O gato e o livro
Os gatinhos me surpreendem todos os dias. Desde que chegaram, a alcunha “gato digital” é um fato, tudo graças à proatividade tecnologica que os bichanos têm. Faz nem três meses que estão na minha casa e já dominaram tudo, a começar pelos celulares da minha mãe e da minha irmã. Mas jamais imaginava que os livros eletrônicos estariam a mercê de um deles.

Além dos velhos tomos de teoria literária que servem de cama, Simba demonstrou um enorme apreço pelo e-reader. Deixou de morder o tablet e o mouse para recorrer ao meu gadget favorito. Só precisei largar o aparelho por dez minutos sobre a minha cama, nesta quinta-feira (30), para o bichano vidrar os olhos naquela telinha em preto e branco. Era amor à primeira vista.
A concentração do felino era digna de causar inveja. Paralisado naquele momento, ele lia O Velho e o Mar, de Hemingway, já conquistando o título de gatinho prodígio ao avistar tantas letras em inglês que ele sequer conhecia. Vez ou outra, saia do sério e metia as patas no display. Até agora não deu para entender se era indignação com o sofrimento do pescador, se mudar de página, ou, depois de ler tanto “fish” (peixe), se sentiu fome.
A aventura literária, no entanto, durou pouco. Kiara subiu na cama para puxá-lo para mais uma brincadeira. De início, resistiu, mas foi ela morder a orelha e dar um empurrão, que ele se levantou e partiu para cima, como se fosse um campeão de peso pesado. Depois, correram para o pote de ração, enquanto Kovu, o gato da selfie, dormia e sonhava com a sua selva particular, que é a sala de estar.
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