Vivemos uma geração de mulheres independentes e incríveis.

Mulheres independentes estão sozinhas porque homens não querem mulheres independentes. Será verdade?


Vivemos uma geração de mulheres incríveis.

O debate não é novo, mas ganhou gás recentemente. Mulheres independentes estão sozinhas porque homens não querem mulheres independentes.

Até que ponto isso é verdade? Vamos pedir ajuda aos universitários de plantão. Segundo estudo encomendado à Universidade de Essex (Reino Unido) pela Unilever, 64% das mulheres entrevistadas disseram não ter problemas em serem independentes, seja financeiramente, seja amorosamente.

A porcentagem de homens que compartilham do mesmo sentimento é de 48%. Os caras justificaram o fato de estarem sozinhos com um “não tive escolhas” à tira colo. Ou seja, se podemos generalizar como propôs Ruth Manus, os homens estão sozinhos porque as mulheres querem estar sozinhas.

Prova disso é a pesquisa conduzida pelo portal de relacionamentos RSVP (Austrália). Por lá, incríveis 80% das mulheres assumiram estarem felizes solteiras, contra 65% dos homens chateadíssimos.

A Ipsos Marplan, terceira maior empresa de pesquisa e de inteligência de mercado do mundo e que também atua no Brasil, revelou alguns dados sobre as solteiras brasileiras: em comparação com as casadas, ocupam postos mais altos de trabalho (47% contra 34%), vão mais à praia (46% contra 42%), a shows (31% contra 22%) e leem mais (39% contra 35%). Aqui, já começamos a tecer uma nova perspectiva, mas que não é novidade.

Vivemos uma geração de mulheres incríveis!

Em uma busca rápida pela internet, você consegue encontrar a tese “Vidas no singular: noções sobre ‘mulheres sós’ no Brasil contemporâneo”, da Drª. Eliane Gonçalves, do Departamento de Sociologia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Ela diz: “A solteirice tem sido frequentemente representada como uma falta essencial, uma anomalia social, jamais um caminho, entre outros, escolhido como parte de um projeto de vida que pode ser vivido positivamente”.

Ora, se a mulher precisou queimar sutiã para ganhar certa liberdade porque agora todo esse espaço galgado seria um problema na hora de se relacionar?

Estar solteira é uma coisa ruim? Não vamos entrar nesse mérito, afinal, o que é bom para um pode não ser bom para outro, mas vamos falar sobre o que querem os homens, motivo pelo qual querida Ruthinha transcreveu todas as suas emoções. MUJERES! Simples assim, é o que queremos. Escrevi, não há muito tempo, um texto em que dizia que nem todo mundo serve para todo mundo. Desencontros acontecem. Desgostos, desilusões…

E garanto que nenhum deles é culpa de você ser uma mulher independente. Não conheço qualquer homem que diz: “Pois é, terminei porque ela pagou a conta no último encontro.” Ou então: “Não suporto a ideia de ela morar sozinha, viajar sozinha, quero ela lavando prato em casa.” Convivo com muitos homens e garanto que todos os argumentos usados para defender nosso suposto desinteresse pela independência feminina são nulos.

O fato de você estar solteira não está condicionado à sua capacidade de se sustentar, mas talvez a outros fatores que mudam de mulher para mulher. Existe, claro, um machismo referente ao sexo descompromissado, mas sexualidade já é outro tema muito mais complexo e que nem você conseguem aceitar direito.

A questão mais importante é que vivemos uma geração de mulheres incríveis. Guerreiras, trabalhadoras, conquistadoras.

Que vão atrás, que ralam a tcheca e que, muitas vezes, dividem o fardo com os homens. Que não mais ficam em casa quando passa jogo de futebol.

Puxam o coro quando é gol do Corinthians, puxam pelo braço e levam os amigos homens para beber, dança, que apresentam as amigas, que assumem o piloto do carro quando estamos bêbados. São, finalmente, nossos melhores amigos de bunda, peito e salto alto. Ou não, porque elas também usam all-star. Dizem que preferem o boteco à boate.

Que querem sim ir ao motel, beijar outras mulheres, sair com nossos amigos. Lembram do aniversário do Marcão, inclusive, ligam para ele quando nossa bateria acaba e estamos no campo jogando bola.

São mais compreensivas com nossa liberdade porque sabem o quanto custaram a ter um décimo do que já fizemos nesse mundo. E, mesmo assim, ainda precisam de um peito masculino para fazer de travesseiro ou uma perna peluda para esquentar o pé gelado no inverno.

Que vão para a “noite cazamiga” e falam sobre a vida, aliviam seus estresses e compartilham os prós e contras de seus relacionamentos ou…solteirices. Comparam os machos, os próprios machos, algumas observam como estão felizes ao lado de um cara compreensivo, outras nem tanto.

Umas querem casar, outras transar com desconhecidos. Reclamam do cara que não paga a conta, daquele que paga a conta. Tentam uma realização pessoal que resvala no politicamente correto e socialmente aceitável.

Pois é, Ruthinha e todas as garotas solteiras por aí. Queremos sim muita independência para vocês. Cada pessoa se relaciona com outra por um conglomerado de fatores que podem ir da roupa que estão usando à frequência sexual pós anos de namoro.

Que tal pararem de demonstrar que são mulheres interessantes e aproveitarem as experiências que a vida apresenta de maneira positiva?

E lembrem-se também que mais importante do que arrumar motivos para justificar a solteirice é trabalhar aqueles que fazem de vocês mulheres realmente cativantes.

Isso serve para as ciumentas, possessivas, chatas, impacientes, dependentes, carentes, magras, gordas, de óculos, altas, baixas, brancas, pretas…

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