A estrada vai além do que se vê

Em verde os países que adotam a mão direita, e em laranja, a mão esquerda

Sou errada, sou errante, sempre na estrada, sempre distante. São 76 países ou territórios, de 193 (pela ONU) que dirigem do lado oposto. Na Europa Medieval, os cavaleiros cavalgavam pelo lado esquerdo da pista pois, com a maioria destra, seria mais fácil empunhar uma espada se necessário, e se defender ainda em cima do cavalo. Todo esse rodeio para que fosse estabelecida a mão inglesa, obviamente muito antes de qualquer carro começar a circular.

No sistema inglês, o volante e pedais ficam do lado direito do carro, e o passageiro senta ao lado esquerdo do motorista. A esquerda vai, a direita volta. Quando os automóveis começaram a aparecer, era padrão em grande parte da Europa Ocidental, a mão inglesa. Há uma probabilidade de que seja uma analogia às ferrovias, surgidas na Revolução Industrial, que também seguiam esse modelo. Aliás, os japoneses só utilizam a mão inglesa porque foram compradores de ferrovias europeias. Então só seguiram o padrão do sistema ferroviário na hora de os carros entrarem em circulação.

O lado direito, como aqui no Brasil e em 65% do mundo, começou a ser usado no século XVII, com as diligências francesas e americanas. Já que o cavaleiro sentava no último cavalo do lado esquerdo, e usava a mão direita para chicotear os outros cavalos e andar com a carruagem, era preferível circular pelo lado direito das vias. Assim, a visibilidade era maior e estavam mais próximos ao centro. Mais conhecida como “mão francesa”, ou o tradicional “aqui no Br a gente dirige assim”, temos o oposto da oposta mão inglesa.

Há quem diga que nos Estados Unidos é o inverso do ao contrário europeu para que fosse explicita e enfatizada a independência da Inglaterra. Já na França temos a história do famoso canhoto Napoleão Bonaparte, que pode também ter sido responsável pela mudança de lado nas vias, já que empunharia a espada com a mão esquerda.

O certo ou o errado, o direito ou o esquerdo, o fácil ou o difícil. O fato é que mesmo minoria, a mão inglesa mexe com a cabeça de muita gente. Eu mesma, escrevendo esse texto, demorei até o final para entender que lado é qual e qual lado é cada. Acho até que agora sou canhota.

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