Faço formas na praia, mas a maré insiste em apagar. Formas que de acordo com o novo acordo ortográfico, você só entenderia o sentido se escutasse em bom som da letra O com um acento circunflexo. Não são coraçõezinhos, nem estrelinhas, muito menos frases baratas escritas com graveto pra alguém sentar do lado e pousar para um retrato. Essas são invenções para se assegurar a presença modular e perpétua de algo em nossas vidas. Eram né. Meu pé toca a areia e a areia envolve meu pé. Fica gravado ali, mesmo que superficialmente, sem detalhismos, o molde dele. Se eu boto minha mão, temos o molde de uma mão. Se caio de cara na areia, puff, temos minha cara no chão. Porém, não quero falar de formas em si, mas da maré. Que diferente da vida, nos faz realizar rapidamente que ninguém precisa de deixar algo para a eternidade. Alguém vai pixar, alguém vai queimar, muita gente não vai nem reparar. Mude seu sobrenome Zé, que não existe família Ninguém. ― Prazer, meu sobrenome é Silva.

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