O Clã da Família Duarte — Chã-Preta — Alagoas — Parte II

Notas Históricas e Genealógicas — Edição 11/2017

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Em meu primeiro artigo sobre a família Duarte, fiz um resumo bem sucinto sobre a genealogia dessa família, abordando, entre outros aspectos, a chegada em Chã Preta, o enlace com a família Souza e a união com a família Holanda Cavalcanti, relatando, inclusive algumas histórias sobre parentescos que ouvi do meu avô Paulo Duarte Cavalcante e da minha avó Mª José Duarte Cavalcante e me incumbi de pesquisar ainda mais para ver até onde essas histórias eram verdadeiras, e não só uma mera história passada de geração a geração, e já antecipo, tive sucesso nas pesquisas! Fiz uma busca por documentos no Family Search, mais precisamente nos Livros do Cartório de Viçosa-AL, na qual pude constatar algumas coisas e solucionar outras que ficaram sem definição em um primeiro momento.

A FAMÍLIA DUARTE

No primeiro artigo fiz a seguinte indagação:

De onde veio o sobrenome Duarte? Visto que nem Raimundo, nem Joana o assinavam?

De fato, o sobrenome Duarte vem da família de Joana Rosa dos Prazeres, que mesmo ela não o assinando, passou-o para os filhos, pois seu pai se chamava Antônio Duarte de Oliveira, como podemos ver no assento do nascimento de Alfredo Duarte de Souza, datado de 09.11.1902, lavrado no cartório de Viçosa.

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Acervo MeuLegado: REF. 1902NAS13.

Aos nove dias do mes de Novembro de mil nove-/centos e dois, nesta cidade de Viçosa, Estado/ de Alagôas, aqui em meu cartorio compareceu o cidadão Raymundo Antonio de/ Souza, agricultor, residente no sitio Chã Pre-/ta deste municipio, com as testemunhas a-/baixo assignadas, residentes nesta cidade/ e em presença dellas declarou que no dia quin-/se de Maio de mil e novecentos, ao meio dia/ no mesmo sitio, sua senhora, Joanna Ro-/sa dos Prazeres, havia dado a luz á uma cri-/ança do sexo masculino, que lhe tinha posto/ o nome de Alfredo, sendo filho legitimo/ delle declarante, e que são seus avós paternos/ José Antonio de Souza, residente no mesmo/ sitio, e Maria Pastora da Conceição, já fal-/lecida, e maternos Antonio Duarte de Oli-/veira e Delphina Maria da Conceição, am-/bos falecidos. Declarou mais que seo casa-/mento se havia realisado neste municipio/ no dia desecete de Junho de mil oitocentos/ e oitenta, do que para constar faço este termo/ que assigno com o declarante e as testemu-/nhas./

Transcrição: Samuel Duarte Cavalcante Filho

Se antes assegurei ter encontrado 7 (sete) filhos do casal Raimundo Antônio de Souza e Joana Rosa dos Prazeres, já não posso mais afirmar isto, pois localizei outro assento, feito no mesmo dia, de uma filha chamada Francisca, a qual nasceu em 17.12.1897, ficando a prole com a seguinte ordem cronológica [1.1–1.8]:

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Outra importante informação a ser extraída do assento supracitado é a data do casamento dos genitores do registrado, que fora realizado aos 17.06.1880, no mesmo município.

A FAMÍLIA PEREIRA DUARTE

Ainda no primeiro artigo, usei a certidão de casamento de Manoel Pereira de Holanda com Ivani Duarte Cavalcante, ele filho de José Belarmino de Holanda Cavalcante e Maria Pereira Duarte, e ela filha de Horácio Tenório Cavalcante e Auta Duarte Cavalcante, deixando uma indefinição quanto ao parentesco dos nubentes, coisa que consegui solucionar, tendo a confirmação de que ambos são parentes, pois suas mães eram primas.

O assento a seguir é o do nascimento de Aristides, o documento data de 11.11.1902, também do Cartório de Viçosa.

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Acervo MeuLegado: REF. 1902NAS14.

