Dançar a partir da diferença

A mistura não é uma fórmula pronta: ela se ressignifica a cada elemento novo que entra em jogo. E como parte da nossa busca conjunta por novos mashups, o corpo não pôde ficar de fora desse processo. Como fazer esse mexe de culturas, histórias e vivências pelo movimento do corpo?

Recentemente a nossa crew de Curitiba provou um pouco dessa ideia ao lado do BDNT — Bunda Dura Não Treme. Antes da gente lançar o resultado dessa vivência dançante, preparamos uma rápida entrevista com Jade Quadros, que explica as misturas presentes no grupo que hoje já conta com 80 meninas.


O que é?
O BDNT são aulas de dança que acontecem desde março de 2015. Começou com uma proposta de dar aulas de diferentes estilos, de uma forma livre e sem cobrança como tradicionalmente acontece em muitas escolas. Acabou virando um sonho que eu nem sabia que eu tinha.

Quais as referências que o BDNT une?
Sem pensar muito, consegui juntar várias coisas que eu gosto em uma só: dança, psicologia e a questão da mulher. A psicologia entra nas aulas como uma escuta ativa, a partir de conversas e dinâmicas de grupo. E aí, com essa mistura, as meninas começaram a falar que era um grupo de empoderamento feminino. Não partiu muito de mim, mas foi algo que veio naturalmente. O empoderamento acaba abrangendo muitas coisas: área individual, relacional e contextual.

Durante nossas aulas, a gente consegue exercitar bastante as áreas individual e relacional. A partir de perceber quem você é e quais os problemas que isso envolve. E aí elas percebem que tem outras mulheres com outros problemas próximos e que todas compartilham algo dentro desse “ser mulher”. Assim, a gente se fortalece e, além de empoderamento, acaba gerando empatia e sororidade, que a gente entende como um pacto entre as mulheres numa dimensão ética, política e prática do feminismo.

As danças são uma mescla de tudo que já experienciei: expressão corporal, balé, hip hop, contemporâneo, dancehall, sapateado!

E pra quem é?
Desde o início vieram meninas de lugares muito diferentes, com idades de 15 a 65 anos. Essa mistura é o que faz o BDNT ser o que é: um grupo heterogêneo que busca semelhanças a partir das diferenças. E assim a gente vai acabando com preconceitos que nem sabia que tinha, até do gosto musical que não é o mesmo entre a gente!

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