Quando olhar para o futuro me mantém viva

porque no presente eu queria estar morta

Uma mensagem na garrafa para alguém do futuro.

Viver o presente geralmente é um bom conselho, mas já pararam para pensar que nem sempre o presente é digno de ser vivido?

Viva o presente quando estiver fazendo uma refeição, quando estiver na companhia de uma pessoa querida, quando estiver em uma conversa interessante, quando apreciar os pássaros, quando caminhar no bosque, quando tomar um banho relaxante… Mas a vida não é feita só de bons momentos.

Como já contei em março, estou em um ano muito ruim que só piorou daquele texto pra cá. E são problemas que não dependem do meu esforço para que se resolvam. São situações causadas por pessoas que eu não escolhi para a minha vida, mas que não posso simplesmente remover porque ainda não sou rica o bastante para ter opções tão sofisticadas.

“Meu chefe é um idiota, vou largar esse emprego!”

Se você é o Michael Bluth da sua família, provavelmente já sonhou em gritar algo como:

“Minha família me dá muito trabalho, vou me mudar para a Nova Zelândia!”

Enquanto não posso realizar nenhum desses sonhos, meu motivo para levantar da cama todo dia é saber que tudo passa, portanto estou vivendo focada nos dias melhores, em quando as “pessoas-problema” estarão longe da minha vida.

Apesar do desânimo, ainda não desisti.

Caso eu estivesse focada no presente, eu estaria prostrada ou teria largado o emprego e me mudado para longe da minha família, porque é essa a minha vontade todo santo dia. Quando saio do trabalho, estou no auge da minha frustração! Pedalo pensando que não vou aguentar nem mais um dia então já começo a escolher as palavras que vou usar na hora de pedir demissão.

Mas eu aguento. Olhando para o futuro, eu aguento.

Ao olhar para o que ainda está por vir, visualizo minha independência financeira. Ter um ano tão ruim no trabalho me fez tomar vergonha na cara para planejar os investimentos que vão garantir que eu consiga viver de renda. Daqui a 10 anos, não precisarei mais aguentar chefe nenhum. Isso me motiva a aguentar o trabalho porque preciso do salário de hoje para ter dinheiro daqui a uma década. É aquela ideia do sacrifício que citei em outro texto.

Eu deveria ter começado a investir mais cedo.

Meus blogs e hobbies também são importantíssimos para que eu me mantenha motivada. Nos blogs me sinto útil fora do trabalho e sei que muito do que estou deixando aqui vai durar mais do que eu. Com os hobbies sinto que alguma coisa ainda pode me propiciar momentos de prazer e relaxamento, apesar de toda a balbúrdia da minha mente que quer porque quer se antecipar aos fatos, largar o emprego e fugir para as montanhas da Nova Zelândia.

E além das distrações reais, ainda escolhi um placebo. Jogar na loteria é um hobby que não imaginei que fosse ter tão cedo porque geralmente são idosos que se entusiasmam com isso, mas inventei de pagar R$ 48,00 por mês para sorrir de segunda a sábado pensando que às 20h da noite tudo pode mudar se os meus números forem sorteados. Fica bem mais fácil suportar o desgraçado presente carregando essa ilusão.

Domingo é o dia mais triste da semana porque não tem sorteio.

Mas como nada disso é realmente tão importante pra mim como meu trabalho e minha família, meu foco é no amanhã.

Mas às 8 da noite tudo pode mudar.

Fotos: Pixabay