Bem se sabe de fato, que não passa de Darwin, um equívoco barato. Que o caso de não termos asas, não nos impediria de voar, que a falta de guelras, não nos privaria de mergulhar mais fundo, que a evolução de andar sobre duas pernas, não nos impossibilitaria de rastejar. Mas quem quereria rastejar? Nós mudamos, nos adaptamos, e cada segundo nesse mundo, nos modifica imensamente, seguindo a ciência, a querência, a cadência, a ambiência e a circunstância. E nós, com toda esse racionalidade e inventividade, somos incapazes de responder o que somos realmente. É pergunta retórica, chata, mas inevitável. Estarmos em constante procura por uma resposta nos faz incomodar, observar e ressignificar. Não somos poeira, muito menos barro. Somos carne, osso, água, carbono. Não se deixe enganar. Mas somos indivisíveis no singular. E melhores no plural. Então, para que estar sozinho quando o lado B é visceral-viciante? A vida é estopim, faísca de milésimos, e estar para ela como ela está para nós, intensa e momentânea, faz querer não se importar com aquilo que a gente não quer. Faz querer conhecer o quão grande podemos ser, nos tornar. Então, bem sabemos que o fato de estarmos juntos seria corrente de ar a favor dos voos mais altos, que a constante da parceria seria fôlego a mais na descoberta do mundo lá embaixo, que sua não presença jamais justificaria o meu sentar e esperar. A parte minha que fica não, felizmente ou infelizmente, não é a melhor parte. ― Prazer, meu nome é Pedro.

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