Os Duarte de Albuquerque e Rodrigues Delgado — Pão de Açúcar — AL

Notas Históricas e Genealógicas — Edição 4–2017

por: Maria das Graças Alves

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Foto Ilustrativa

As terras da hoje cidade de Pão de Açúcar, nas margens alagoanas (do baixo) Rio São Francisco, pertenciam em 1611 naturalmente aos índios Urumaris que as chamavam de Jaciobá, em razão do belo reflexo da Lua nas águas do rio. Nos tempos de Dom João VI, ele fez uma doação de vasto território aos índios Urumaris, que no entanto, de suas terras foram expulsos pelos índios Xocós, que mantiveram para o local, o mesmo nome de Jaciobá.

Em tempos anteriores porem, foi Cristóvão da Rocha, que em 1643 tomou posse destas terras. No ano de 1660 uma sesmaria é doada ao português Lourenço José de Brito Correia. A partir destas datas, é que o processo de colonização da região começou lentamente, com grandes fazendas de gados.

Nossas atuais cidades começaram sua formação por volta de 1790, não como vilas, mas sim como precários povoados, onde viviam famílias todas em boas partes relacionadas entre elas mesmas e é claro, mestiçada com os índios. Fluxos de fazendeiros e agricultores vieram para a região, com origem em locais diversos.

Por absoluta falta da documentação produzida (eclesiástica e judiciária) nos séculos XVII e XVIII, não temos notícias das origens e dos ancestrais da maioria destes que lá chegaram. Ao pesquisar nestas regiões precisamos juntar fragmentos. A documentação existente começa mesmo por volta de 1850. Já então, que registros paroquiais nem pensar, temos usado fontes orais, relatos familiares, para pouco à pouco irmos juntando tudo que conseguimos para tirar do esquecimento algumas destas famílias.

Certa vez pesquisando a nossa família paterna, toda em Portugal, nos deparamos com uma 11ª avó, pessoa simples, e nos veio o pensamento que norteia todas as nossas pesquisas:

“será que em vida ela imaginou que um dia 200 anos depois uma sua descendente procuraria por ela?”.

É este o nosso propósito.

Assim a reconstituição destes troncos num passado anterior ao ano de 1850, urge ser refeita, mesmo com suas lacunas, através destas fontes disponíveis que são os livros dos Registros Paroquiais de Terras, os livros eclesiásticos (como referido, somente a partir de meados do século XIX) antigas memórias que preservaram algumas das tradições orais, jornais antigos e pesquisas e livros que tenham referências na região.

Os Duarte de Albuquerque e os Rodrigues Delgados

Dentre os antigos agricultores na região, aparecem no século XIX, os Duarte de Albuquerque e os Rodrigues Delgados, duas parentelas entrelaçadas, proprietárias rurais em Pão de Açúcar e que apresentam indicações de que remontam as suas raízes a algumas gerações mais recuadas no tempo e na região.

Os Duarte de Albuquerque são um destes exemplos, já que embora surjam documentalmente no ano de 1857, percebemos claramente por estes documentos, que eles estavam entre os mais antigos povoadores da região, já que no ano referido, na condição de herdeiros do falecido Manoel Duarte de Albuquerque, sua viúva, filhos e demais herdeiros estavam estabelecidos numa propriedade chamada Itororó ou Tororó.

O filho deste casal, Antonio Duarte de Albuquerque , declarou em 4 de março de 1858, possuir uma parte de terra no local referido de Itororó, herança de seu finado pai, Manoel Duarte de Albuquerque . No mesmo dia ele declara também como sua, outra parte de terras no local denominado Lagoa de Pão de Açúcar, parte de terras estas, recebida como dote do finado sogro, Bento José Rodrigues Delgado e sua esposa Ana Teresa de Jesus.

Antonio Duarte de Albuquerque foi casado com Maria do Espírito Santo ( ou Maria Saraiva de Mello) filha de Bento José Rodrigues Delgado ( este já por sua vez, sobrinho do falecido Padre José Rodrigues Delgado) , e de sua mulher D. Ana Teresa de Jesus (Brandão), todos também com raízes em gerações também mais recuadas na região. Dona Ana Teresa era irmã daquele que foi a mais proeminente figura do povoado de Entremontes, o antigo Porto do Armazém, o Coronel Anacleto de Jesus Maria Brandão.

