O Clã da Família Duarte — Chã-Preta — Alagoas

Notas Históricas e Genealógicas — Edição 02/2017

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Quando iniciei minhas pesquisas genealógicas sobre a família Duarte, pensava apenas em fazê-la e divulgar entre familiares, de modo muito simples, sem grandes pretensões. Ao passo que ia conversando com os mais antigos, ouvi que todos eram unânimes ao afirmarem que tal família provém de Palmeira dos Índios, Alagoas.

Ao conversar com minha avó, Maria José Duarte Cavalcante, a mesma sempre afirmava veementemente, o seguinte:

“A mainha (referindo-se à sua avó) adorava me contar histórias da família, era uma exímia contadora de histórias e quase sempre repetia que a família Duarte é originária de Palmeira dos Índios. Chegaram em Chã Preta e lá se instalaram. Raimundo era o pai — família dos Canuto de Souza, e a mãe era Joana, a Joaninha Duarte, dela advém o sobrenome Duarte…”

(Não foi bem isso que encontramos ao pesquisar…)

Dadas afirmativas de minha avó me faziam ansiar por descobrir mais, ao mesmo tempo em que me frustrava, pois logo pensei que seria muito difícil chegar muito longe, devido à falta de conhecimentos mais profundos dos que comigo contribuíam. E logo esbarrei em um comum empecilho, a escassez de documentos dos indivíduos, pois quase ninguém se prontificava a ajudar desta forma, o máximo que faziam era a descrição de determinados ramos, o que ajudou muito, mas não o bastante para comprovação dos fatos narrados.

Foi então que conheci Eduardo Padilha, pesquisador/genealogista, o qual me forneceu alguns documentos que o mesmo havia pesquisado na Paróquia de Senhor Bom Jesus do Bomfim de Viçosa, Alagoas, cidade esta onde se estabeleceu a família. A partir daí, passei a ajudá-lo nas pesquisas genealógicas de diversas famílias de Alagoas/Pernambuco, as quais estão expostas no site omeulegado.com.br.

A FAMÍLIA DUARTE X A FAMÍLIA SOUZA

Mauro Teixeira de Vasconcelos, em “Coletânea de Uma Vida”, relata que no ano de 1877, os irmãos Canuto José de Souza e Raimundo Antônio de Souza saíram de Palmeira dos Índios e chegaram a Viçosa, ambas no Estado de Alagoas, fugindo da grande seca que assolou o Nordeste brasileiro.

De fato, uma das mais lembradas secas foi a que se iniciou no ano de 1877, perdurando até 1879, ficando conhecida como a grande seca do Nordeste. Foram quase três anos seguidos sem chuvas, culminando na perda de plantações e morte de animais, uma situação de miséria elevada ao extremo. A situação foi tão desesperadora, que famílias inteiras se viram obrigadas a migrar para outros estados, estabelecendo uma onda de imigrações.

De início instalaram-se no Riacho do Meio, que hoje corresponde ao Barro Branco, como rendeiros do Cel. Theotônio Torquato Brandão, em meados de 1885 Canuto e Raimundo compraram a Fazenda Chã Preta (fazenda que deu nome ao município), que abrangia a Fazenda Machado e, também, a Fazenda Papamel, vindo para o então povoado Chã Preta que pertencia a Viçosa. Ainda segundo Mauro Teixeira, eles eram filhos de José Antônio de Souza e Maria Pastora dos Prazeres, que também tiveram Clementino José de Souza, Manoel José de Souza e Josefa de Souza, porém no presente artigo vamos nos ater à genealogia de indivíduos frutos da junção da família SOUZA com DUARTE, ficando para outra oportunidade historiar genealogicamente a ascendência de José Antônio de Souza.

O CAPITÃO CANUTO

Personalidade marcante na região de Viçosa, Canuto José de Souza (n. 1848 — f. 31/05/1926) foi senhor do Engenho Chã Preta ou Bom Conselho e um dos fundadores do município de Chã Preta. Casado com Miquelina de Souza em primeiro matrimônio, teve vários filhos, entre eles: Maria Canuto de Souza e Manoel Canuto de Souza (n. 1876 — f. ?) (do nosso conhecimento). Após falecimento de Dona Miquelina, casou-se em 1891 com sua parenta Maria Pastora dos Prazeres, que era viúva, nascendo neste segundo casamento vários filhos, dentre eles: Miquelina Canuto de Souza (n. 1892 — f. ?) e Cosme Canuto de Souza (n. 15/05/1894 — f. 23/04/1989).

