Um breve (e sincero) papo sobre amizade e maternidade

Eu tinha uns 18 anos quando uma amiga me contou: “miga, tô grávida!”. Éramos muito novas para entender a magnitude da notícia. Ela estava assustada e cheia de medos diante da gravidez não planejada e eu não sabia o que fazer. Quem me conhece sabe que eu tenho as minhas amigas como irmãs de alma e, como uma irmã, eu busco todas as formas possíveis de ajudá-las. A gente leva muito a sério a palavra irmandade.

Muitas mães reclamam das amigas que se afastam depois que os filhos nascem. Eu quase fui uma dessas pessoas. Não julgo quem faz isso (até porque quem sou eu pra fazer isso), mas é inegável a transformação que uma gravidez promove nas amizades. E é nessa hora que amigas — que assim como eu, não passaram pela experiência da gravidez — tem duas alternativas: afastar ou se tornar parte da rede de apoio. Eu escolhi a segunda alternativa e não me arrependo nem um pouco. Graças a essa escolha, vivi as experiências mais loucas e intensas da minha vida.

Quando eu falo de uma rede de apoio, falo de um grupo de pessoas que estão ali prontas para dar algum tipo de amparo para a mãe de um bebê. Muita gente pensa que ser rede de apoio é apenas paparicar a criança. Não é bem assim. É demonstrar a sua amizade nos mais singelos gestos, que vão desde ficar com o bebê para que a mãe tome um banho demorado até acompanhar o bebê no hospital.

Desde que o Gabriel nasceu (o filho da minha amiga), eu aprendi muito sobre maternidade e também sobre bebês. Minha relação com crianças mudou muito e para melhor. Quase todas as minhas amigas são mães e eu sou grata por esse baby boom ao meu redor. São tantas crianças que até criei um clube, o #ClubinhoDaTiaAnaLu. Foi convivendo com essas crianças maravilhosas que me tornei madrinha — que é uma das coisas que eu mais amo ser na vida! E foi me colocando nesse papel de apoiadora que vi minhas amigas se tornarem mulheres incríveis. Maternidade é um ato de bravura, principalmente num país como o nosso em que a maternidade quase sempre é tratada como uma punição para a mulher.

Se você está na mesma situação que eu, deixo aqui algumas dicas para que você possa apoiar a sua amiga nesse momento: a maternidade

1 — Busque informações

É muito importante que você tenha informações sobre a situação. Já ouviu falar sobre episiotomia? Exame de toque? Colostro? BLW? Leia mais sobre gravidez para que você não seja mais um dando palpite com base em achismos e informações ultrapassadas. Aqui na web tem vários canais legais sobre maternidade — como a Hel Mother e o canal Tiago&Gabi.

2 — Escute a sua amiga

Se antes as conversas envolviam relações amorosas ou problemas familiares, agora os papos serão sobre exames, data provável do parto, fraldas e similares. Lembra do tópico 1? Ele é fundamental aqui pois quando sua amiga falar sobre isso, ela terá certeza que tem alguém que confia para ouví-la.

3 — Se ofereça para acompanhá-la em consultas e exames

Os rolês mudam e aceitar isso é o que resta. Vá com a sua amiga em uma consulta ou para fazer o ultrassom. Que tal tirar um dia com a amiga para comprar roupas e acessórios para o bebê? Acompanhar também é dar apoio.

4 — Grávidas não falam só de gravidez

Pode soar paradoxal essa parte, mas é importante se preparar para falar de gravidez, bebês e também para falar sobre outras coisas. Falar sobre outros assuntos também ajuda. Mães também gostam de uma fofoca,tá? #FicaaDica

5 — Respeite as escolhas

Pelo amor de qualquer coisa nessa vida, não seja a pessoa que desrespeita as decisões de uma mãe. Se a mãe optou por não dar doces para as crias ou se ela escolheu banhar a criança com Nutella, ela tem as razões para fazer isso. Ao menos que ela peça a sua opinião, respeite a escolha dela. Elas conhecem os próprios limites e os das crianças também. Não seja a pessoa que dá doce escondido para a criança ou que trata a grávida como se ela fosse um bibelô quando ela já se posicionou como uma amazona. E se ela quiser ser um bibelô,tá tudo bem também.

Espero ter ajudado!

Um grande abraço da tia e dinda mais feliz do mundo,

AnaLu Oliveira