Assim, a partir destes dados disponíveis, refizemos as ligações entre essa velha gente sertaneja:

1 — Manoel Duarte de Albuquerque, proprietário das terras de Itororó c.c. Antônia Rodrigues do Bonfim, n. 1804-f.1891, filha de Nicácio José de Mello e Eufrazia….. Ele seria irmão do então já falecido Padre Antonio Duarte de Albuquerque, proprietário das terras da Lagoa das Antas, que pertenceu a sua provável irmã, Joaquina do Espírito Santo, mulher de Manoel Fernandes Sampaio, ramo que de forma ligeira, surge também nos Registros Paroquiais das Terras de Pão de Açúcar. .

1.1– Antonio Duarte de Albuquerque n. 1820/f. 1890 Pão de Açúcar, c.c Maria ( do Espírito Santo, ou Saraiva de Mello ou Maria Rosa de Albuquerque) filha de Bento José Rodrigues Delgado (sobrinho do Padre José Rodrigues Delgado) c.c D. Ana Teresa de Jesus (Brandão)Pais de:

1.1.1 — Maria da Glória Duarte de Albuquerque, n. 1850 em Pão de Acúcar.

1.1.2- Francisca Duarte de Albuquerque, n. 1853, em Pão de Açúcar. C.c. Herculano Correa Leal , n. Traipú, SE, carcereiro em Pão de Açúcar. Pais de:

1.1.2.1 — José Correia de Albuquerque, artista, n. Pão de Açúcar, c.c. Aurora Carolina de Souza, filha de João Hypolito de Souza e Maria da Gloria Soares. Pais de:

1.1.2.1.1 — Aurora , n. em Pão de Açúcar, em 21.8.1901.

1.1.2.2 — Odilon, nascido em Pão de Açúcar, em 1893

1.1.3 — Manoel Antonio Duarte de Albuquerque, n. 1854, em Pão de Açúcar. ( residente em Campo Alegre) c.c. Silvina Rodrigues de Mello, filha de Josué Rodrigues de Mello e Coleta Maria de Barros. Pais de :

1.1.3.1 — América, que faleceu com 8 meses em 1895.

1.1.3.2 -Josué Duarte de Albuquerque, n. 23. Abril de 1883, casado em 23 de abril de 1941 com Lindinalva de Castro Rifa, n. Penedo, filha de Alberto Silvino de Castro e Maria Rosa do Espírito Santo. S.m.n.

1.1.3.3– Liberalina de Albuquerque c.c. Manoel Soares Pinto, filho de Manoel Soares Pinto e Ana Maciel de Carvalho.

1.1.4 — Ana Rosa de Albuquerque c.c. Jovino de Castro Riffa, funileiro, filho de Alberto Silvino de Castro e Maria Rosa do Espírito Santo. Pais de:

1.1.4.1 — Gilberto n. 07.12.1894 em Pão de Açúcar.

1.1.4.2 — Silvia Adhalia, n. em Pão de Açúcar 30.4.1889, f. 22.10.1889.

1.1.5 — Antonia Rosa Duarte de Albuquerque, n. em 1874 em Pão de Açúcar.

1.1.6 — Felismina Duarte de Albuquerque, n. em 1873 em Pão de Açúcar.

1.1.7 — Eugenia Duarte de Albuquerque, n. 1872 em Pão de Açúcar.

1.2– Teresa Duarte de Albuquerque n. 1822, c.c Bento Vieira . Pais de:

1.2.1 — Leopoldino Duarte de Albuquerque;

1.2.2 — Liberalina Duarte de Albuquerque;

1.2.3 — Antonia Rosa Duarte de Albuquerque;

1.2.4 — Francisco Duarte de Albuquerque;

1.2.5 — Eugenia Duarte de Albuquerque;

1.2.6 — Jose Ignácio Duarte de Albuquerque;

1.2.7 — Manoel Vieira;

1.2.8 — Ana Joaquina Duarte de Albuquerque.

1.3– Matilde Duarte de Albuquerque. (uma das filhas de Manoel Duarte de Albuquerque foi casada com Francisco Rodrigues de Mello, decerto não foi esta, citada como uma das fundadoras da Igreja Presbiteriana Independente de Pão de Açúcar, mas com o nome de solteira.).

