Programação / GP Games, Intercom 2017

O Congresso da Intercom de 2017, que será realizado em pouco mais de um mês, de 4 a 9 de setembro, em Curitiba, oferece ao campo da comunicação mais um punhado de trabalhos sobre jogos, e eu acho interessante discutir um pouquinho da construção deste espaço aqui.

Pra quem não sabe, a Intercom — Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação — organiza, todos os anos, o maior congresso da área, reunindo não apenas a produção oriunda dos cursos relacionados (Jornalismo, Relações Públicas, Rádio e TV, Estudos de Mídia, Publicidade e Propaganda e suas variações), mas também trabalhos de pesquisas de ordem interdisciplinar. Vale a pena ficar atento no site linkado acima.

Dentro da programação do evento, que é extensa, e pode ser acessada aqui, encontra-se o Grupo de Pesquisa em Games que é um espaço — o primeiro — dentro de um congresso importante no campo da comunicação no Brasil a reconhecer a necessidade e identidade do jogo como um fenômeno endereçável, e não um subscrito a uma área específica.

Jogo > Games

Settlers of Catan

O ponto mais particular dessa discussão é que não somos um grupo pra discutir video games. Claro, jogos eletrônicos nos interessam; são parte importante da paisagem subcultural de uma dita cultura… nerd? geek? (não vou entrar nessa discussão agora), e são parte da paisagem cultural de forma mais ampla, uma vez que não existe mídia hoje que não tenha sofrido minimamente uma influência dos games. Mas jogo é algo muito maior — e limitado pelo entendimento que nossa língua dá à palavra.

No último volume do gamestudies.org, inclusive, o próprio Espen Aarseth, em seu editorial, ressalta a necessidade de entender jogos como um fenômeno mais amplo. "O jogo mais influente na história dos jogos de computador, Dungeons & Dragons, nunca foi digital", professa o editorial. Não imagino um argumento que me faça discordar disso, sobretudo sendo oriundo do RPG tradicional, dos LARPs (que na minha época eram chamados de lives, mesmo).

Então cabe sublinhar que embora sejamos um Grupo de Pesquisa em Games, estamos abertos e ávidos pra discutir board games, RPGs, LARPs, cosplay, e assim por diante.

7/9/2017

7 de setembro próximo marca o começo das atividades do GP, cuja programação pode ser acessada através do link abaixo — mas também se encontra no fim deste post.

A configuração dada ao GP esse ano me agrada bastante por vários motivos. O campo dos Game Studies no Brasil, sobretudo em sua interseção com a comunicação, tem se mostrado de difícil mensuração — e comentário. Como um campo que é necessariamente interdisciplinar, alguns trabalhos que poderiam transitar em nossos congressos acabam não o fazendo; o que pode ser interessante para os trabalhos, inclusive.

De qualquer forma, é preciso sublinhar que mesmo considerando os trabalhos selecionados esse ano como advindos de um ideal de diversidade na pesquisa de jogos, ainda não acho que eles configuram uma representação do cenário nacional de pesquisa. O fazem, sim, no que diz respeito ao campo da comunicação (nesse ponto não tenho dúvidas), no sentido em que identifico duas grandes tendências, uma que se preocupa com questões de sociabilidade, outra que se preocupa com questões voltadas para a experiência (estética) dos jogos.

Para além dessas questões, que contemplam o que eu diria que diz mais respeito às discussões sendo travadas no campo nesse momento, a chegada de trabalhos sobre questões de gênero possui extrema relevância, e demonstra uma sensibilidade acerca do papel que a mulher ocupa naquilo que pode (com muita dificuldade) ser chamado de cultura gamer. Trabalhos sobre aspectos da geolocalização continuam demonstrando aderência, nesse ano discutindo Pokémon Go!, no geral.

Um ano de tentativas

Não é de hoje que discutimos, dentro do contexto do GP, a necessidade de fomentar uma discussão de fôlego, que se aproxime com a devida robustez do estudo dos jogos. Não vou me deter nos problemas que julgo que experimentamos enquanto campo — ou pelo menos enquanto pesquisadores que observam o mesmo objeto — mas a questão aqui é que acredito, junto a outros membros mais envolvidos na organização do GP, que uma leitura atenta e um comentário sobre o artigo apresentado pode auxiliar em muito nesse crescimento. Com base nisso, vamos, esse ano, testar um sistema de relatorias entre os autores, no sentido de buscar produzir uma discussão profunda sobre as questões que aí figuram.

Dito isto, segue a programação. Nos vemos em Curitiba? :)

