A Oficina MeViro com a Red Bull

Marcos Beto
Jan 8, 2018 · 8 min read

No final de novembro, organizamos, em parceria com a Red Bull e o Instituto Fernando Fernandes, a oficina “Soluções Makers para Inclusão de Pessoas com Deficiência nos Esportes”.

O objetivo dessa oficina foi reunir makers e pessoas com deficiência, no espaço maker Red Bull Basement, para que, juntos, construíssem projetos que ajudam na inclusão na prática de esportes.

Esse post vai ajudar você a entender como funciona uma Oficina MeViro e quais são os resultados alcançados ao final das nossas oficinas. Entender o que nós fazemos é importante para que você também possa se envolver nessa causa, caso exista o interesse.

Nessa publicação, não vou explicar a fundo as soluções que foram criadas. Reservei esse espaço para explicar nossa metodologia e maneira de trabalho. Nas próximas, vou contar sobre cada um dos projetos que foram desenvolvidos.

E não deixe de nos seguir para ficar ligado nas próximas histórias :)

Onde

A oficina aconteceu em São Paulo, no espaço maker da Red Bull, o Basement, localizado dentro do prédio Red Bull Station, no centro de São Paulo. O Red Bull Basement é um espaço maker compartilhado, com máquinas e ferramentas que podem ser utilizadas por qualquer um, como cortadoras à laser, impressoras 3D, materiais para eletrônica, corte de madeira e outros.

Um espaço desse tipo facilita e agiliza a criação dos protótipos e soluções, já que não precisamos levar nossas próprias ferramentas ou buscar em outros lugares.

Quem participou

Para essa oficina, foi criada uma chamada aberta e compartilhada nas redes sociais, onde qualquer pessoa poderia se inscrever, preenchendo um formulário, indicando suas habilidades e explicando como poderiam contribuir para ajudar outras pessoas com deficiência.

Rapidamente as vagas foram preenchidas e contaríamos com a participação de pessoas com diferentes habilidades, desde engenheiros de computação até uma experiente costureira, que por sinal foi uma das que mais trabalhou.

Os participantes com deficiência foram selecionados por meio de parcerias com associações como a APABB e a Companhia Ballet de Cegos da Associação Fernanda Bianchini.

Como a ideia era realizar uma oficina focada na criação de soluções para o esporte, todos participantes com deficiência eram atletas — jogadores de bocha, nadadores, dançarinas de ballet e remadores.

Além disso, contamos com a participação do atleta Fernando Fernandes, que contou sua história e engrandeceu o debate sobre a inclusão de pessoas com deficiência na prática de esportes. Fernando também colocou a mão na massa e sugeriu soluções que poderiam ser construídas pelos os participantes da oficina.

Entrevista que fiz com o atleta Fernando Fernandes

O que aconteceu durante a oficina

A Oficina “Soluções Makers para Inclusão de Pessoas com Deficiência nos Esportes” durou 3 dias, além de um dia reservado para um bate-papo com o atleta Fernando Fernandes e que foi transmitido pela Internet.

Abaixo, vou tentar resumir o que aconteceu em cada um desses dias.

Primeiro Dia:

O primeiro dia serviu para que os participantes se conhecessem melhor e para entender o que aconteceria durante os próximos dias de oficina.

Na primeira parte, apresentamos nossa metodologia e a agenda da Oficina. Resumidamente, dividimos os 3 dias de oficina nesses seguintes momentos:

Faltou o número: 6. Compartilhar

Em seguida, dividimos os participantes em grupos, onde cada grupo contava com, obrigatoriamente, pelo menos uma pessoa com deficiência.

Nas nossas oficinas, quem diz o que precisa ser desenvolvido é a pessoa com deficiência do grupo. E tudo que os outros participantes irão construir será testado e validado por quem tem a limitação.

Após a separação dos grupos, os participantes discutiram os problemas específicos das pessoas com deficiência e já começarem a pensar na solução que seria desenvolvida nos outros dias.

Ao término desse dia todos já se conheciam e dava para sentir a empolgação dos participantes para construírem algo que realmente iria fazer diferença na vida de alguém.

Dia do Bate-papo com Fernando Fernandes:

Nesse bate-papo, troquei uma ideia com o atleta Fernando Fernandes, que nos contou como desenvolveu seus projetos que permitem a prática de esportes de alto nível, e, muitas vezes, de igual pra igual com uma pessoa sem deficiência.

Essa conversa foi aberta ao público e teve transmissão ao vivo pela Internet. O auditório do Red Bull Station ficou cheio para ouvir histórias que inspiram outras pessoas com deficiência a também lutarem por uma vida mais ativa.

Se você se interessar, segue o video com o bate-papo completo:

Segundo Dia:

O segundo dia foi o início da mão-na-massa.

Ainda no começo do dia, os participantes se juntaram aos seus grupos conforme definido previamente. O primeiro passo era começar a esboçar o projeto que seria desenvolvido, com o objetivo de gerar um primeiro protótipo ao final do dia.

Lembrando sempre que todos os projetos desenvolvidos, seriam validados e utilizados pelo participante com deficiência do grupo.

