O Super, o Mario e o Maker.

Jogos que permitem livre criação de níveis não são exatamente uma novidade, no entanto, Super Mario Maker possui outras características que o diferencia de diversos outros títulos como LittleBigPlanet ou ModNation Racers. A facilidade e intuitividade são esses elementos, que aparecem desde o primeiro instante, quando somos apresentados a duas simples opções: “make” e “play”. No caso de optar por criar um nível, o processo se dá por meio do GamePad do console, que permite a escolha do estilo visual do jogo de preferência, seguida das opções de elementos de fases, como blocos, canos e inimigos. Nenhuma complicação para aqueles que querem desenvolver seus próprios percursos. Além do jogador se transformar em uma espécie de game designer, elaborando suas próprias fases e escolhendo todos os aspectos visuais que irão ser trabalhados, ele pode disponibilizar suas criações para outros usuários poderem se aventurar no mundo das possibilidades do Super Mario. Para garantir que a mesma está funcionando, o criador precisa jogar a fase do começo até o final, comprovando que que ela está pronta e que é possível terminá-la, e então poderá disponibilizá-la a outros usuários da Nintendo Network. Dessa forma, o jogo sempre contará com novas fases, tornando cada partida uma experiência nova.

Quando a opção for jogar as fases criadas, tanto o GamePad quanto outro controle mais convencional, vendido separadamente, são possíveis de serem utilizados. Não diferente de outros games da série Super Mario, as funções que o personagem pode exercer no jogo são as já conhecidas, como andar, correr e pular, ou seja, ações comuns que estão intrínsecas no cerne de qualquer game do gênero plataforma. Os atributos que dão características adicionais também são encontrados em SMM, como os cogumelos, a estrela e a flor de fogo, fazendo com que assim, o jogador viva uma experiência de reconhecimento.

Desde seu anúncio, qualquer vídeo ou notícia relacionada a SMM se baseava na nostalgia (talvez ainda mais que os padrões já utilizados pela Nintendo) para aumentar as expectativas do público. Essa sensação de estar em contato com um game que possivelmente fez parte da infância de muitas pessoas é mantido no gameplay propriamente dito a partir do momento em que as interfaces dos 4 jogos já citados estão disponíveis à plena criatividade do jogador. Partindo deste princípio, uma das experiências mais instigantes que os jogadores podem ter é a recriação de fases específicas de cada jogo utilizando os visuais de títulos diferentes. É uma experiência e tanto montar e jogar a primeira fase de Super Mario Bros. (1985) numa versão repaginada com os estilos visuais 2.5D de New Super Mario Bros. U (2012), por exemplo.

Mas não só esta diferenciação das interfaces gráficas são disponibilizadas, pois as diferentes mecânicas de cada versão também foram mantidas dentro do processo de criação pelo jogador. Se você quer utilizar Yoshi em uma de suas fases, por exemplo, precisa criar ou procurar uma que seja baseada em Super Mario World (1990) em diante, já que o carismático dinossauro teve sua primeira aparição neste título, assim como utilizar habilidades que lhe permitem voar e flutuar, só a partir das ferramentas de Super Mario Bros. 3 (1988).

Para além da facilidade de navegação, o jogo possui um algoritmo em cada servidor que, baseado no número de mortes e na quantidade de pessoas que conseguiram terminar determinada fase, classificará sua dificuldade como sendo fácil, média ou difícil. Isso permite que o jogador possa escolher o tipo de percurso em que quer entrar em vez de passar por frustrações desnecessárias por ter escolhido algo que não era esperado.

Uma outra funcionalidade interessante é a integração que o jogo possui com os amiibos, as miniaturas físicas de personagens que podem transferir dados para determinados jogos de Nintendo WiiU e Nintendo DS, permitindo diferentes funcionalidades que variam de game para game. No caso de SMM, há a possibilidade de transformar o clássico bigodudo em vários outros personagens nas fases tematizadas com Super Mario Bros. (1985). Ao todo, são 99 possibilidades diferentes, como a princesa Peach, o Luigi, o Bowser, o Pikachu, a Zelda, o Link, o Kirby, o Pac-Man e muitos outros. Ademais, cada um possui os seus próprios efeitos sonoros e poses exclusivas, tornando a experiência de jogo mais especial. Além de adquirir as figuras amiibo, o jogador pode habilitar essas skins ao concluir o desafio “100 Mario Challenge”, que consiste em passar por 100 fases em sequência, todas criadas pela comunidade e escolhidas aleatoriamente, com o uso limitado de 100 vidas.

Super Mario Maker é um game com possibilidades enormes, e com o fator replay tão grande quanto sua intuitividade. Mesmo com a facilidade no processo de criação de níveis, se essa não for sua praia, provavelmente passará muito tempo jogando as milhares de fases criadas pelos usuários. Este é um dos melhores, e por que não, mais rentáveis títulos do Nintendo WiiU.

Texto: Isabelle Moraes e Lucas Oliveira

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