HIV: Porque é tão perigoso?

Leonardo Fernandes
Jul 21, 2017 · 3 min read

O vírus da SIDA (HIV) destaca-se como uma das maiores ameaças à saúde mundial, havendo já registados, pelo menos, 70 milhões de infectados resultando em mais de 30 milhões de mortes. O HIV é um lentivirus (família Retroviridae) com um tropismo especial para as células do sistema imunitário que expressam o recetor CD4, deixando-o delimitado. Como consequência, os indivíduos afetados tem uma elevada taxa de infecções e de tumores explicada pela ineficácia imunitária que os caracteriza após a infecção. Quais as características que tornam a infecção por este vírus tão perigosa e de tão difícil tratamento?


A primeira razão relaciona-se com a rapidez com que o vírus estatele-se uma infecção latente. Sendo um retrovírus, a sua informação genética encontra-se na forma de RNA, o que requere uma conversão em cDNA, prévia à sua integração na informação genética da célula. O processo completo englobando a conversão do RNA em cDNA e a integração deste, ocorre entre 5 a 10 dias. Tendo em conta que a ativação do sistema imunitário adaptativo demora, em média, uma semana, quando as nossas defesas específicas estão aptas a combater o vírus da SIDA já este pode ter ‘instalado’ um reservatório silencioso nas células.

Voltando um pouco atrás, o processo de conversão RNA-DNA referido é também uma excelente arma do vírus na luta contra o sistema imunitário. A enzima que medeia a conversão tem uma altíssima taxa de mutação. Na maioria das situações em que copia um segmento de RNA viral cria uma alteração errónea na sequência de cDNA. Deste modo o vírus que é inserido no DNA na célula é uma forma mutada do vírus que inicialmente entrou na célula. Estas mutações criam proteínas diferentes daquelas para as quais o organismo humano já pode ter desenvolvido defesas específicas, levando a uma ‘impotência’ imunitária.

O desenvolvimento de vacinas eficazes torna-se um autêntico desafio para um vírus com uma taxa de mutações tão elevada; Como é possível preparar o organismo para uma infecção causada por um agente que se altera com esta frequência?

HIV: Porquê tão perigoso?

Outro fator depreende-se com as próprias células que o vírus infecta. A condição essencial para que o HIV entre nas células é a presença do recetor CD4 à superfície, tornado os linfócitos T helper, os macrofágos e as células dendríticas candidatos ideais. Todas estas são constituintes do sistema imunitário, logo, as mesmas células que têm como função atacar invasores são as que são infectadas e danificadas pelo vírus!

Salienta-se ainda que existe a possibilidade de as partículas virais se anexarem às células dendríticas e serem transportadas por estas para os nódulos linfáticos. Aqui há uma grande concentração de células positivas para CD4 facilmente alcançáveis pelo vírus. Por este e ainda outros procedimentos semelhantes, os nódulos linfáticos podem-se tornar incontestáveis reservatórios de HIV.

Existem alguns tratamentos bastante dispendiosos que têm tido sucesso em atrasar o desenvolvimento da doença. Todavia ainda falta um longo caminho na procura por uma solução permanente. Apenas 25% da população europeia consegue impedir que as manifestações da doença interfiram com o seu dia-a-dia. A rapidez com que estabelece a latência, a elevada taxa de mutações, a debilidade do sistema imunitário e o uso deste para facilitar a sua propagação pelo organismo fazem do HIV um dos mais complexos desafios da ciência atual.

Fonte: ‘How The Immune System Works’, Lauren Sompayrac

Metionina

Minutos de ciência

)
Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade