Metástase

Em uma madrugada comum de algum dia comum, mas não tão comum assim pois algo era insuportável. Só não sabia diferenciar se era o extremo silêncio, como se toda a cidade estivesse morta. Ou a minha mente agitada que cuspia um pensamento atrás do outro.

Na minha frente um velho livro, uma xícara de café gelada e a mesma companhia de sempre. Aquela na qual sempre me conforta, e anestesia, uma composição quimíca tão suja que seria impossível nomear de fato o que é, mas está aqui e talvez mais uma seja a dose certa para me confortar.

Tic-Tac, Tic-Tac o relógio corre, a areia cai e de repente estou na praia. O mar está agitado e eu no meu silêncio admiro a existência. Nunca soube se tudo é real ou onirico, mas acho que não faz diferença se no todo ainda sou empirico, que pena talvez… Nah, não devo me amarrar a possibilidades, são tantas e impossíveis de contar como as ondas, as estrelas, os grãos de areia embaixo de mim ou mesmo minha células e meus átomos. Pensado nisso, me questiono se deveria planejar algo ou me arrepender de algo. Porque o passado,presente e futuro são apenas um lapso, temporário, mesmo que ainda seja real ou onirico.

Sempre fica essa sensação mórbida e vibrante de que algo está fora do lugar, como eu nessa praia quando ainda estou apenas sentado em frente a uma mesa com um velho livro, uma xícara de café e meu subterfúgio quimíco.

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