Após definição do projeto e dos itens necessários para construção, integrantes do time do MeViro saíram para comprar os materiais que não estivessem disponíveis no espaço maker Red Bull Basement.

Já no início da tarde, os participantes já estavam começando a construção. E como em todo início de projeto, muita coisa dá errada e é invalidada. Mas percebemos que aos poucos ideias melhores vão aparecendo e observamos a evolução de todos os projetos.

No final do dia, dos quatro grupos, apenas um não estava satisfeito com a evolução do protótipo. Mas como diria o ditado "Mar calmo não faz bom marinheiro", a solução criada por esse grupo ficou uma das melhores ao final do terceiro dia.

Terceiro e Último Dia:

O último dia era o mais esperado. Como será que ficaram os projetos? Será que realmente conseguiremos ajudar uma pessoa com deficiência a realizar com mais autonomia suas atividades esportivas?

Entre o segundo e o terceiro dia, alguns grupos foram visitar o participante com deficiência do grupo no ambiente onde elas praticam suas atividades físicas. Com isso, os participantes conseguiram testar alguns protótipos e realizar observações que seriam impossíveis de serem feitas fora do ambiente da prática esportiva.

Começamos o último dia dando continuidade aos protótipos que estavam sendo desenvolvidos. Aquele grupo que não estava tão feliz com sua evolução ao final do segundo dia, chegou com uma solução completamente nova e que realmente funcionava bem.

No final, a nova proposta de calha pra bocha adaptada foi muito bem avaliada pelo praticante Edgar

Durante todo o dia, assistimos os grupos a realizarem os ajustes finais nas soluções que foram criadas. Ao final, cada grupo apresentou o projeto desenvolvido e testado juntamente com o participante com deficiência.

Alguns projetos ainda precisariam de pequenos ajustes para utilização, mas apenas um grupo não conseguiu finalizar o protótipo inicial, devido à sua complexidade. Tivemos a promessa dos participantes desse grupo que eles finalizariam, assim que possível, a solução que estava sendo desenvolvida.

Todos os projetos desenvolvidos nessa oficina serão compartilhados gratuitamente na plataforma www.meviro.org, em português e inglês, para que outras pessoas consigam replicar o projeto, independente de onde estejam.

Ao final de tudo

Pode parecer que, ao final, o que queremos entregar são apenas tecnologias assistivas para pessoas com deficiência que criamos com nossas próprias mãos.

Mas essa oficina foi a prova de que estamos fazendo algo a mais. A sensação é que realmente praticamos a inclusão ao envolver a pessoa com deficiência em todo o processo de criação da solução que será utilizada por ele .

Durante esse processo, as pessoas com deficiência também recebem uma quantidade imensa de informação e acabam aprendendo muito ao entrarem em contato com esse ambiente maker. O contato com esse novo mundo expande o horizonte e enche de esperança uma pessoa que realmente tem dificuldade de adquirir tecnologias e produtos que possam ajudá-los em determinada atividade.

Nessa oficina, nenhum dos participantes com deficiência tinha tido algum contato prévio com tecnologias makers como impressão 3D e corte à laser. Mas saíram de lá cheios de conhecimento e com a certeza de que existem maneiras mais rápidas e simples de resolverem seus problemas.

O objetivo final desse intercâmbio de informação é dar mais autonomia para as pessoas com deficiência, para que elas mesmas consigam pensar e executar projetos que possam melhorar sua qualidade de vida.

Sobre as emoções vividas, não tem como explicar direito. Foi lindo ver que os os participantes, apoiadores e patrocinadores da oficina conseguiram entender melhor o problema de uma pessoa com deficiência. E mais do que isso, conseguiram construir algo que pudesse ajudar essa pessoa. E essa sensação específica é indescritível. Só participando de uma das oficinas para entender e sentir o que se passa.

Saímos dessa oficina com a sensação de dever cumprido. Conseguimos impactar mais pessoas do que imaginávamos. E também conseguimos que todos os participantes se envolvessem até o final. Uma salva de obrigados pela dedicação de cada um dos participantes. Vocês foram fodas!

Nos próximos posts vou contar a história de cada um dos grupos e das soluções criadas. Entre outras, vou explicar como que o Alison e do Tomaz fizeram para construir, juntos, um exoesqueleto que permitiu que Alison ficasse de pé pela primeira vez em sua vida.

E pra finalizar, nos resta agradecer a todos que participaram e ajudaram a organizar essa Oficina MeViro. Tenham certeza que vocês foram responsáveis por toda inclusão que assistimos durante os 3 dias. Muito obrigado mesmo!

E nos vemos nas próximas oficinas.

E no mais, o MeViro segue acreditando que precisamos CONSTRUIR PARA INCLUIR.

E depois de contar sobre todos os benefícios da Oficina MeViro, vamos conversar para organizarmos, juntos, uma Oficina para praticar a inclusão na sua instituição?

Se você se interessar, entre em contato pelo email marcos@meviro.org

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MeViro - Construir para Incluir

Conectando o mundo maker com pessoas com deficiência para co-criarem um mundo mais inclusivo.

Marcos Beto

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Apprentice entrepreneur.

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