GENEALOGIA — FAMÍLIA DUARTE DE SOUZA

Teve início com o matrimônio de Raimundo Antônio de Souza com Joana Rosa dos Prazeres, o qual aparece em assentos, ora como Raimundo Antônio de Souza, ora como Raimundo Duarte de Souza. Em sua genealogia encontramos 7 filhos, em que todos disseminaram sua prole pela região e em outros estados, vejamos:

1. Raimundo Antônio de Souza e Joana Rosa dos Prazeres

1.1 Antônio Duarte de Souza e Miquelina Canuto de Souza

1.2 Manoel Duarte de Souza e Amália de Oliveira Cavalcante

1.3 Pedro Duarte de Souza e Eulalia Maria de Jesus Brandão

1.4 Alfredo Duarte de Souza e Anália Pereira Duarte

1.5 Auta Duarte de Souza e Horácio Tenório Cavalcante

1.6 Nepoziano Duarte de Souza e Laura

1.7 Maria Duarte de Souza e Francisco Torquato Brandão

De onde veio o sobrenome Duarte? Visto que nem Raimundo, nem Joana o assinavam?

Não se sabe ao certo como se originou o sobrenome Duarte, não nesta família, pois se por um lado tínhamos Raimundo Antônio de Souza (assinatura mais provável, tendo em vista a dos irmãos) como patriarca, como matriarca tínhamos Joana Rosa dos Prazeres. Não podendo atribuir o sobrenome ao avô paterno, pois o mesmo era José Antônio de Souza e avó Maria Pastora. Os avós maternos não são do nosso conhecimento, mas há a possibilidade de que ambos, ou um deles possa ter assinado o dito sobrenome, como também, existe a chance de que José Antônio de Souza possa ter tido duas assinaturas, sabendo-se que naquele tempo era comum um indivíduo aparecer com duas assinaturas em documentos distintos. Sendo assim, não chegamos a um consenso! Várias são as hipóteses, porém esse é um assunto para outra oportunidade.

Abaixo uma imagem do livro de matrimônios da Paróquia de Nosso Senhor Bom Jesus do Bomfim, de Viçosa, datado de 19.01.1912, em que é nubente Antônio Duarte de Souza (n. 1890 — f. ?) e Miquelina Maria de Souza (n. 1892 — f. ?).

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Acervo MeuLegado: REF. 1912MAT01.

Aos desenove de janeiro de mil novecentos e dose, na capel-/a de Chã Preta, satisfeitos as preposições canonicas e perante/ as testemunhas Antonio da Costa e Souza e Francisco Torquato/ Brandão, o Pe. valente de minha licença, assistio ao recebi-/mento matrimonial de Antônio Duarte de Souza de vinte e/ dois anos com Miquelina Maria de Souza de/ desenove a-/os, send — o o nubente filho legitimo de Raymundo Antonio/ de Souza e Joanna Maria dos Prazeres e a nubente filha legi-/tima de Canuto José de Souza e Maria Pastora dos Prazeres.

Transcrição: Eduardo Padilha dos Santos

Um fato notório é o casamento entre primos, valendo salientar que a nubente que aparece assinando Miquelina Maria de Souza, em outros documentos aparece como Miquelina Canuto de Souza. Desse casal conhecemos 10 filhos, radicados na mesma região, onde difundiram suas proles, todos esses podendo serem vistos no site omeulelago.com.br.

A FAMÍLIA DUARTE X A FAMÍLIA CAVALCANTE

Esse ramo da família Duarte tem início com o matrimônio de Manoel Duarte de Souza (n.1893– f. ~ 1941) com Amália de Oliveira Cavalcante (n. 20/09/1901 — f. 08/04/1992), que viveram entre as Fazenda Chã Preta e Herva do Rato, Viçosa-AL, tiveram 18 filhos, dos quais 8 atingiram maturidade.