Aos onze dias do mes de Novembro de mil nove-/centos e dois, nesta cidade de Viçosa, Estado de/ Alagôas, aqui em meu cartorio compareceu/ Manoel Caetano Pereira da Silva, agricul-/tor, residente no sitio Chã Preta, deste mu-/nicipio, com as testemunhas abaixo assig-/nadas residentes nesta cidade, em presen-/ça dellas declarou que no dia vinte e qua-/tro de Dezembro de mil oitocentos e noventa/ e nove, as seis horas da tarde, no mesmo si-/tio, sua senhora, Alexandrina Maria de/ Jesus, havia dado a luz á uma criança/ do sexo masculino, que lhe tinha pôsto/ o nome de Aristides, sendo filho legitimo/ delle declarante; e que são seus avós pater-/nos Caetano Pereira da Silva e Maria/ Angelica e maternos Francisco Duarte, já/ fallecido, e Ursulina Maria da Conceição,/ todos residentes no mesmo sitio Chã Preta./ Declarou mais que seu casamento se ha-/via realisado no dia vinte e dois de Janei-/ro de mil oitocentos e noventa e oito, neste/ município; do que para constar faço este/ termo que assigno com o declarante e as/ testemunhas./

Transcrição: Samuel Duarte Cavalcante Filho

Apesar de existir algumas diferenças quanto aos sobrenomes, não resta dúvida que se trata de um filho de Manoel Caetano Pereira e Alexandrina Maria Duarte, pois existem referências para o mesmo sítio Chã Preta, já mencionado no primeiro assento aqui exposto. Ressaltemos Francisco Duarte, avô materno, o mesmo aparece em outro assento por mim pesquisado como Francisco Duarte de Oliveira, também citando o sítio Chã Preta como seu domicílio. Sendo assim, não há como não ligá-lo a Antônio Duarte de Oliveira, haja vista que também vivia no mesmo sítio, ambos devem ser irmãos, pois foram contemporâneos.

Além disso, o assento nos oferece a data do matrimônio de Manoel e Alexandrina, que acontecera em Viçosa, aos 22.01.1898. Deste casal são do nosso conhecimento os seguintes filhos [1.1–1.10], dos quais sabemos com quem casaram [1.3–1.6]:

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Destaquemos Maria Pereira Duarte, a qual em um livro de matrimônios da Paróquia de Senhor Bom Jesus do Bomfim, de Viçosa, acha-se casando com José Belarmino de Holanda Cavalcante, aos 31.05.1923, como podemos ver a seguir.

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Acervo MeuLegado: REF. 1923MAT33.

Aos trinta e um de Maio de mil novecentos e vinte e/ trez no sitio Herva de Rato em oratorio privado servatis/ de jure servandis e perante as testemunhas Christovam/ de Hollanda e Cassimiro de Hollanda, assisti ao re-/cebimento matrimonial de José Belarmino de Hollanda/ e Maria Duarte Pereira. Elle com trinta e cinco anos/ filho legitimo de Belarmino de Hollanda e Geronyma/ de Hollanda Cavalcante. Ella com vinte e um anos/ filha legitima de Manoel Caetano Pereira e Alexandri-/na Maria Duarte. Ambos naturais e residentes nesta/ Parochia. Dei-lhes as bençãos nupciais. E para constar/ mandei fazer este termo que assigno./

O Vigº. Pe. CandidoMachado.

Transcrição: Samuel Duarte Cavalcante Filho

Do casamento acima nasceram oito filhos, dentre eles Samuel Pereira de Holanda (n. 20.08.1925), popularmente conhecido como “Noé Belo”, o qual foi vereador por Chã Preta na primeira legislatura do município, iniciada em 07.10.1962, sendo o mais bem votado do pleito, porém renunciou ao cargo em outubro de 1963 e foi morar em Paulo Jacinto-AL, onde faleceu.

Vale frisar que José Belarmino de Holanda Cavalcante, também conhecido pela alcunha “Zé Belo”, descende de um tronco arcaico da família Holanda, radicados na Fazenda Erva de Rato, atualmente em Chã Preta, o qual jaz na sepultura em tela:

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A genealogia dessas famílias estão expostas no site MeuLegado de forma mais completa e brevemente poderão ser acessadas.