Programação

7 de setembro
Sessão 1: Estudos de Gênero e Videogames
Coordenador(a): Mariana Amaro Cruz (UFRGS)
Dia 7/9 das 09h00 às 12h00 —
Sombras queer: a relação entre as teorias de Beatriz Preciado e os personagens Kanji e Naoto do game Persona 4. 
Gabriela Birnfeld Kurtz (UFRGS)
Games para mulheres: do Girls Game Movement ao pós Gamergate 
Beatriz Blanco (Senac)
“I Will Play Overwatch with You”: Self-Presentation e jogadores de Overwatch na plataforma Fiverr 
Daniel Gois Rabelo Marques (UFBA/UFRB)
Sessão 2: Aspectos Socioculturais dos Jogos
Coordenador(a): Gabriela Birnfeld Kurtz (UFRGS)
Dia 7/9 das 09h00 às 12h00 —
Dinâmicas de Consumo em MOBAs: Práticas, Valores e o Papel de Bens Virtuais no Universo de League of Legends 
Tarcizio Pereira Macedo (UFPA)
Corrupted Blood : Imprevisibilidade e comportamento social de jogadores em um ambiente de crise. 
Nilson Valdevino Soares (PUC-SP)
Passados fantásticos: memória cultural na representação dos deuses de Tormenta RPG 
Pedro Ernesto Gandine Tancini (ESPM)
“Isso é Pokémon, Mermão!”: Sociabilidade e Apropriações de Pokémon Go na Cidade do Rio de Janeiro 
Alessandra Maia (Uerj), Renata Monti (Uerj), Kerolayne Marinho (Uerj)
Sessão 3: Jogos e Experiência Estética 
Coordenador(a): Thiago Falcão (UFMA)
Dia 7/9 das 14h00 às 18h00 —
O jogador descentralizado: perspectiva e dinâmica nos videogames de sobrevivência 
Ivan Mussa Tavares Gomes (Uerj)
Precisamos de um tutorial: uma primeira análise (meta)metodológica de estudos empíricos com games no Brasil 
Mariana Amaro Cruz (UFRGS)
A experiência estética em Amnesia, the dark descent 
Vicente Reis de Souza Farias (UFBA)
Sessão 4: Imagem, Estética, Jogos Eletrônicos
Coordenador(a): Emmanoel Martins Ferreira (UFF)
Dia 7/9 das 14h00 às 18h00 —
Walkabout: Experiências Fotográficas em Videogames 
Julieth Corrêa Paula (UNISINOS)
Em busca das imagens Videojográficas: escavando mais de 31085 imagens a partir do Cultural Anayltics 
Joao Ricardo de Bittencourt Menezes (UNISINOS), Gustavo Daudt Fischer (UNISINOS)
Jogo Digital e Nutrição para Estesia. Oknytt e a obra de John Bauer 
Guaracy Carlos da Silveira (UIP)
8 de setembro
Sessão 5: Jogos, Educação e Literacia 
Coordenador(a): Nilson Valdevino Soares (PUC-SP)
Dia 8/9 das 09h00 às 12h00 —
Pesquisas sobre Jogos Digitais, Comunicação, Educação Física/Esportes: A questão das Competências Digitais
Alan Queiroz da Costa (USP)
Komunix-Com: Game de Ação e Representação Criado como Cenário Imersivo para Aprendizagens da Disciplina Comunicação Comunitária 
Viviane Menna Barreto (FAP/PA)
Jogos Móveis de Localização e Enação 
Raquel Salcedo Gomes (UFRGS)
Sessão 6: Apropriação e História dos Videogames 
Coordenador(a): Andre Fagundes Pase (PUCRS)
Dia 8/9 das 09h00 às 12h00 — 
A guerra dos clones: clonagem e pirataria na aurora dos videogames no Brasil 
Emmanoel Martins Ferreira (UFF)
Quem nunca sonhou em ser um jogador de futebol?: entretenimento como linguagem e customização de games 
José Carlos Messias Santos Franco (UFF)
Os 25 anos da imprensa especializada sobre games no Brasil e a transformação das narrativas midiáticas: das revistas Ação Games e VideoGame ao lançamento do Pokemón GO 
Rafael Torres Sobreira (UFF)
Sessão 7: Zonas Liminais: Materialidades dos Jogos Eletrônicos
Coordenador(a): Daniel Gois Rabelo Marques (UFBA/UFRB)
Dia 8/9 das 14h00 às 18h00 —
Do Roteiro ao GDD: a transposição de um projeto de filme para um projeto de jogo, visando a consonância ludonarrativa. 
Paulo Roberto Munhoz (UTP), Daniella Rosito Michelena Munhoz (UFPR)
Entre a Imersão e a Vivacidade: Em Busca de uma Classificação das Produções para Dispositivos de Realidade Virtual 
Andre Fagundes Pase (PUCRS)
Game music e gênero musical: considerações sobre a música dos jogos eletrônicos enquanto conceito 
Schneider Ferreira Reis de Souza (UFF)
Os Espaços Urbanos Midiatizados nos Jogos Eletrônicos para Smartphone: O Case Pokémon Go!
Fabiana Veiga Guerra (UAM), Gênio Nascimento (UAM)
Sessão 8: Perspectivas Introdutórias dos Game Studies
Coordenador(a): Alessandra Maia (Uerj)
Dia 8/9 das 14h00 às 18h00 —
Estruturas Narrativas em Jogos Digitais 
Erica D’Alessandro (UERJ)
Newsgames, por onde começar? 
Carlos Marciano (UFSC)
Docugame: a gamificação do webdoc Vale do rio de lama 
Silvio Henrique Barbosa (ESPM)
“Papers, Please”: Checkpoint e o Paradoxo da Liberdade na Narrativa de Vídeo Game 
Lucas Vian e Silva (UTP-PR)
A serialização nos games: a narrativa seriada nos jogos da série Resident Evil 
Mateus Kerr de Barros(PUC-RS)
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