1.4– Ana Duarte de Albuquerque (seria esta a que foi c.c. Francisco Rodrigues de Mello)

1.5– Esperidião Duarte de Albuquerque n. 1833, c.c Maria Rosa dos Prazeres, filha de Eufrásio José de Moraes (agricultor em Entremontes) e Maria Rosa dos Prazeres (Brandão & Veiga, uma das muitas sobrinhas do referido Anacleto de Jesus Maria Brandão); Pais de:

1.5.1– Emenergildo Duarte de Albuquerque n.1862 c.c Felismina Corrêa Leal, n. 1866.

1.5.2– José de Freitas Duarte de Albuquerque n. 1869/f. 1892

1.6– Clementino Duarte de Albuquerque, de quem sua mãe era a sua tutora em 1858.

1.7– Nicácio Duarte de Albuquerque.

1.8 -Deodato José de Albuquerque c.c Luzia Maria do Espírito Santo, já estava falecido em 1858.

1.8.1 — Rita (Duarte de) Albuquerque, herdou terras Tororó

1.8.2 — Pedro (Duarte de Albuquerque) herdou terras do Tororó.

1.8.3 — Francisca (Duarte de Albuquerque) herdou terras do Tororó.

1.8.4 — Pacifico (Duarte de Albuquerque) herdou terras do Tororó.

FOTO DOCUMENTO 1

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Livro de registros cartório de Pão de Açúcar — Alagoas

Nº 196. Aos quatro dias do mês de março do ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e cinquenta e oito nesta Villa e Freguesia de Pão de Assucar em casa de minha residência, compareceu perante mim António Duarte de Albuquerque. Declarando ser possuidor de dois exemplares, segundo a lei de regulamentação das Terras Públicas número mil trezentos e dezoito, de trinta de janeiro de mil oitocentos e cinquente e quatro, que possui nesta freguesia no lugar denominado Totoró, uma posse de terra no valor de trinta mil, oitocentos e quarenta e três reis, que houve por herança do seu finado pai Manoel Duarte de Albuquerque, como consta do inventário, as quais aferi para registrar. E nada mais disse e concluida por esta forma a presente declaração, numerados e rubricados por mim dois exemplares entreguei ao dito António Duarte de Albuquerque um dos exemplares ficando outro em meu poder nas conformidades de respectivo regulamento, do que para constar ….este registro no que me assino. Pão de Assucar, 4 de março de 1858. O vigário António José Soares de Mendonça.

Transcrição: Maria das Graças Alves

FOTO DOCUMENTO 2

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Livro de registros cartório de Pão de Açúcar — Alagoas

Nº 194. Aos quatro dias do mês de março do ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e cinquenta e oito nesta Villa e Freguesia de Pão de Assucar em casa de minha residência, compareceu perante mim António Duarte de Albuquerque. Declarando ser possuidor de dois exemplares, segundo a lei de regulamentação das Terras Públicas número mil trezentos e dezoito, de trinta de janeiro de mil oitocentos e cinquente e quatro, que possui nesta freguesia no lugar denominado Lagoa de Pão de Assucar uma posse de terras com seus competentes fundos, que lhe foi doada, como dote, por seus sogros o finado Bento José Rodrigues Delgado e Anna Theresa de Jesus no valor de cem mil reis, como consta do inventário, a qual aferi para registrar. E nada mais disse e concluida por esta forma a presente declaração, numeradas e rubricados por mim dois exemplares, entreguei ao dito António Duarte de Albuquerque um dos exemplares ficando outro em meu poder nas conformidades de respectivo regulamento, do que para constar abri este registro no que me assino. Pão de Assucar, 4 de março de 1858. O vigário António José Soares de Mendonça.

Transcrição: Maria das Graças Alves

CONCLUSÃO

Em síntese, esta é a ligação dos Duarte de Albuquerque com os Rodrigues Delgado e com outras famílias pioneiras da região como os Brandão, os Veiga, os Rodrigues de Mello,e os Moraes. De cada uma delas, e muitas outras, pretendemos voltar a falar.

Até a próxima.

Maria das Graças Alves.

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