Vejamos na imagem abaixo o assento do casamento religioso do casal:

Acervo MeuLegado: REF. 1918MAT02–2–1
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Acervo MeuLegado: REF. 1918MAT02–2–2

Aos dezenove de janeiro de novecentos e/ dezoito, na Cham Preta, assisti ao recebi-/mento matrimonial de Manoel Duarte de Souza e Amália de Oliveira Caval-/canti, elle de vinte e cinco annos, filho/ legitimo de Raymundo Duarte de Souza e/ Joanna Roza dos Prazeres; ella de dezoito/ annos, filha legitima de Antonio de Oliveira/ Cavalcante e Maria de Albuquerque/ Cavalcante, ambos naturais e residentes/ nesta parochia. Dei-lhes as bençãos nupciais/ perante as testemunhas Cosme Canuto de/ Souza e Antonio Duarte de Souza; e para cons-/tar mandei fazer este termo que assigno./ Vigario Conego Durval Goes.

Transcrição: Samuel Duarte Cavalcante Filho

N o assento acima constata-se que a noiva descende da família Cavalcante de Albuquerque e Oliveira, não obstante ao que está escrito, devo expor que a mãe, Maria de Albuquerque Cavalcante descende não só dos Cavalcante de Albuquerque, mas também, de um tronco remoto da família Holanda, pois a mesma aparece em outros assentos com assinatura Holanda Cavalcante, sendo ela filha de Lourenço de Holanda Cavalcante e Francelina da Motta Cavalcante, residentes no Sítio Bananalzinho de Viçosa-AL, onde eram proprietários de um quinhão de terras.

Ainda sobre esse tronco dos Holanda misturando-se com os Duarte de Souza, temos Horácio Tenório Cavalcante (n. 1900 — f. 22/12/1994) casando com Auta Duarte de Souza (n. 10/09/1900 — f. 11/08/1963), sendo ele filho de Izabel de Holanda Cavalcante, esta filha de Lourenço de Holanda e Francelina da Motta, unindo mais uma vez tais famílias.

Abaixo veremos o assento do matrimônio de Auta com Horácio, realizado na Capela de Chã Preta, Paróquia de Viçosa, datado de 10.04.1923.

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Acervo MeuLegado: REF. 1923MAT32

Aos dez de Abril de mil novecentos e vinte e tres/ na Capella de Chã-Preta servatis de jure servandis/ e perante as testemunhas Christovão de Hollanda e/ Procopio Antonio de Sousa assisti ao recebimento/ matrimonial de Horacio Tenorio Cavalcante e Au-/ta Duarte Sousa. Elle com vinte e dois annos fi-/lho legitimo de Antonio Tenorio Cavalcante e Iza-/bel de Hollanda Cavalcante. Ella com vinte e/ um annos filha legitima de Raimundo Anto-/nio de Sousa e Joanna Rosa dos Prazeres. Am-/bos naturais e residentes nesta Parochia. Dei-lhes/ as bençãos nupciais. E para constar mandei fazer/ este termo que assigno.

[O Vig.] P.e [Candido Machado]

Transcrição: Samuel Duarte Cavalcante Filho

Percebe-se, também, que esse matrimônio remonta a união com a família Tenório Cavalcante, sendo o pai de Horácio, descendente de um conhecido tronco daquela família, enraizado no município de Viçosa, mas estes são escritos para outras folhas.

Do casamento acima conhecemos 9 filhos, todos casaram e povoaram a terra, radicados em sua maioria na região de Viçosa-AL e cidade circunvizinhas e na capital Maceió. Abaixo, a foto de um dos filhos:

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Na imagem da certidão de casamento de Ivani Duarte Cavalcante, veremos que seu esposo Manoel Pereira de Holanda também descendia de uma família Duarte.

