Crítica: Hotline Miami

Na ambiência de Hotline Miami, é quase imediato categorizar o game como “retro”, mais um em uma onda nostálgica que atingiu especialmente desenvolvedores independentes para fazer jogos estilizados como nas gerações dos consoles 8/16 bits. Os modelos pixelados e a trilha sonora em chiptune entregam a estética do jogo, no entanto, bastam alguns minutos de gameplay para ver que as escolhas artísticas de Hotline Miami são mais complexas do que parece e que classificá-lo como retro é simplista. Para começar, nenhum jogo lançado entre as gerações 8 e 16 bits é tão violento quanto Hotline Miami. A vibe Miami Vice foi repetida em vários games da época (e até mais recentes como GTA: Vice City), mas Hotline Miami entrega uma versão psicodélica da estética, com a trilha sonora e os próprios visuais nauseantes, em uma narrativa de sonho que é muito mais uma reinvenção da própria nostalgia miami vice do que uma representação dela. Sintetizando tudo isso, o game sueco, produzido pela Dennaton Game em 2012 encontra sua própria mistura estética original e desenvolve uma das obras mais interessantes do mundo indie; na parte do gameplay, há a dificuldade unforgiving de games clássicos, mas com a frustração geralmente cortada com fases mais curtas e check points (algo desconhecido na gerçaão 8/16 bits) bem colocados, encontrando um chão em comum entre ser desafiador como um game clássico, mas sem a frustração que é proibida em grande parte dos games modernos. O jogador pode até buscar rankings mais altos, mas essencialmente, para terminar o jogo normalmente, não enfrentará grandes problemas e pode realizá-lo em 3h. O level design é muito bem planejado e a história do jogo, minimalista, se revela aos poucos. O grande trunfo de Hotline Miami é construir uma ambiência única numa época onde há espaço para pouca coisa nova, e embora seus dois elementos não sejam originais, sua mistura é (miami vice + ultraviolência psicodélica), também explorando possibilidades de reinterpretação de estéticas do passado, algo que pode vir a ser interessante em uma época onde o retro é cada vez mais explorado. Hotline Miami é uma viagem violenta, nauseante e divertida e é altamente recomendado.

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