2015

O texto abaixo eu escrevi em 2015, mais precisamente dia 28/03 e que compartilhe com poucas pessoas, umas 5 no máximo. Hoje, compartilho com todos, assim como muitos outros serão.
Não sei, não viajei o mundo além do meu próprio horizonte. Não conheço outras culturas pessoalmente nem as pessoas que nelas vivem, não tenho experiências além das que já vivi, aqui, em um pontinho do mundo chamado de Caxias, onde muitos vem e vão. Tenho comigo o que prendi com meus pais, com leituras, ouvindo historias de viajantes que em outras terras puderam conhecer com seus olhos as maravilhas que lá existem, as experiências compartilhadas e também as muitas vividas.
Nos últimos dias, talvez semanas, ou quem sabe a vida toda, não sei, sei que hoje acordei e percebi, venho me questionando, e ao mundo também, mesmo que em silêncio, de onde viemos e para onde vamos? Questiono também minhas escolhas, minhas ações impensadas e as planejadas, porque não, quem nunca sonhou ou arquitetou o seu dia perfeito, seu futuro perfeito? As pessoas costumam dizer que o “perfeito” não existe, mas discordo, o perfeito existe aos olhos de quem sente, dos que almejam, os que conquistam, e por fim, vivem seus momentos. Se me pedirem, sim, tenho os pais perfeitos perfeita ao meu lado, os irmãos e amigos. Pois com cada um eu aprendi, e me somei, me tornando cada dia melhor naquilo que acredito ser o certo.
Existem muitos certos, depende apenas do nosso ponto de vista, dos valores e das crenças que carregamos, sendo assim o mundo é lindo. Antes fosse, com tantos certos, crenças e pontos de vistas diferentes as pessoa se perdem, entram em conflito e o medo aparece. Medo, esta ai um palavra que conheço, uma amiga escreveu um texto que me levou a este. Ela tem medo de aguas vivas, eu de altura, e como não temer estar em um local onde o próximo passo te leva para baixo em uma queda que pode machucar, as vezes apenas arranha, mas em outras não se pode mais falar. Já desafiei meu medo algumas vezes, e a sensação é incrível. Mas vamos lá, tenho medo também, de um dia acordar dos meus sonhos, sim, pois o mundo que eu acredito existe nele.
Tenho medo de me perder no escuro e me deparar com teias, as de aranha, muito já passei por causa delas desde a infância. Como aqueles fiozinhos me apavoram, ficam grudados no rosto nas roupas, eita coisinha pegajosa, e a aranha sabe-se lá onde está. Depois de ler sobre os medos dela(da minha amiga, não da aranha) e pensar nos meus, percebi que a altura as teias são apenas um forma lúdica pra algo muito maior. Acredito na pureza, na ingenuidade do coração, como quando éramos crianças. Tenho minhas crenças, valores e desejos, muitos tentaram mas por fim nunca me corromperam, acredito no amor na amizade e compaixão.
Nunca pedi que me amassem, mesmo quando eu entrego minha alma, nunca pedi por uma mão estendida por mais que eu precise ceder todo um braço. Tenho pra mim algumas pessoas como únicas, e posso dizer “tenho a sorte , e agradeço por tê-las e conhece-las”. Me entrego a cada amizade, a cada amor de corpo e de coração, não para ter retorno, mas por querer, uma escolha tenho orgulho de fazer.
Tenho medo de altura, de acordar um dia de um coma ocasionado em um acidente de bicicleta aos 9/10 anos, e descobrir que realmente foram apenas sonhos, e estes terem me levado a alturas tão altas que dificilmente a queda não causara grandes danos. Agora entendo o significado de “sonhe, mas mantenha seus pés no chão”. Altura, quem diria que meu medo de altura pudesse vir disso, as vezes os medos são alusivos a outras coisas, maiores ou menores, e cabe a nós descobrirmos seu verdadeiro inicio. Tenho muitas duvidas, todos os dias, desde sempre, quando descobri meu nome, e quem eu era. Meus sentimentos mais profundos, sempre guardei comigo, raras as pessoas com quem compartilho. Enfim, ter medo de altura não é tão ruim assim.
Agradeço, e espero que não esteja em coma, mas se estiver, quando acordar, não cairei pelo meus medos, mais uma vez enfrentarei a altura que fui levado, e procurarei secretamente cada um de vocês, e dizer tudo isso outra vez, mas não em textos ou palavras, mas em um abraço sincero.
