A tragédia do Museu Nacional
O domingo não terminou bem no Rio de Janeiro: às 19h, o Museu Nacional, localizado no Palácio de São Cristóvão, pegou fogo. 1h depois, às 20h, quase tudo estava consumido na parte da frente. Às 22h, até a parte de trás era vítima desse atentado à humanidade. O desespero tomou o mundo inteiro ao presenciar uma instituição bicentenária, uma referência histórica e científica, em chamas. Não há nada mais triste do que isso.
Com mais de 200 anos de existência, o Palácio de São Cristóvão é um marco arquitetônico importantíssimo do período imperial. Presente dado à Família Real, o prédio tornou-se residência oficial da corte e deu ares ao famoso nome “Bairro Imperial”, que São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, carrega até hoje. Em 1818, o Museu Nacional se mudou para as instalações, onde permanece — ou permanecia — até os dias de hoje.

Não à toa, esta é a instituição científica mais antiga do Brasil, responsável por abrigar um dos maiores acervos de paleontologia e de história natural das Américas, com fósseis e até mesmo uma múmia. Agora, tudo foi consumido pelas chamas que começaram na noite deste domingo (2). Felizmente, segundo a assessoria do Museu Nacional à GloboNews, não há feridos, mas as causas ainda são um mistério.
Outros afetos fazem parte da história do museu. Localizado em um dos maiores parques do Rio de Janeiro, a memória dos cariocas e turistas está marcada pela presença do edifício. Filho de dois apaixonados pela história imperial brasileira, o Palácio de São Cristóvão me foi apresentado com muito amor durante a infância. Da estátua de D. Pedro II na entrada – que minha mãe tanto insistia em uma foto ao lado do ex-governante – ao fóssil gigante de um dinossauro, este foi um dos passeios mais marcantes da minha vida.
Hoje, no entanto, somos testemunhas de uma tragédia que ocorre depois de inúmeras denúncias quanto ao estado precário do edifício nos últimos anos, conforme relataram a GloboNews e o RJ 2 alguns meses atrás. Pegando emprestado o comentário de uma amiga, nessa “brincadeira”, são duzentos anos de estudo e pesquisa perdidos em 1h. Lamentável.
Este domingo é um dos dias mais trágicos da cronologia brasileira, e poucas coisas se comparam ao que aconteceu neste fim de semana. Não cabe piada, não cabe charge, não cabe nada. Apenas o luto e o vazio no coração.
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