UM POSSÍVEL PARENTESCO…

Eu não poderia deixar de aludir o assento do matrimônio do Capitão Canuto José de Souza, o qual casara com Maria Pastora dos Prazeres, que é mencionada como viúva de Manoel Antônio Duarte. O assento é datado de 10.11.1895, como podemos ver em seguida.

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Acervo MeuLegado: REF. 1895MAT34–2–1
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Acervo MeuLegado: REF. 1895MAT34–2–2

Aos dez dias do mez de Novembro/ do anno de mil oito centos e noven-/ta e cinco nesta cidade de Viçosa, mu-/nicipio do mesmo nome Estado de/ Alagôas em casa particular do Te-/nente Nathan Rodrigues de Vas-/concellos Juiz Districtal, em exercicio/ com migo escrivão effectivo do/ mesmo Juizo e as testemunhas/ Antonio Pereira de Lucena e/ Joaquim da Silva Nogueira/ receberam-se civilmente em ma-/trimonio Canuto José de Sou-/za de idade de quarenta e sete/ anos, viuvo por falecimento/ de Miquelina Maria da/ Conceição residente no engenho Bom/ Conselho, e Maria Pastora dos/ Prazeres, de idade de trinta e quatro an-/nos, viuva por falecimento de Manoel/ Antonio Duarte, residente no engenho/ Bom Conselho, natural, digo, ambos/ naturais do municipio da Palmei-/ra dos Indios. Os quais na mes-/ma ocasião (declararam) não serem parentes em/ gráo algum e não terem empedi-/mento algum dos declarados pelo/ Juiz; declararam mais que eram/ casados pelo casamento eclesiastico/ tendo sido effectivado dicto casa-/mento em nove de Dezembro de/ mil e oito centos e noventa e um/ em sua propria casa pelo Padre/ Francisco de Borja Barros Lourei-/ro e que tinhão trez filhos de (nomes) Cos-/mo, Damião e Miquelina os/ quaes sempre os reconheceram/ como seus legitimos filhos os qua-/es ficaram sendo como sempre,/ do que para constar lavrei o prezen-/te que vai assignado pelo Juiz/ os nubentes e as testemunhas,/ eu Joaquim […] Baptista/ escrivão districtal o escrevi./

Transcrição: Samuel Duarte Cavalcante Filho

Na obra “Coletânea de Uma Vida”, Mauro Teixeira de Vasconcelos relata que Maria Pastora era viúva e que já tinha filhos do seu primeiro matrimônio, destes, fazendo menção a João, Zafira e Manoel Nicácio de Souza, porém não diz o nome do seu primeiro consorte. O assento acima, estranhamente, não expõe tais filhos de Maria Pastora, mas cita Manoel Antônio Duarte como seu primeiro cônjuge.

Em outro assento obtive a informação de que Maria Pastora dos Prazeres era filha de Francisco Antônio de Souza e Luiza Maria dos Prazeres, o que justificaria o sobrenome Souza em seus filhos, nascidos do primeiro matrimônio.

Já sobre Manoel Antônio Duarte não sabemos nada além do que extraímos do assento supracitado. Podemos apenas especular que o mesmo seja da mesma família de Antônio Duarte de Oliveira e Francisco Duarte de Oliveira, no entanto, infelizmente não posso garantir isso, mas as pesquisas vão continuar e podemos encontrar outros documentos que nos dê mais respostas.

CONCLUSÃO

Com as informações aqui expostas, podemos concluir que as dúvidas referentes ao primeiro artigo ficam sanadas, dadas as descobertas sobre o real parentesco entre as famílias Duarte de Souza e Pereira Duarte.

Para que se possa descobrir raízes mais arcaicas, se faz necessário uma pesquisa em documentos mais antigos, tanto os de Viçosa, quanto os de Palmeira dos Índios, assim, poderemos ter uma genealogia mais aprofundada desses troncos.

Até logo!

Att.

Samuel Duarte Cavalcante Filho.

Veja também: O Clã da Família Duarte — Parte I, em: https://medium.com/meu-legado/o-cl%C3%A3-da-fam%C3%ADlia-duarte-ch%C3%A3-preta-alagoas-67d84cfabb2e

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