Vejamos de que forma:

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Maria Pereira Duarte, mãe do nubente, era filha de Manoel Caetano Pereira e Maria Alexandrina Duarte. Posso então afirmar que Maria de Alexandrina era prima ou parente próximo de Auta Duarte, por exemplo? Claro que não, pois não temos prova documental disto, apenas relatos de alguns familiares, como meu avô, Paulo Duarte Cavalcante que dizia:

“Noé Belo (Samuel Pereira de Holanda, irmão de Manoel Pereira de Holanda) era meu primo por ambos os lados, foi vereador de Chã Preta na primeira eleição municipal pós-emancipação política do município. Foi o mais bem votado, mas depois renunciou. Ele era casado com minha prima Dulce…”

Pena que tais palavras não se confirmam documentalmente, pois até agora nada apareceu que ligasse o recôndito elo. Mais um enigma que fica para outras páginas. Vale lembrar que a esposa de Alfredo Duarte de Souza, Anália Pereira Duarte, era irmã de Maria Pereira Duarte.

Os livros de batismos das paróquias são uma excelente fonte de pesquisas, assim como os de matrimônios e óbitos. Ainda na Paróquia de Nosso Senhor Bom Jesus do Bomfim encontra-se o batismo de Paulo Duarte Cavalcante, datado de 23.06.1930, importante membro originário da família Duarte Cavalcante, o qual está exposto abaixo:

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Acervo MeuLegado: REF. 1930BAT03

No dia vinte e trez de Junho de mil/ [no]vecentos e trinta, foi baptizado nesta parochia,/Paulo, nascido no dia primeiro/ [de] Junho de mil novecentos e trinta,/ [filho] [legí]timo de Manoel Duarte de Souza, e/ [corroído] de Hollanda Cavalcante, tendo sido seus padrinhos:/ [corroído] de Hollanda Cavalcante, e/ [corroído] de Hollanda Cavalcante./ [O baptizado supra foi realizado] no Sítio Herva do Rato,/ [em Oratório pri]vado, sendo officiante o Reverendo/ [Senhor Vigário]. [E, para constar fez-se este reg]isto que assig[no]./ [O Vigário] Pe. C[ândido Machado].

Transcrição: Samuel Duarte Cavalcante Filho

Apesar de deteriorado pelo tempo e forma de armazenamento que se encontrava, o assento acima oferece importantes informações, e as que não conseguimos ver, como o nome da mãe e dos padrinhos, é suprida pelo que já sabíamos antes, a mãe de Paulo era Amália de Oliveira Cavalcante, surgindo no documento com a assinatura Holanda Cavalcante. Os padrinhos, sabemos por relatos do próprio Paulo que se trata de Manoel de Holanda Cavalcante e Ceciliana de Holanda Cavalcante, que acabaram por criar o afilhado desde a mais tenra idade. Casal este que descende de um tronco da família Holanda enraizado em Chã Preta.

Toda a pesquisa e documentos podem ser estudados no site omeulegado.com.br, onde encontraremos as famílias aqui mencionadas de forma mais completa.

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RECENSEAMENTO DE PROPRIEDADES RURAIS (1920 — ALAGOAS)

Outra clara evidência da estada dessa família em terras de Chã Preta/Viçosa é o nome de Raimundo Antônio de Souza surgindo como condômino da propriedade Papamel, em um recenseamento realizado no estado de Alagoas.

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Viçosa — Alagoas — Brasil

CONCLUSÃO

Podemos concluir que a família Duarte de Souza é um importante tronco da região de Viçosa-AL e Chã Preta-AL. Família esta que tem suas origens em Palmeira dos Índios, mas que se estabeleceram em Chã Preta, confundindo-se até com a própria história do município, visto que Raimundo era um dos proprietários da Fazenda Chã Preta, subdividida em Fazenda Machado e Fazenda Papamel. A fazenda fica aos pés do município, tanto que muitas ruas e casas da própria cidade é fruto de doações de terras da referida fazenda por seus proprietários.

Para sabermos mais sobre os antepassados mais antigos dessa família e solucionarmos alguns enigmas, é preciso aprofundar-se em estudos, sobretudo no município de Palmeira dos Índios, Alagoas.

Os registros aqui expostos e outros que foram pesquisados poderão serem vistos de forma gratuita, através do site omeulegado.com.br, onde há vários documentos catalogados.

Se você é da família Duarte, talvez descubra conosco, se tens parentesco com esse mesmo tronco ou outro que por ventura tenhamos pesquisado.

Até breve!

Samuel Duarte Cavalcante Filho.

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