas, os usuários “classificam” suas postagens de acordo com o tema proposto. Nasceu, então, a Collection Ficção Brasileira, onde edito e seleciono os textos postados por excelentes escritores, cronistas e outros autores. São 148 seguidores e é uma das poucas que trata do tema na plataforma.

Curiosamente, as postagens mais populares são aquelas relacionadas a programas de TV que foram pouco vistos. Talvez pela falta de conteúdo na web, essas postagens superaram as minhas expectativas, como a líder Teia eletrizante, porém, incompleta. O texto, publicado após o final da série A Teia (que não atingiu o grande público), obteve mais de 2 mil acessos.

Logo depois, vem “Pecado Mortal” é a prova de que qualidade não é quantidade. A trama da Record — que considero a melhor já exibida na TV brasileira — amarga a pior audiência desde a retomada da emissora em investir em novelas. Falei muito sobre a trama nesse espaço e posso dizer que foram os momentos em que mais senti prazer em escrever. Foram 361 acessos.

Completa o “pódio” (com 306 acessos) outra trama pouco vista: “Além do Horizonte” não é coisa de TV aberta. A novela das sete da Rede Globo amarga o título de menor audiência do horário. Uma novela que fugiu dos padrões ao apostar no mistério, Além do Horizonte foi um risco que a emissora assumiu, já que o público do horário estava acostumado com novelas que tendiam para a comédia e o romance. Vejo essa mudança como algo extremamente bem-vindo, frente a uma TV aberta ainda convencional e presa a padrões. Este também é o texto mais recomendado, algo como o “curtir” do Facebook.

Mas não posso deixar de mencionar aquele que considero o melhor — e mais extenso — texto já publicado por este escriba: Pecado Mortal: o fim de uma novela histórica é uma análise minuciosa da trama que se encerrou há pouco mais de um mês. Usando como base o livro Homens Difíceis (de Brett Martin), tracei um paralelo com a história e os personagens da novela e com a atual situação da TV aberta brasileira em comparação com a americana — o livro fala das séries da “Era de Ouro” da TV americana, como Família Soprano, The Wire, Mad Men e Breaking Bad e, acredite, encontrei semelhanças com Pecado Mortal. Se posso fazer uma indicação, esse é o texto que deve ser lido!

Outro texto que acho indispensável é Um pecado mortal: amores roubados na avenida Brasil. Aqui, numa forma diferente de apresentar o texto (com fotos maiores, texto sobreposto — um dos recursos mais legais do Medium), elenco as principais obras da TV aberta brasileira nos últimos anos. Não as que fizeram mais sucesso, mas aquelas que contribuíram para a qualidade do produto. (A visualização desse post em tablets e smartphones é sensacional!)
Abaixo, o ranking dos textos mais vistos (a ordem pouco se altera em relação aos mais lidos — os quatro primeiros também são os mais lidos):

As interações aqui se expandiram para o Twitter, e mesmo as daqui me deixam muito feliz. Uns já afirmaram “mais um texto do nosso especialista em novelas e outras coisas mais da TV brasileira aqui no Medium” ou então “texto muito bem escrito, prazeroso de ler e com ótimos argumentos”. Parece pouco, mas li por aí que, se um escritor tiver um leitor, ele já está satisfeito.
E é exatamente assim que me sinto. Quero continuar a escrever mais e mais — principalmente sobre televisão, já que aqui é uma “válvula de escape” para o cotidiano de um jornalista de um jornal local de São Paulo — e com cada vez mais qualidade.
Um sincero obrigado a todos os leitores desta humilde página!